Vel in morte amici…

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A temática desta semana sempre me foi cara. E apesar das dúvidas quanto ao futuro, decidi que este seria talvez o tema derradeiro do ano, mesmo parecendo mais abstrato que o convencional, qual seja, a política e seus frutos apodrecidos. Por certo irei perder alguns leitores assíduos, mas tenho certeza de que vários esboçarão o melhor dos sorrisos, afinal ninguém dos que normalmente menciono neste blog, são ou serão meus amigos, com fé em Deus!

E por ser caro para mim, a escolha do tema não foi à toa. Explico de forma didática: nem todo o sentimento contém a amizade como parceira, mas os melhores, esses sim, indistintamente, tem na amizade a sua mais valiosa companhia. E para distinguir a capacidade de conhecer e viver seus divinos efeitos é preciso ser especial e possuir tais especialidades. Sim, o termo divindade não é gratuito, já que sua misteriosa essência despojada é sem sobra de dúvida, divina.

Amigos verdadeiros reconhecem o que eu falo, porque se irmanam nela da forma mais gratuita possível. Mas aceitar a salutar dependência duma amizade requer ingredientes substanciais à vida. Um deles, a total ausência de vaidade pelo outro. Amigos não usam a vaidade como meio de conduta ou sequer a mentira, a mais vilã das tiranas, que assombra a harmonia dos que se amigam por laços cerimoniosos de um amor que não possui qualquer resquício de dúvida, cobrança, retribuição ou medo.

Amigos destemem-se na vida sob qualquer circunstância, enfrentam adversidades e dividem frutos, sejam doces ou amargos, ou mesmo apodrecidos. Amigos não agiotam desvelos, sabem-se confiantes, mesmo nos distúrbios naturais do dia-a-dia. Amigos não precisam um do outro, e mesmo no bastar de si preferem fazer-se fraquejos pela companhia indispensável e necessária do outro.

Amigos nem sempre sorriem, sofrem juntos, choram juntos, um pelo outro, brigam, apanham, xingam e mostram que ali tem mais que alguém, ali tem um amigo. E toda a desaprovação franca mostra que o sentido real é não ficar para trás, antes “companheirar”, nem que seja pelo arrasto ou no lombo, pois carga amiga não é pesada, contrabalança os descuidos pessoais em cada uma de nossas imperfeições. Amigos são o tipo esquisito que, mesmo tendo enfrentado a distância por décadas, se encontram parecendo que o tempo os guardou apenas para aquele momento. Amigo congela na memória sorrisos e abraços e esquece breves falhas que porventura a outros importaria por isso o amigo não se apega a sensitividades que prejudiquem a ventura de ser amigo.

Amigo ajuda mesmo quando não é possível. Amigo faz questão. Amigo só é só quando não tem o amigo. Amigo é capaz de oferecer a sua vida pelo amigo, porque amigo não é pra vida, mas para a eternidade. Tristes os que não sabem o que é ter um amigo verdadeiro. Pior ainda os que desconhecem a virtude de tê-los e de mantê-los. Infelizes os que não compreendem que a lealdade é a raiz que dá vigor à amizade.

Sim, eu tenho amigos com essa grandeza. Mas também descobri inúmeras farsas e traições. Mas antes de viver sob lamentos, entendi que eles apenas não possuíam a essência do desvelo, a essência divina do ser humano. Igualmente não me abstive de permitir reconhecer possíveis candidatos à falange dos amigos de verdade. Num mundo tão conturbado como o nosso, encontrar amigos é possuir um tesouro de inigualável valor, não podemos nos dar ao luxo de esnobar sorrisos e abraços verdadeiros. Basta ver o grau de interesse que nos une para saber o tamanho de indiferença que nos separa.

Lembrar de momentos marcantes de amigos, quando abdicávamos de coisas ou situações em favor do outro, por um simples bem-querer. Uma posição num jogo de futebol de rua, e escolha do filme no cinema da semana, ter a premissa de paquerar a menina mais bonita da turma, tudo era motivo para mostrar que amigos são seres que possuem valores maiores que posses.

E quando vejo hoje que possuo amigos, e muitos ficaram em seus caminhos, enredados nas próprias teias do limite humano, posso dizer que amealhei tesouros e que os levarei para algum lugar, seja onde for. Amigos surpreendidos pela veracidade do que imaginavam não mais existir. Amigos que acreditam no futuro e fazem questão de ser parte dele, com armas e bandeiras. Amigos que professam interesses, mas que não abrem mão da companhia verdadeira dos que lhe são conjunto em lealdade. Amigos assim são uma confraria da verdade, irmãos que por alguma razão não precisaram da consanguinidade para estabelecer sua espada a serviço de uma causa comum, a verdade.

Vejo em cada aperto de mão a parceria para uma vida a ser descoberta. Símbolos enigmáticos que circundam idéias e virtudes. Por isso a amizade é mais que ser aceito, mas antes compreender o quão somos vulneráveis sem que outros acompanhem nossa jornada rumo aos mistérios do infinito. Deixo aqui meu abraço fraterno aos amigos todos que veneram a virtude de alcançar a verdade plena, e que o Criador continue a nos dar a oportunidade de, ombro a ombro, alcançar a vitória contra o inimigo da virtude.

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