Candidato sem Partido

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A nova onda política é permitir candidatos sem partido. Uma boa nova para os que desejam ficar fora de estruturas viciadas e sem credibilidade, certo? Errado. Os já conhecidos candidatos independentes são o substrato de uma política que não deu certo e que asfixia as novas lideranças, porque as velhas desejam ver a corrupção reinar por muito tempo ainda. Os velhos partidos, a aí leia-se todos os que possuem uma estrutura centralizada de poder, apesar de parecerem democráticos, e seus “donos” são sempre os mesmos, há anos. Mesmo os partidos mais novos conduzem-se por essa mesma cartilha: corrupção, mentira e poder. Além disso, envolvem estruturas paralelas de interesse que lhes dão ainda mais peso para progredir aos seus objetivos. Mas a conversa é sobre candidatos sem partido, os que pouco se importam sobre estruturas de apoio ou ideologias. Os tais candidatos sem partido são mais conhecidos do que se pensa. O típico candidato sem partido é aquele que parece ter caído de paraquedas numa eleição. Não combina com nada, nem mesmo com o partido que lhe deu a legenda. Tive o desprazer de compor a equipe de campanha de um candidato sem partido, e posso dizer que é uma situação muito ruim para quem ainda acredita que a política pode nos salvar. E eu acredito.

O candidato sem partido não conhece os rumos da estratégia que regem sua campanha, ao contrário ele acha que a estratégia é tão somente ele. Por isso atrai para si e para a estrutura de campanha, a mais variada gama de pilantras, puxa-sacos e traidores, todos da pior espécie. E esses quase sempre se dão bem ao final, porque possuem essas já expressas qualidades humanas latentes, porque fazem jogo com a imprensa, e porque mentem e ferem pessoas. E não nos enganemos, se o candidato sem partido ganhar, serão esses os que tomarão as decisões que irão nos afetar a todos. Infelizmente conheci um número significativo de picaretas desse naipe, que estiveram e ainda estão no poder, graças ao mau-caratismo dos incautos. Bem, mas isso é outra história.

O candidato que se coloca acima dos partidos é na verdade um aventureiro, sem ideologia ou compromisso. Não aceita questionamentos da equipe que o partido colocou à sua disposição na campanha, prefere ouvir gracejos ou nobres adjetivos falsos sobre sua pessoa. Gostam do confronto porque sentem-se superiores, mas se calam quando num debate alguém rebate suas teses rasas com fatos reais e irrefutáveis. E esse é o ponto: candidatos sem partido vivem sua própria realidade, seu próprio mundo, seu próprio destino, embora carreguem muitos consigo para a vala da derrota vexatória.

O mais recente candidato sem partido é o prefeito Dória. Empresário de sucesso, sem dúvida, sempre esteve ao redor da política, mas usou o bordão do “não sou político” para se destacar, numa clara circunstância estratégica. Veio para a eleição ostentando uma legenda que nunca foi sua, mas que lhe servia ao propósito. Montou sua equipe pessoal e obteve um resultado, volto a afirmar, circunstancial. Venceu bem, e sozinho. Rodeado de pessoas que gostam de lhe adular. E também por isso, acabou de perder-se. O vírus do candidato sem partido é letal, fornece um orgulho quase insuportável ao mesmo, e quase sempre o derrota.

Fascinado pelo poder absoluto, o prefeito Dória pôs-se a serviço da ambição, quer ser presidente. Afinal quem ganha no primeiro turno na cidade de São Paulo pode tudo, ou quase. E apesar de ostentar uma vigorosa agenda nacional e internacional, o alcaide paulistano começou a sentir os malogros da política dos partidos ao anunciar uma nova forma de alimentação, derivada de novas tecnologias de alimentos, e que poderia ser mesmo, caso fosse apresentado como um aditivo nutricional para os menos abastados. Mas não foi assim que a sua humildade o fez apresentar. E a oposição, ávida por uma chance de atacar, colou o rótulo nos grandes vidros da substância nutricional de Dória como “ração para pobres”. Não podia ter sido pior para o candidato sem partido. Além de expor sua inexperiência política, mostrou que seus assessores são os tais puxa-sacos e aproveitadores de sempre. Não teve ninguém que lhe dissesse que aquilo jamais deveria ser confundido com comida. Mesmo os mais famélicos sabem que comida tem uma outra cara. Um bife se frita, salada se come crua, frutas se descascam, mas e aquilo, como se come aquilo? Com leite, água ou cachaça? Não teve nenhum futuro ministro dos seus que ousou lhe dizer que aqueles potes continham na verdade a mais potente munição para seu arqui-inimigo, Lula da Silva? Ninguém se atreveu a lhe dizer a verdade? Ou esses, como os que conheci, trabalham para os dois lados, entregam informações estratégicas ou as fazem ser publicadas nos jornais? Ah, os assessores políticos, esses incompreendidos.

Navegando em seu recém-conquistado barquinho, o prefeito Dória, viu a sua nova candidatura sem partido naufragar. Resta-lhe agora outra candidatura avulsa, só que para o governo do Estado. Será suficiente? E lhe fazendo companhia teremos outros candidatos sem partido. Candidatos a Senador, deputado, e até para presidente. Todos aqueles que querem liberdade para desaparecer quando lhes convém, negociar quando lhes interessa, e pior, mostrar seu velho sorriso gasto e aqueles cabelos pintados com a cor da desfaçatez. Está bom pra você? Acelera.

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