Geração LSD X Geração APP

Há poucos dias participei de um evento que discutia as complexas características do mundo atual, chamando-o simbólica e adjetivamente de VUCA – volátil, incerto, complexo e ambíguo, teoria criada por um oficial americano durante a guerra do Iraque. Ouvi atentamente todas as facetas expostas com entusiasmo quase apocalíptico por parte do palestrante, oriundo da geração X, provavelmente como eu. Confesso não estar totalmente antenado com rótulos e definições atuais sobre o comportamento gerencial ou humano, mas fiquei absorto nas atuais características do mundo atual e confesso, fiquei preocupado. Não que o choque entre gerações me seja desconhecido, mas para ser sincero sinto falta de uma geração comprometida de verdade com um mundo melhor, não com falácias, mas ações concretas. E antes mesmo de ser vilipendiado por algum termo moderno mais agressivo, as observações atuais de comportamento definem assim as últimas gerações.

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Naturalmente devem ser levadas em conta as gerações transicionais entre essas e que a meu ver trazem um pouco de bom senso para seguir em frente sem grandes percalços sociais. Mas quero apimentar essa discussão com um ponto de vista que irei defender até que um representante dessas gerações descritas venha me questionar com argumentos de igual intensidade. Os Baby Boomers construíram a base estrutural do mundo que temos hoje, com alguns erros admito, mas foi a geração que realmente construiu os padrões que hoje desfrutamos. E a última das gerações que se preocupou realmente com um mundo melhor foi a geração X, que marcou presença em um evento que as gerações Y e Z provavelmente sequer saibam que importância e significado teve para os nossos dias, o festival de Woodstock, um mero festival de rock mas que trouxe um enorme significado decisório para a história do mundo.

As gerações começaram a perder muitos dos propósitos coletivos nos anos 80. Objetivos, razões, identidade, tudo o que dá certeza de uma continuidade, mesmo controversa, da humanidade. Nada disso foi sequenciado com a marca dessa geração, ao contrário, foi o início da desconstrução da ideia una do mundo como uma aldeia global, capaz de comportar os diferentes, mas mantê-los individuais, diferentemente de globalização que nos enfrenta hoje, e que pretende pasteurizar a todos num formato de escravidão moderna, regrada, vigiada e titulada.

A geração LSD – paz e amor livre, não à guerra, hippie – foi a última das gerações que realmente se preocupou com o mundo.

E como exemplo cito o discurso caboclo em defesa do meio ambiente e sustentabilidade, questões indevidamente discutidas como se fossem novas, pelas gerações Y e Z, e que tratam desses assuntos como se nós outros jamais tivéssemos planejado o futuro ou agido no sentido de mitigar os efeitos do alto consumo. Aliás, vale ressaltar que as gerações Y e Z são consumistas por excelência, fator decisivo para alguns dos novos problemas que hoje somam-se a outros conhecidos, como a escassez de recursos naturais suficientes para uma densidade populacional em crescente expansão. As “gerações consumo” não possuem a noção clara, ou fazem de conta que não, que a produção de seus smartphones causa sérios e irreversíveis danos ao planeta, por fazerem parte de uma cadeia de consumo que parece não ter freio. Para nosso desconforto humano, substituímos as gerações do saber pelas que fazem questão do ter.

Também por isso hoje as discussões parecem conduzidas de forma tão blasé, alinhadas às principais características dessas gerações, que são o desprezo pela história e a concepção de que as anteriores nada fizeram pelo futuro. Aquecimento global, globalização, movimentos migratórios indistintos, controle humano, tudo isso vem sendo discutido como se o mundo estivesse todo errado. Inclusive os especialmente críticos, o conceito de governo, família e liberdade. Claro que um desarranjo educacional sem esteio e uma onda empreendedora via startups e soluções primárias de tecnologia, contribui muito pata isso, principalmente porque desprezam instituições empresariais estabelecidas, mas sabem bem a importância delas como base de sustentação econômica e social.

É preciso saber que hoje criamos apenas soluções para os problemas criados a partir de situações atuais, não passadas ou futuras, entendeu?

Daí dá até para pensar que o limite humano atual restringe-se ao globalismo mutante quântico, e é preciso deixar claro que parte das soluções hoje apresentadas como inovação já eram usadas de uma forma ou de outra no começo ou meio do século passado. Essas bobagens de patinetes elétricos ou mini carros, tecnologia energética e dezenas de milhares de robôs computacionais fazem destas as minguadas gerações app.

Tal qual o mérito de japoneses que pretensamente melhoraram tecnologias, ou chineses que somente as copiaram. Na verdade as tecnologias implementadas pelos americanos, esses que sim bons inovadores, criativos, desenvolvedores de tecnologia, ciência e conhecimento, são a base fundamental do mundo que desfrutamos hoje. Não é uma questão de raça superior, mas de decisão aliada a um povo disposto a construir sua realidade a partir de ideias e um sonho. Assim se fizeram os grandes impérios Otomano, Macedônio, Mongol, Aquemênida, Egípcio, Romano, Britânico, Francês, Português e Americano, com as quais as atuais gerações pouco se importam, esquecendo a característica primordial da história: ela é um espelho.

A bandeira principal da geração hippie ou LSD, era a liberdade, não como bandeira, mas como condição social de futuro, algo totalmente marginalizado por estas gerações, que contribuem e muito para a construção das próprias celas virtuais e físicas. O único e visível símbolo de liberdade é a sexual, algo que já foi estabelecido há muito tempo, por isso o componente histórico é tão importante, para não passar a vergonha que hoje passam, porque muitos de nós já vimos esse filme. Inclua-se aí a elasticidade criativa visivelmente limitada nesse mundo nerd e sem graça, onde a arte é de uma qualidade tão primária que o fim do século passado e início deste será uma época lembrada pela afasia cultural e criativa da humanidade, tenho certeza.

Imaginar que prover soluções a alguns dos velhos problemas é o mesmo que supor que conduzir os destinos da raça humana julgando que o mundo é um enorme smartphone. Falta às gerações atuais algo que as gerações anteriores enfrentaram, desafios sem o desfrute da comodidade. Talvez por isso as gerações que mais produziram conhecimento e outro tanto de sabedoria na história, foram o que as atuais deveriam ser. Saliento que eu disse conhecimento, não gambiarras eletrônicas capitalistas ou códigos malhados de equações programadas há quase um século. Creio que faltou a essas gerações o componente que fez a humanidade chegar até aqui, a disposição coletiva de sobreviver, ao contrário da pretensa inclusão que tentam mostrar as atuais, mas que o contexto coletivo dista do real e do significado humano.

É possível enxergar a individualidade egoísta nos olhos de cada representante das gerações Y e ZA esperança é que a geração Alpha possua características diferentes.

A geração Y começou a descobrir a realidade quando viu que o discurso político de prosperidade e igualdade acabara de tornar-se o maior engodo político do século, onde as estruturas macroeconômicas destruídas e o emprego tornaram-se um pesadelo, bem como possibilidade de empreender, igualmente sufocada. Era hora de mudar valores e ver que na história lá atrás poderiam estar contidas algumas soluções pertinentes para a necessária sobrevivência individual. A geração Z continua na vibe do sonho individual idealizando que apenas o daqui pra frente conta, o resto nem a história merece saber. Fatalmente será mais uma geração frustrada e fadada ao fracasso, após descobrir que um computador idealizado nos anos 80 pode produzir app’s melhores e mais baratos. Falta a criatividade suficiente e conhecimento básico necessário para ir em frente e sobreviver.

Mas por possuir uma visão otimista, acredito que a geração Alpha será uma geração mais consciente do seu papel para o mundo. Crescerá desconectada dos vícios abstratos da tecnologia, fazendo dela tão somente uma ferramenta humana e irá dominar a insanidade apaixonada e descabida de tentar fazer da máquina um substituto natural da humanidade. Essa imunidade ao fácil, de acordo com o que nos fez sobreviver até aqui, será fundamental para o equilíbrio entre o real e o fictício, o sonho impossível e o necessário para que todos possamos usufruir de um mundo melhor. Creio sim que a próxima geração será uma das melhores que por aqui passaram, e serão responsáveis por implantar um período de prosperidade humana e científica que nos aproximará o mais perto possível do Criador. Daí pra diante é outra história.

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O Mal contra o Bem

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Não é preciso mais que poucos neurônios para ver a avalanche de ataques de que tem sido vítima o Presidente da República, Jair Bolsonaro, sob o olhar incrédulo da população, diante da maior crise de nossa história. Nem mesmo nosso pior ditador, o gay enrustido Getúlio Vargas, sofreu ou sofre tanta oposição política e histórica, mesmo tendo fechado todas as casas legislativas do país, perseguido inimigos e mandado acabar com a raça de alguns. Parte importante desses ataques vem da imprensa e de grupos institucionais ligados a partidos de oposição, e o que faz pensar de verdade, dos partidos que deveriam dar sustentação política ao governo, no Congresso, mas ao invés disso transformaram-se na maior trincheira contra as mudanças propostas pelo governo em todas as áreas.

Para entender um pouco dessa situação que começa a convulsionar a população brasileira, temos que retornar ao início do segundo mandato de Dilma Rousseff, ex-presidente afastada pelo Congresso e substituída pelo vice, Michel Temer. Na época, formou-se um bloco parlamentar conhecido como “Centrão”, e por ter apoiado o afastamento de Dilma, ganhou o direito de desfrutar de cargos, verbas e espaço político no governo Temer. Alguns partidos com pouca ou nenhuma expressão política, como o PRB, PSC, PP, PROS, PR, PDT, SD, PTB, mas que figuram como expoentes na corrupção política do país, desmascarados recentemente pela Operação Lava-Jato.

E como se “nossos representantes” no Congresso já não ostentassem fome e sede suficientes de recursos públicos, através de cargos, desvios e emendas, uma parcela importante do judiciário aliou-se a estes por conta da possibilidade de instalação de uma CPI para investigar STF e demais altas cortes. E no Brasil da Era Moro, tudo que se começa a se investigar fatalmente atinge os que menos se imaginava. E a esse ninho de “mafagarfos públicos” juntou-se uma imprensa alijada de recursos fáceis, como foram nos governos do PT. Aliados jornalistas semianalfabetos e politicamente tendenciosos com professores e reitores das universidades federais, acostumados a uma boquinha farta e sem controle, foi montada uma tropa com invejável insanidade e apetite, não contra o presidente, mas contra os interesses maiores do Brasil.

Uma camarilha de deputados e senadores ávidos por dinheiro e poder sitiaram os interesses da Nação em prol de seus próprios, sem titubear um instante me jogar o país no caos da desordem e da inviabilidade. Gente sem escrúpulos, sem família que tenha de honrar, sem história de caráter, implicados por vezes em falcatruas delatadas, mostradas à população, desavergonhadamente cínicos e bastardos do nacionalismo. Se tivéssemos uma Justiça decente e honesta, o que não parece ser o caso, tendo em vista que alguns membros do STF comportam-se como signatários da verdade absoluta, relacionando-se com figuras criminosas, mercê do poder decisório de seus cargos e ostentando um sorriso esbugalhado, certos de que no Senado da República, também há os que defendem que diante dessa encruzilhada histórica, e sendo assim vagaremos como zumbis sociais pelo caminho de sempre: a corrupção sem freio e que nos mantém inertes.

Alguns brasileiros já defendem que seja aproveitada a ocasião de enfrentamento entre a corrupção inescrupulosa e que sejam fechados o Congresso e o Judiciário. Que sejam presos e destinados ao ostracismo sem volta os que hoje e sempre delapidaram as chances de nos tornar um país decente, e que a cadeia sepulcra os guarde em definitivo. Mas não sei se o melhor não seria aniquilar esses mesmos aqui fora, enfrentá-los no mano-a-mano, despi-los de sua arrogância escrota e de seu caráter mentiroso. Mostrar que os que neles votaram ou são coniventes ou imbecis, mas ainda são a razão do país, porque o povo manda e não o contrário. Nós decidimos quem eleger e o que deve ser feito, simples assim. Nem milico ou qualquer outro capataz da fazenda possuem o direito de nos manter assim, prisioneiros de suas vontades. Nós, o povo, possuímos razão e poder suficientes para destituir das funções públicas qualquer presidente de poder ou seus baixos vassalos. Duvidam de que somos capazes de fazer uma revolução pela força? Não cometam tal desatino, estamos fartos de suas artimanhas e mentiras e estamos prontos para enfrentar e punir seus crimes contra o Brasil.

#QuadrilhaCentrão

 

 

 

Presida, Presidente

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Acompanhar o rescaldo conflituoso de uma hecatombe política por que fomos atingidos com as eleições de Fernando Henrique, Lula e Dilma, não é tarefa fácil, muito menos para um povo tão sofrido e enganado como o nosso. Foram anos e planos em que fomos cobaias e reféns de uma elite política que em momento algum se importou de verdade com o futuro do país. Creio que ninguém em sã consciência achou que a simples eleição do Capitão Bolsonaro seria suficiente para modificar uma cultura política perversa que comanda o Brasil desde sempre. Até porque esqueceram de avisar às elites política, econômica e cultural que aqueles tempos não mais existem. Ainda vivemos subjugados pela esperança de uma alforria nacional que jamais alcançou o povo, nem mesmo com o saudado advento da República, porque daí por diante é que se instalaram no e junto ao poder, as piores camarilhas e salafrários que nosso solo gentil poderia conceber.

Não faço questão de analisar períodos em que além do descaso, nossa liberdade e opiniões foram simplesmente postas de lado, como o do pequeno ditador Getúlio Vargas, o playboy Collor, o coronel Sarney ou o período em que parte da nossa liberdade foi temporariamente interrompida pela ação de grupos comunistas em atividade no país e que queriam implantar aqui uma ditadura do proletariado. E ainda sob a saudosa (deles) inspiração histórica da construção de um Cone Sul socialista, os presidentes citados envolveram-se num emaranhado de ações de governo como corrupção e a subversão de valores que a própria sociedade promoveu historicamente por si e para si. Sob a máscara da tentativa de conquista do igualitarismo, a política conseguiu o impossível: dividiu o país e o povo por razões inativas à nossa cultura, apoiada num viés ideológico que nos fez naufragar num abismo econômico, social e, claro, político.

A maioria do eleitorado, pasma e cansada dos absurdos patrocinados por políticos encastelados nas instituições públicas de poder Executivo, Legislativo e Judiciário, resolveu apostar sua derradeira esperança num deputado federal, ex-capitão do exército, dono de um discurso nacionalista e vigoroso contra a corrupção e o crime organizado instalado nas hostes políticas do país. E mesmo tendo tido o revés de uma tentativa de assassinato, venceu as eleições e assumiu para si as esperanças de um povo farto de ser explorado e enganado por promessas vazias e tendenciosas. Cercado pela expectativa de milhões de brasileiros, montou seu governo para além dos antigos posseiros do poder, sob o olhar crítico da imprensa, acostumada a receber bônus e afagos e dar em troca opiniões positivas.

Seu arco de apoio composto de partidos conservadores e cristãos começou a ruir e a mostrar sua identidade quando sentiu que a antiga prática governamental do toma-lá-dá-cá não teria continuidade. Partidos acostumados com a corrupção do poder começaram a nomear membros para insurgirem-se contra o presidente eleito pelo povo para governar, gente da pior extirpe queria alcançar o protagonismo político a qualquer custo. Alguns dos rebentos do Presidente tomaram-lhe à frente na defesa dos interesses nacionais e foram enquadrados por essa mesma elite. No meio da verborragia política à cerca do que, como e por onde começar a governar, surgiu uma figura cujo semblante lhe conferia não a pecha de professor, mas de guru de uma modesta tentativa de governo de direita.

Um autoproclamado filósofo chamado Olavo de Carvalho, assenhorou-se de parte intelectual do governo federal instaurado pelo Presidente Bolsonaro e fê-lo sem a modéstia dos teóricos influenciadores, ao contrário, não absteve-se da arrogância titular dos mestres ideológicos. Suas façanhas incluem até o momento, embates até mesmo com o alto comando das Forças Armadas, tutor inconteste da democracia e das mazelas no país. E esses embates advieram por desencontros quase carnais com ex-militares a serviço do novo governo.do Brasil, aquinhoando-o com o título de “Trotsky de Direita”. Não duvido que o Presidente esteja num momento delicado e sufocante. Por um lado a ganância dos políticos sobre seu governo, do outro uma verdadeira multidão de seguidores do tal guru, e ainda de outro a população que exige mudanças, sem falar de alguns militares de mentes fracas e que enxergaram no socialismo uma possibilidade de fazer deste um país melhor. Ledo engano, senhores.

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Se eu tivesse proximidade com o nosso Presidente Bolsonaro, diria o seguinte: – “Presidente, chegou a hora do senhor mostrar que o poder emana do povo e em nome dele é exercido. O senhor foi eleito pela maioria do povo brasileiros para mudar tudo o que foi feito até hoje, porque não está dando certo. O senhor precisa chamar seus ministros, seus conselheiros, os militares e assumir seu papel de autoridade máxima do país. Chame seus militares e informe-lhes que o comando é seu e ponto. Informe aos seus ministros que ninguém fala sobre presente e futuro senão o senhor, segundo a sua decisão. Presidente Bolsonaro, chegou a hora do senhor assumir a responsabilidade perante os milhões de brasileiros que o elegeram e confiaram ao senhor as decisões que nos levará a sair desse lodaçal podre da política escravagista e corrupta. Presidente, presida!”

Deixa de ser besta…

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Basta o assunto vir à tona e é possível sentir o pavor e a aflição religiosa das pessoas diante da possibilidade de serem obrigadas a usar o tal chip de identificação pessoal, em uso experimental já em alguns países, pois a consideram a fatídica “a marca da besta”. Essa interpretação difundida por alguns pretensos exegetas, um tanto quanto analfabetos das Escrituras, que teimam em ler o misterioso livro do Apocalipse, da Bíblia Sagrada, vinculando a implantação do dispositivo ao controle da vida de cada um de nós pelo anticristo, e seu posterior uso com a inequívoca perda da vida eterna oferecida por Jesus em sua passagem pela Terra. Atrevo-me aqui a tecer alguns comentários, sem dúvida, em forma de opinião pessoal, a fim de questionar a certeza de ligação do tal dispositivo e uma pretensa escravidão consequente, ou pior, a danação eterna.

Vivemos um tempo em que valores humanos cultivados em outros tempos têm sido desconsiderados, e em seu lugar vicejam outros mais de acordo com os novos habitantes da nossa história humana atual. E o que isso implica na temática deste despretensioso texto? Caberá a cada um tirar suas próprias conclusões à cerca das considerações que faço aqui, mas sabendo que mesmo que o tempo defina novas práticas, essas não mudarão a essência do que é verdadeiro.

Particularmente sempre tive uma postura bem crítica quanto ao uso de significados ou práticas antigas aplicadas aos dias de hoje, afinal a evolução humana é parte integrante e fundamental de nossa sobrevivência como raça. Basta ver a história para enxergar incontáveis situações em que nos tornamos mais sábios e fortes aproveitando a oportunidade de evolução e sobrevivência profícua, sem medo de quebrar amarras que nos escravizavam a um passado pesado e sem esperança. Foi preciso romper superstições para enxergar a verdade imutável que serve a nosso entendimento, esse sim condicional à esperança e ao futuro humano.

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O processo de informação a que estamos atados não permite dúvidas quanto ao caminho. O mérito histórico será avaliado só em dois ou três séculos adiante, fora isso caminhamos para um futuro que nos aguarda, um que porventura não foi desejado por todos, um pouco mais severo que o imaginado, mas que sim, enxerga o adiante. E o adiante pressupõe um controle social mais acurado que o que temos hoje, simplesmente porque as relações entre Estados e pessoas observarão meios de controle mais absolutos. Se isso irá significar menos liberdade, é possível, mas também trará efetividades de ações que hoje não estão ao alcance de todos. Mas prefiro não me alongar quanto ao futuro, prefiro significar o passado como razão de sermos até hoje, atados a ensinamentos que possuem razão temporal e histórica e que se tornaram sem efeito a partir de um inegável e significativo instante, o nascimento de Jesus Cristo. Não há quem possa negar o significado histórico, religioso, social e humano da Bíblia, mas também não há como negar que sua interpretação tem sido invariavelmente usada para atar nossas mentes contrariando um futuro de inegáveis melhorias.

Essa é uma tese complicada, admito. Mas o fato de ouvir padres e pastores usando o Velho Testamento como receita de vida para os dias atuais causa estranheza e desconfiança. Pode-se até afirmar que não é absurdo, mas que não é o certo, não é. Os livros e ensinamentos contidos ali referem-se aos primórdios da humanidade, tempos em que sequer sabíamos o que fazer, quanto mais como fazer. Não discordo que lá se encontram ensinamentos que podem ser entendidos com válidos até hoje, mas sua prática nos aprisiona ao invés de nos libertar, ao contrário do que parece.

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E alguns dos que insistem em usar o Velho Testamento como receita de vida santificada desconhecem que Deus é a evolução por excelência, e nossa própria história humana mostra isso. Ainda há os que dentre nós acreditam que os grandes cientistas e suas maravilhosas descobertas foram guiadas pelo acaso? Da mesma forma que o futuro nos aguarda, Deus também nos quer evoluídos, melhores e livres, por isso dá-nos a sabedoria do entendimento, da inteligência e da fé. E onde está o cruzamento disso tudo? Na figura humana e divina de Jesus Cristo, o grande precursor do futuro eterno e da esperança humana. Foi Ele quem divisou o passado e o futuro, sem revogar leis, mas aprimorando-as para que evoluíssemos na fé e na vida. Transformou os dogmas aprisionantes dos dez mandamentos no novo caminho de liberdade humana das Bem-Aventuranças. Pôs fim ao ódio e à guerra, e em seu lugar mostrou o verdadeiro significado do amor e da paz. Se isso não foi uma evolução de costumes e crenças, o que foi?

Quem usou do passado como artimanha mortal para ferir o futuro e seu maior Expoente foram os velhos doutores da lei, aqueles que dizem saber interpretar cada letra de significado escrito, e que nada deverá ser mudado ou entendido de outra maneira. Porventura os atuais “senhores da lei” não continuam a nos escravizar, pastoreando práticas de antigos tempos, com discursos distantes do que o verdadeiro Mestre da Verdade nos fez evoluir? Usando de subterfúgios carcomidos por tempos há muito não mais vividos para nos escravizar o corpo e a alma? Por acaso esses não deturpam sentidos internando nossas mentes em culpas que já nos foram perdoadas?

O livro do Apocalipse é um livro da Bíblia, não de adivinhações. Primeiro que é um modelo de escrita característico daqueles tempos e que retrata uma época específica, com seus costumes, cultura e história que ficou lá atrás. Não que não haja possibilidade de voltar a haver, já que a história é um espelho, e nós continuamos a fazer as mesmas besteiras e asneiras de sempre. Mas não é correto levar ao pé da letra uma teoria religiosa que nos joga nas trevas sem a menor piedade vinda de quem nos criou e nos deu a vida. Não fomos criados para isso, nem o Criador nos fez perfeitos e livres para que deixemos nos aprisionar facilmente por espertalhões da fé.

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O controle social através da tecnologia é algo que não tem volta, foi um sistema criado por nós mesmos e isso não irá ser mudado. Se é bom ou ruim a responsabilidade é nossa e não de figuras do vilipêndio humano-religioso que sequer sabemos se congregam um poder tão grande assim. E se acaso o admitamos ser tão poderoso assim, como nos salvar a não ser pela fé que mostra-nos o futuro, com alegria e esperança? Não será um chip eletrônico de identificação que nos fará cativos de algo que não aceitamos ou não acreditamos. Sequer a tecnologia pode mudar nossa fé no Criador de todas as coisas, mas os fantasmas do medo e da mentira, estes sim, são o retrato da perdição passada, presente e futura da humanidade.

Jesus Cristo trouxe-nos a esperança para o corpo e para a alma. Como podemos ser tão descrentes da sua existência e ensinamentos? Por acaso não fazemos como os judeus libertos do cativeiro egípcio, que tão logo viram-se libertos, após viverem o momento de maior cumplicidade divina para com eles, embrenhando-se em construir um bezerro de ouro para adoração ao invés de sentir a plenitude da misericórdia de Deus? Por acaso não fazemos o mesmo ao temer que um reles objeto de identificação pessoal nos faça ajoelhar diante do maior inimigo da humanidade, que por certo é a nossa própria falta de fé em Deus? Que fé é essa permite que façamos tatuagens bizarras em nosso corpo como se isso não tivesse significado? Que pretensão deturpada da fé reduz as forças do Mal e seu conjunto de maledicências a um limitado objeto, e de forma ignorante comparar seu poder à grandeza infinita de Deus tal qual deveria se portar nossa fé?

A infinita grandeza de Deus tem sido confundida em nós pelos que mais se arriscam a falar Dele. Fazem de sua obra infinita um mero remendo de Suas verdades ilimitadas. Criam histórias e fantasias de um Deus que desconhecem em essência e virtudes, e preferem reverberar dogmas que aprisionam ao invés de bradar aqueles que nos libertam, tal qual fez o Filho dileto de Deus em sua estada aqui na Terra. Criamos nossas próprias prisões, encarceramos nossas mais puras virtudes e ensejamos cativeiros ao invés de vislumbrar a liberdade. Nossa jornada é longa demais para que ainda nos obriguemos à uma ilusão humana do inexistente, não bastassem as pedras que carregamos para a purificação no esforço e na dor.

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Deus, o Grande Arquiteto do Universo, jamais nos entregaria ao cativeiro, simplesmente porque Ele entregou Seu Filho para nos redimir do passado selvagem a que estávamos atados. Jesus veio para nos libertar desse passado necessário, mas inexoravelmente temporário. Libertou-nos e mostrou que o amor e a verdade são o caminho para a liberdade humana, mente e espírito. Ao invés disso insistimos em nos manter cativos a leis já postas em desuso e a um futuro que nos espera na glória da fé. É hora de acordar e saber que Deus é Pai sim, mas também todos os significados possíveis e imaginários à fé, ao amor e à existência humana. Sejamos crentes nisso, apenas nisso, o que já nos basta.

 

 

 

“O Sistema é Foda Parceiro” (*)

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O Brasil, sem dúvida, é um país atípico na definição sobre o que é e pra que serve a política. Não há dúvida de que o aperfeiçoamento da prática política já é difícil em países compostos de uma sociedade consciente como Nação, imagina para nós, que mal conseguimos nos manter unidos em um mesmo território? Os políticos nacionais são o que de pior possuímos em termos de substrato social. Suas folhas corridas chegam a dar inveja a criminosos famosos, e sua cara-de-pau deixaria ruborizados os melhores atores do cinema nacional, sem contar sua prática distorcida entre ação e finalidade. Dos projetos mais inadequados que vimos tramitando na Câmara e no Senado, ou são projetos populistas em conceito e narrativa, mas falhos em resultados, ou puramente assistenciais e vergonhosamente oportunistas.

Temos eleito o pior que nossa raça produz em termos de pessoas e lideranças. E isso decorre porque estamos ainda atados a qualidades que nada tem a ver com o melhor da ação política em si. Daí elegermos atores, cantores, palhaços, fazendeiros, donos de shopping, traficantes, pastores, intelectuais, e outros de melhor quilate, que desconhecem as necessidades do país e como se dá o jogo político numa câmara de representantes. Alguns chegam para tentar realmente fazer algo, mas são engolidos pelo Sistema, outros são imediatamente engolidos e gostam do que recebem em troca. Entram falidos e saem sorrindo. E o tecido político adora essas figuras, porque eles nada sabem, e são manipulados para o melhor do Sistema, para que esse funcione sem muitos escândalos e fazendo de conta que tudo está como deveria estar.

Mas não é bem assim. A política, em toda a sua abrangência, lida com a mais rasa camada social e que se adapta perfeitamente com o pior substrato social em atividade na vida pública. Não, essa visão não é pessimista, mas realista. Basta ver que temos um ex-presidente condenado por vários crimes de corrupção, outro já preso, e outros em vias de, fora os que se safaram. E eu falo da autoridade máxima do país, não contando os diversos governadores presos, prefeitos aos montes, deputados, senadores, vereadores, enfim, todo o espectro público, nas pequenas e grandes esferas de poder, todos envolvidos em crimes de corrupção, peculato, formação de quadrilha, organização criminosa e outros artigos igualmente famosos no código penal brasileiro.

Mas afinal por que continuamos a insistir em eleger esses mesmos brasileiros sem valor ao invés de dar chance para outros que realmente se importam conosco? Alegar que não há escolha não é desculpa, muito menos dizer que o poder econômico é o responsável por tamanha deformidade representativa. Até mesmo o crime organizado elege seus representantes, e pior, são abrigados em partidos como se esses fossem companheiros da mesma luta. Boa parcela dos partidos políticos abriga em suas fileiras representantes das piores doenças sociais que possuímos, deixando de lado seu protagonismo necessário à construção de uma sociedade melhor, para tornar-se um cartório oficial da corrupção e manejo distorcido da burocracia do país.

Fica claro que num sistema democrático a maioria votante elege suas razões sobre a outra parcela, mas vimos insistido no mesmo erro há décadas, e não creio termos para breve uma prática diferente desta, porque o sistema político possui meios para se defender das armadilhas que a liberdade do voto proporciona. Basta ver que, salvo uns predestinados, a maioria se elege independentemente da plataforma vencedora, ou seja, não importa quem será o chefe do Executivo, no Congresso serão quase sempre os mesmos a apoiá-lo. Como é possível isso, se as práticas visionárias de gestão são tão diversas e as ideologias tão díspares? Resposta direta: interesses, cargos, dinheiro.

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E é fácil confirmar essa tese. É só ver o novo presidente, que se nega a dar cargos e dinheiro para o Congresso, e ver as manchetes estampadas em todos os jornais a retaliação que sofre por isso. E não dá para dizer que isso faz parte do jogo político porque essa não é a prática comum a que deveríamos nos ater. Mas a elite política possui suas próprias regras e armas e o sistema escolhido é o de coalização, o que sugere divisão e partição do poder. Mas afinal quando iremos sentir os efeitos benéficos da política em nossas vidas? Ao que tudo indica, não tão breve, porque vem aí uma geração alienada da política de verdade, que tem apenas reverenciado sonhos utópicos e lamentos de razão, mas muito distante do que precisamos ter como representação politica de verdade.

(*) Capitão Nascimento, personagem do filme Tropa de Elite.    

Moradia Digital

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Outro dia lendo alguns artigos sobre mobilidade urbana e o futuro das metrópoles, refleti sobre quais modelos estamos projetando para um futuro melhor do que o que vivemos. E essa não é uma equação fácil de se resolver, devido às várias carências que já se apresentam de maneira irremediável e urgente, não só em termos de acomodação espacial, mas de sobrevivência mesmo.

Não é à toa que cientistas e governos estocaram todas as matrizes de sementes conhecidas, e variadas teorias da conspiração disputam espaço na internet com as mais relevantes informações de nosso dia-a-dia. Na verdade a maioria de nós não tem ideia do que nos reserva o futuro, e com isso o próprio ato de viver hoje torna-se uma incógnita, mesmo que essa inversão pareça meio sem sentido, porque na verdade é o futuro que determina o presente e não o contrário.

Na verdade a imaginação de uns poucos visionários (quem são eles?) é que fez materializar algumas das comodidades e dores de cabeça de que dispomos, e isso só foi possível porque alguém condicionou o presente segundo sua visão de futuro. Já tive a oportunidade de conversar com alguns desses “cérebros privilegiados”, e o mais curioso deles é a falta de visão do individual e não do todo. E da mesma forma que sua ideia de futuro vai determinando o presente de dezenas de milhares de pessoas, sua visão do coletivo é que vai determinar como irá viver, se comportar e pensar cada um de nós.

Esses caras pertencem à uma casta de revolucionários sociais que usam o futuro para nos converter em escravos no presente, dependentes de sua visão maniqueísta e de seu padrão idealizado de comportamento e sobrevivência. É possível ver que parte desse controle social já é realidade presente através de softwares de reconhecimento facial, chips com dados pessoais e que no futuro irão definir o que você poderá ter e usar. Esses diáconos do new comunismo, muito mais apurado em seu poder de controle da sociedade, estão a serviço de um novo rearranjo mundial, tramado nos subterrâneos do século passado, quando todos ainda temíamos as consequências da farsa da guerra fria.

Não é claro afirmar que essa nova configuração social do mundo tenha a ver com a velha Nova Ordem Mundial, mas ambas possuem propósitos paralelos, porque a primeira possui contornos claros quanto à sobrevivência humana, e a segunda pretendia apenas unir poder e domínio em um só grupo, independente de governos. E nosso caminho nessa direção está claro hoje, quando alguns blocos geopolíticos tomam vulto no mundo, consolidando seu poderio militar, comercial e político. E ao que parece há uma corrida nesse sentido, embora a realidade enseja estarmos no mais tranquilo dos mundos. Mas fica claro os esforços dos líderes desses blocos em obter o controle total de suas populações.

Logo após o 11 NOMde setembro soubemos que os EUA possuíam um sofisticado sistema de espionagem mundial, que controlava inclusive diversos presidentes de nações amigas. A China com sua revolucionária cópia do sistema americano de reconhecimento facial e a implantação do controle total de sua população através dos microchips sociais. Completam a lista o oriente médio, reino das ditaduras islâmicas que dominam pela crença ignorante seus analfabetos. E por fim a Rússia, com seu poderio militar, sua forte vertente a protelar e manter regimes de controle social, e que há pouco testou um sistema próprio de internet, desconectado da rede mundial, ou seja, mostrando o que só o governo quer que você veja.

Nosso histórico não é de democracia, e isso é característica do nosso mundo. Temos mais ensejo à escravidão que pretensões libertárias. Isso é um fato. E a fome de poder do homem mostra-se das mais variadas formas. Uma delas, hoje, é ditar o que o indivíduo terá a seu dispor no futuro. E um dos artigos que li sobre este assunto, foi sobre uma “inovadora Moradia Digital”, que lida com uma das mais primárias necessidades humanas, a moradia. E não é que o tal “visionário” dizia que nós não teríamos mais moradias à nossa disposição como hoje, ou seja, como propriedade, mas, seguindo uma tendência de possuirmos apenas a roupa do corpo, apenas assinaturas pagas regiamente todos os meses, como um “netflix, uber ou iffod”, segundo suas próprias palavras. Me reviro na cadeira e penso que tudo isso estará à nossa disposição, mas na verdade não será nosso, mas será de alguém, certo? E de quem será?

E segundo o autor dessa brilhante conclusão futurista, Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, claro, uma construtora, sita os Millenialls e a geração Z, para dar base às suas adivinhações. Essas gerações, alienadas quanto ao futuro, pois não conseguem se ver num mundo construído por nossos ancestrais, e para eles fora de contexto, o deles claro, dando a impressão de que o patrimônio de seus pais ou avós nada vale, porque seu patrimônio será outro e que tudo estará à sua disposição. Completo, se pagarmos. Ou seja, aquela velha saga dos escravos que eram obrigados a trabalhar para viver e igualmente obrigados a comprar sua comida na venda do senhor feudal, levando-nos a um estado de dependência inimaginável, é o que nos aguarda no futuro, é isso o que pensam os visionários? É ao que querem nos submeter? O futuro é a melhor qualidade que poderemos compartilhar, afinal muitos de nós estarão lá. E essa visão tosca e limitada de futuro, baseada em gerações alienadas do presente, não agrada hoje, quanto mais amanhã. E também por isso que não podemos delega-la para uns poucos, ou loucos, porque isso é um tanto irresponsável de nossa parte.

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E ainda é possível ler a seguinte pérola “o formato recupera o clima de vizinhança e é excelente para espantar a solidão tão característica das grandes metrópoles”. O cara só pode estar de sacanagem. Isso é uma piada de péssimo gosto. É possível ver por trás de tudo isso a sanha pelo controle social de milhões por governos e empresas privadas, ao bom estilo Blade Runner. É este o futuro que está à nossa espera? Os mais novos grilhões a serem usados são os digitais, porque deles não há como escapar.

 

Desabafa São Paulo

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Não é preciso conhecimento técnico para ver os problemas que a cidade de São Paulo enfrenta, de forma crônica e, ao que parece, insolúvel diante dos prefeitos que temos tido. Na Sexta República tivemos Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab, Fernando Haddad, João Dória e Bruno Covas. As mazelas que nós, paulistanos enfrentamos com esses alcaides de segunda linha se refletem na cronicidade dos problemas que a cidade não consegue se livrar, seja por vícios de gestão ou falta de capacidade política de enfrentá-los.

De maneira rápida discorro o que cada um fez de melhor. Jânio preocupou-se em cuidar do centro da cidade, sua limpeza e postura, e os bilhetes desaforados aos seus subordinados, no diário oficial da cidade. Erundina iniciou na prática o que o PT fez no governo Lula e Dilma anos depois. Uma gestão que usou 400 milhões para “enterrar” um túnel no Anhangabaú que Jânio havia escavado para dar mais fluidez no trânsito da ligação norte-sul. Viveu escândalos vários até terminar seu mandato melancolicamente perdendo para Paulo Maluf. E Maluf fez o que sabia de melhor, desviou bilhões de dólares na construção de túneis, avenidas e letras do tesouro municipal, que mais tarde lhe custou uma condenação e perda de mandato de deputado federal.

Celso Pitta, dito meio-irmão de seu antecessor, recebeu o pior da gestão anterior em dívidas, estrutura de corrupção e falência institucional. Marta Suplicy trouxe Favre, seu amante a tiracolo e uma sede de comissões que até Deus duvidava. Terminou igualmente como todas as gestões do PT, envolvendo-se com o crime organizado através dos perueiros, e que culminou numa campanha à reeleição monumental. Nunca, em tempo algum viu-se tantos recursos despejados numa campanha, até porque era preciso manter o espaço político da capital. Serra veio, fez o que todo candidato sem compromisso faz, ficou um ano e se mandou para virar governador. É dele uma das piores obras da cidade: a ampliação das marginais. Kassab, hoje afastado por corrupção ficou dois mandatos à frente da prefeitura e destacou-se apenas pelo projeto Cidade Limpa, de resto, seu envolvimento na máfia dos alvarás.

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Fernando Haddad, ex-ministro petista da educação de Lula ficava trancafiado em seu gabinete, talvez queimando alguns baseados, não conversava com vereadores e não fez nada, foi o pior prefeito que a cidade já teve, pior até que Celso Pitta. Inventou, no fim de seu mandato, umas tais ciclovias, um arremedo de projeto de mobilidade urbana que deveria ser um modal de transporte urbano, mas que viu-se obviamente envolto em corrupção, sobrepreços e desconforto. Depois desse imbróglio veio João Dória, engomado, virulento e disposto a nos oferecer uma gestão empresarial. Sua arrogância rendeu a tal “farinata”, feita com alimentos em fase de vencimento e que seria entregue aos pobres como alimento. Arrumou doações em troca de contratos, negociou bastante com todos os vereadores da Câmara Municipal e nos largou literalmente nas mãos de Bruno Covas.

Capítulo à parte no panteão dos prefeitos da cidade de São Paulo, o atual prefeito biônico da cidade, Bruno Covas contém alguns vícios de seu padrinho, como o rancor e a falta de capacidade de gestão de uma megalópole com problemas complexos que beiram o caos urbano. Com uma frota de 6 milhões de veículos, 14 mil ônibus, um milhão de motos, e 800 mil caminhões, a cidade convive com faróis defeituosos, pontes sem manutenção, vias esburacadas, viadutos caindo, alagamentos, falta de sinalização e multas, muitas multas. A sujeira contumaz, sem dúvida causada por nós moradores, se reflete em custos absurdos para o serviço de varrição e coleta de lixo na cidade, algo para bem mais de um bilhão por ano. O centro da cidade parece um lixão a céu aberto, fétido, repleto de viciados e vadios, que incomodam com sua presença e impertinência os que preferem uma vida honesta de quem paga impostos absurdos para ter uma casa e não ter serviços de qualidade quando se precisa da prefeitura.

A desculpa é sempre a mesma, “falta de recursos”. Será que um dia teremos um prefeito paulistano, com compromisso e preocupação com a cidade? É hora dos eleitores começarem a perguntar para seus candidatos se eles são paulistanos e se conhecem e amam a cidade, porque tem partido que importa candidato a vereador de outros estados só porque eleitoralmente lhes interessa. E a cidade, como fica? Fica como está, com gente largada pelas ruas, pichações criminosas, ônibus em péssimo estado, ruas repletas de lixo, sem um planejamento urbano adequado, calçadas quebradas, e um corpo funcional totalmente desarranjado e sem estímulo.

Está na hora de nós paulistanos, começarmos a escolher melhor nossos representantes. Saber quem sãos os candidatos a prefeito e vice, já que a cidade é um trampolim político de espertalhões e cretinos. Saber qual o trabalho que o candidato a vereador realiza em sua região de atuação, quais suas ligações com a cidade, o que seu partido pensa sobre gestão e política. Não podemos simplesmente dar a esses senhores a honra de nos representar e ganhar muito bem por isso e ter como resposta tudo isso que estamos vendo. Chega de vigarice. Somos doze milhões de pessoas à espera de alguém que seja um prefeito de verdade, um vereador presente e preocupado.

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São Paulo é maior que seus representantes.