Rabanadas & Champanhe…

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Após queimar o feijão do tutu, voltei a pensar que fim de ano é sempre um terror. Primeiro pelo desgaste emocional que cresce até explodir em alguma discussão com os mais próximos, ou pior, um distante. E segundo, porque nos poucos instantes em que não corremos atrás de sei-lá-o-quê, vejo também outros loucos correrem e penso no porquê de tanta correria insana. Todos almejávamos resolver tudo antes do dia 31, como compras, presentes, comidas, e-mails, conserto do ar condicionado, em vão. E depois do Ano Novo, idem. Sem falar da pintura nova da sala, que sempre fica para o próximo natal.

Leio um velho tweet do promotor Dellagnol, coordenador da operação Lava-Jato, lamentando que os condenados por corrupção iriam ficar presos por apenas 1/5 das penas, antes da Pin-Up Dodge entrar cantando pneu no STF contra o decreto de Temer, discípulo fiel da velha corrupção coronelista. Tava quase compensando, não é moçada? E o Maluf, que há anos é verbete de dicionário, do verbo ladroar, saiu de casa sisudo, mas lépido, e chegou na PF mancando, amparado por dois pupilos, com pinta de que não passaria do natal, mas já engatou o fim de ano na boa, sem uma única esfiha. Tristes corruptos, que depois de pegos fazem esse teatro do absurdo. Tristes de nós, que tivemos que ir na 25 de março fazer valer cada centavo que restou para as festividades do bom velho Noel.

E a saidinha de fim de ano? Mais uma vez, um primor. Os tipos mais badalados do crime, todos fora da cadeia, passeando livremente pelas ruas, entre a sociedade que os julgou e os condenou, caçoando dos que exigiram justiça e respeito pela família e valores humanos. Mataram pais, filhos, roubaram vidas, corromperam destinos, e também fazem o seu teatro da vida, só que mambembe. Afinal bom comportamento é sempre uma razão para ser livre, e quem sabe até se converter, já que os tempos são de conversão. Muitos ainda não voltaram para o seu respectivo calabouço, cometendo invariáveis crimes que justificam o aumento de suas penas, mas não para os juízes responsáveis por sua liberdade e entrosamento social.

Passar em frente à igreja nem pensar, vai que o padre começa a pedir dízimo do décimo terceiro, como os outros. E como já disse, havia sobrado pouco para a gastança do fim de ano. Nem para andar de táxi ou uber, que estão pela hora da morte. Estacionamento no centrão então, proibidérrimo. Mas resta o espírito que nos perturba, digo, norteia, todo fim e início de ano. Aquela coisa do perdão, do irmão, das promessas, do regime, dos gastos menores. Claro, não sobra nada.

Mas o bom de todo fim de ano são as comidas natalinas. Peru, rabanadas, bolinhos de bacalhau, e aquelas aves que ninguém nunca viu mais gordas, mas que obrigatoriamente fazem parte da nossa ceia. Sem falar nas castanhas, nozes, uvas passas, panetone, porquinho-pururuca e o vinho rosé. Esse então não pode faltar, é mais tradicional que o próprio peru. Sem vinho rosé não se brinda natal nem ano novo. Consegui nestas festas as duas últimas unidades do Carrefour do Eldorado, por isso as guardei debaixo do colchão até o dia 24. Nada podia acontecer a elas. Mas vai que a faxineira cismasse de correr também.

Mas por fim acabei de fazer as famosas compras de natal lá na Santa Ifigênia, onde adquiri duas lâmpadas que faltavam no lustre da sala. Mas o que me deixou pensativo foi saber se o Temer, aquele moço que ocupa desconfortavelmente o Palácio do Planalto, que correu tanto para aprovar a reforma da previdência, teve tempo de fazer suas comprinhas de fim de ano. Tinha muita gente esperando uma lembrancinha do presidente. Principalmente os deputados e senadores. Gilmar não. Temer já tinha nomeado a mulher dele para um cargo com um recheado salário. Esse ficou com o natal passado garantido, inclusive com o peru.

E para finalizar este pequeno relembrar, eu quero deixar aqui o meu abraço natalino (afinal, sempre é Natal para os homens de boa índole…) e um quixotesco Ano Novo, para o pai dos pobres. É, aquele moço que queria tão somente ter um “tiprex” na praia e um sítio lá no mato, e ninguém quer deixar. Tenho certeza de que teve um natal gordo, com alguns charutos cubanos e vigorosos vinhos pétrus, afinal ele merece, eu acho. Gostaria de tê-lo visto de chapéu vermelho, sua cor predileta, e com um saco repleto de presentes, mas creio que não vamos ver isso.

De resto, que a correria do fim de ano não nos impeça de chegar a algum lugar, mesmo que seja apenas no ano novo, em 2019. Estamos de férias. Desligue o celular, bote um bermudão e umas Havaianas, dos irmãos Batista, e diminua o ritmo, afinal o coração não é órgão que tenha que aguentar das suas a vida inteira. Bora relaxar, fazer de conta que não é conosco. O aniversário não foi nosso, muito menos o ano do Gregório. O que não significa que não devamos comemorar. Sejamos como um piloto de fórmula um em fim de carreira. Vamos pensar que mais pra frente seremos apenas comentaristas do que a vida nos deu, e das loucuras que fizemos, a 100 por hora, na estrada de Santos.

Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo de 2019, diferente de tudo que iremos ter neste. porque o bicho vai pegar…dia 24 de janeiro é hora da farra, digo, farra…

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Candidato sem Partido

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A nova onda política é permitir candidatos sem partido. Uma boa nova para os que desejam ficar fora de estruturas viciadas e sem credibilidade, certo? Errado. Os já conhecidos candidatos independentes são o substrato de uma política que não deu certo e que asfixia as novas lideranças, porque as velhas desejam ver a corrupção reinar por muito tempo ainda. Os velhos partidos, a aí leia-se todos os que possuem uma estrutura centralizada de poder, apesar de parecerem democráticos, e seus “donos” são sempre os mesmos, há anos. Mesmo os partidos mais novos conduzem-se por essa mesma cartilha: corrupção, mentira e poder. Além disso, envolvem estruturas paralelas de interesse que lhes dão ainda mais peso para progredir aos seus objetivos. Mas a conversa é sobre candidatos sem partido, os que pouco se importam sobre estruturas de apoio ou ideologias. Os tais candidatos sem partido são mais conhecidos do que se pensa. O típico candidato sem partido é aquele que parece ter caído de paraquedas numa eleição. Não combina com nada, nem mesmo com o partido que lhe deu a legenda. Tive o desprazer de compor a equipe de campanha de um candidato sem partido, e posso dizer que é uma situação muito ruim para quem ainda acredita que a política pode nos salvar. E eu acredito.

O candidato sem partido não conhece os rumos da estratégia que regem sua campanha, ao contrário ele acha que a estratégia é tão somente ele. Por isso atrai para si e para a estrutura de campanha, a mais variada gama de pilantras, puxa-sacos e traidores, todos da pior espécie. E esses quase sempre se dão bem ao final, porque possuem essas já expressas qualidades humanas latentes, porque fazem jogo com a imprensa, e porque mentem e ferem pessoas. E não nos enganemos, se o candidato sem partido ganhar, serão esses os que tomarão as decisões que irão nos afetar a todos. Infelizmente conheci um número significativo de picaretas desse naipe, que estiveram e ainda estão no poder, graças ao mau-caratismo dos incautos. Bem, mas isso é outra história.

O candidato que se coloca acima dos partidos é na verdade um aventureiro, sem ideologia ou compromisso. Não aceita questionamentos da equipe que o partido colocou à sua disposição na campanha, prefere ouvir gracejos ou nobres adjetivos falsos sobre sua pessoa. Gostam do confronto porque sentem-se superiores, mas se calam quando num debate alguém rebate suas teses rasas com fatos reais e irrefutáveis. E esse é o ponto: candidatos sem partido vivem sua própria realidade, seu próprio mundo, seu próprio destino, embora carreguem muitos consigo para a vala da derrota vexatória.

O mais recente candidato sem partido é o prefeito Dória. Empresário de sucesso, sem dúvida, sempre esteve ao redor da política, mas usou o bordão do “não sou político” para se destacar, numa clara circunstância estratégica. Veio para a eleição ostentando uma legenda que nunca foi sua, mas que lhe servia ao propósito. Montou sua equipe pessoal e obteve um resultado, volto a afirmar, circunstancial. Venceu bem, e sozinho. Rodeado de pessoas que gostam de lhe adular. E também por isso, acabou de perder-se. O vírus do candidato sem partido é letal, fornece um orgulho quase insuportável ao mesmo, e quase sempre o derrota.

Fascinado pelo poder absoluto, o prefeito Dória pôs-se a serviço da ambição, quer ser presidente. Afinal quem ganha no primeiro turno na cidade de São Paulo pode tudo, ou quase. E apesar de ostentar uma vigorosa agenda nacional e internacional, o alcaide paulistano começou a sentir os malogros da política dos partidos ao anunciar uma nova forma de alimentação, derivada de novas tecnologias de alimentos, e que poderia ser mesmo, caso fosse apresentado como um aditivo nutricional para os menos abastados. Mas não foi assim que a sua humildade o fez apresentar. E a oposição, ávida por uma chance de atacar, colou o rótulo nos grandes vidros da substância nutricional de Dória como “ração para pobres”. Não podia ter sido pior para o candidato sem partido. Além de expor sua inexperiência política, mostrou que seus assessores são os tais puxa-sacos e aproveitadores de sempre. Não teve ninguém que lhe dissesse que aquilo jamais deveria ser confundido com comida. Mesmo os mais famélicos sabem que comida tem uma outra cara. Um bife se frita, salada se come crua, frutas se descascam, mas e aquilo, como se come aquilo? Com leite, água ou cachaça? Não teve nenhum futuro ministro dos seus que ousou lhe dizer que aqueles potes continham na verdade a mais potente munição para seu arqui-inimigo, Lula da Silva? Ninguém se atreveu a lhe dizer a verdade? Ou esses, como os que conheci, trabalham para os dois lados, entregam informações estratégicas ou as fazem ser publicadas nos jornais? Ah, os assessores políticos, esses incompreendidos.

Navegando em seu recém-conquistado barquinho, o prefeito Dória, viu a sua nova candidatura sem partido naufragar. Resta-lhe agora outra candidatura avulsa, só que para o governo do Estado. Será suficiente? E lhe fazendo companhia teremos outros candidatos sem partido. Candidatos a Senador, deputado, e até para presidente. Todos aqueles que querem liberdade para desaparecer quando lhes convém, negociar quando lhes interessa, e pior, mostrar seu velho sorriso gasto e aqueles cabelos pintados com a cor da desfaçatez. Está bom pra você? Acelera.

Separatismo, esperança de viver!

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Polêmica à vista…sou um separatista por natureza. Não creio que deva ficar atado ao que não quero. Luto contra a classe dominante estrangeira. Desde antigamente, os conquistadores e “ganhadores” das guerras, definiam quem pertencia a quem. Claro que segundo interesses econômicos e geopolíticos. Assim, depois de findada a segunda guerra mundial, os comunas ganharam um monte de repúblicas e os capitalistas idem. Uns sob o manto do medo e outros do engano. Mas o que me deixou assanhado para falar deste assunto foram duas coisas: o plebiscito da Catalunha e a guerra do tráfico no Rio de Janeiro. Compatibilidade de razões? Talvez.

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Comecemos então pela Catalunha, uma terra dominada pela coroa espanhola, e que representa 20% do PIB da própria, por isso esse amor dos espanhóis pela Catalunha. Se eu fosse Catalão, também não gostaria de ser espanhol, nem mesmo não o sendo. Mas o que esses “ajuntamentos” de pessoas sem identidade comum causam? Dor, ódio, morte, terror. E vários são os exemplos. A cortina de ferro massacrou populações inteiras e suas culturas ao comunismo irracional da Rússia. Obrigou inimigos a compartilharem espaços. E não foi nenhum exercício de universalismo tântrico. Na verdade, o massacre humano começa e se perpetuar com esse “ajuntamento” sem propósito que se chama mundialização ou globalização (se disserem que os termos são diversos, não aceite, não são). Somos tribais até hoje, não adianta dizer ou impor o contrário.

Por que essa migração de muçulmanos para a Europa não vai dar certo? Porque é um “ajuntamento” promovido por governos, não por pessoas. Teremos mortos, feridos e um fim trágico, com certeza. O poder dos governos impõe seus costumes políticos a pessoas que não querem saber de política. Muitas dessas repúblicas soviéticas assumiram, após a falência da falecida URSS (e que seus inspiradores ardam nas profundezas do inferno pela eternidade), sua identidade e seu separatismo à custa de sangue e honra tribais. Não se juntam diferentes, dá merda. O resto é discurso dos que querem a mundialização, para dominar, extinguir nações e identidades.

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Mas, o que Rio de Janeiro tem a ver com separatismo? Voltemos aos idos de 1494, quando a coroa portuguesa e o reino da Espanha dividiram estas plagas como bem quiseram e aqui instituíram divisões territoriais para “facilitar” sua exploração e controle desse novo “território adquirido”. Criaram-se “impérios” sem sentido e sem identidade. A partir daí foram juntadas pessoas que nada tinham em comum, nem mesmo os nativos. Mentiram para nós na Monarquia e na República! O Brasil tornou-se literalmente uma geleia real, uma mistura de várias identidades que em raros momentos conseguiam se entender devidamente. E quem sempre tentava conduzir esse entendimento eram os…dominantes. Também por isso alguns movimentos separatistas foram surgindo e ganhando força. Alguns deles ainda segregam nativos de regiões outras que não os da sua, e alguns incidentes são encobertos por essa mesma elite dominante, com o devido interesse, claro. Sem dúvida um país se mostra forte quando a identidade é forte. E não é esse o nosso caso.

O Brasil sempre foi um império fraco, e tornou-se um país fraco, porque não possui identidade. Essa mesma identidade fragmentada pelos patrícios do poder, ajuntados séculos atrás. Se alguém acha que existe uma identidade única entre as regiões brasileiras precisa de uma reciclagem sociológica, rápido. O Sul é um forte candidato ao separatismo. O Nordeste/Norte idem, por incrível que pareça. E o Sudeste/Centro-oeste fica só assuntando.

Sem título

O Rio, famoso por sua socialista integração Morro/Asfalto, mostra que não é assim como muitos pensavam. O romantismo fictício dos anos dourados tornou-se um tormento para o povo carioca, porque há sim uma guerra declarada entre diferentes que coabitam o mesmo espaço. Isso é uma analogia? Talvez, mas exemplifica bem o que se vive hoje no Brasil. Sociedades diferentes habitando o mesmo espaço e interesses. Governos, População e Crime. Será que isso não é uma representação alegórica do nosso país? Quantas tribos que vivem aqui, não podem expor suas identidades?

Se dividíssemos o Brasil em três repúblicas seria um golpe fatal nos que nos dominam há séculos. Teríamos sem dúvida identidades mais definidas, responsabilidades mais claras, países melhores. Cada qual com sua riqueza maior. Irmãos para sempre, mas morando em casas separadas. Daríamos aos governos de hoje uma lição de etnia, nacionalismo e seriedade. O Brasil hoje se debate por sua própria inocência nacional. Seu povo padece de muitos males pela própria incompreensão de quem somos. E é muito fácil saber se tudo isso é verdadeiro. Basta tentar lembrar dos heróis nacionais de nossa história, e se algum deles foi algum dia inspirador para todos nós ou somente motivo de chacotas. Agora vamos tentar os vultos regionais…aí fica mais fácil, não é? Temos guerras, rebeliões e até santos regionais. Isso é identidade. Nossa Senhora de Aparecida é padroeira do Brasil, mas é Padre Cícero que manda no Nordeste, é o Círio de Nazaré que comanda o Norte, e por aí vai. Riqueza cultural ou identidade diversa?

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Quem sabe se um novo processo de identidade nacional começasse a ser discutido, pelo reconhecimento de que há diferentes identidades tentando em vão ser iguais. Quem sabe a união de todos nós passe pela criação de novos formatos de junção pátria. Quem sabe a verdadeira democracia não é o “asfalto” tentar dominar o “morro”. Identidades temos muitas, escolhidas por nossos ancestrais tribais. Não adquirimos ou podemos renegar nossas raízes para tentar ser quem não somos.

Por isso, viva a independência da Catalunha!  Viva a independência do país Basco!

 

Saudosismo 03

O mundo de uma criança apesar de imaginativamente infinito é geometricamente limitado por sua vivência, por isso os traumas e lembranças nos acompanham por toda a vida. Eu adorava chuva, adorava brincar na chuva. Aliás, quando se é criança brinca-se de qualquer coisa, em qualquer lugar. Mas na chuva minha diversão era fazer barquinhos de papel e colocá-los para flutuar na água que corria no meio fio. E eram muitos barcos, que partiam para nunca mais voltar, porque se perdiam na correnteza. Depois que todos os navios deixavam o cais era hora de pisar em poças d’água. Naquele instante nada mais verdadeiro do que sentir a chuva e pisar nas poças que se formavam. Lembranças que nunca secam em nós…

barcos

p.s.: Da primeira tempestade que trago na lembrança guardo a cena de uma grande escuridão, rápida, agressiva, muitos raios, trovões próximos, uma intensidade que eu nunca tinha visto. Lembro que só eu estava na rua naquele momento, até que vi, ouvi e senti o estalar muito forte de um trovão. Corri para casa e minha mãe já estava rezando para Santa Bárbara, a santa para quem devemos rezar em dias de tempestades.

Saudosismo 01

A Igreja Católica patrocinou nos anos 70 um movimento de chamamento dos jovens que se propagou até meados dos anos 80, através de Encontros de Jovens e que no final tornaram-se as Comunidades Eclesiais de Base, que foram a base para a fundação do Partido dos Trabalhadores. Com princípios religiosos, esses encontros continham uma carga política muito forte e orientação dada diretamente pelo cardeal Arns. Tive a oportunidade de fazer meu primeiro Encontro de Jovens no início dos anos 80, numa comunidade que se chamava Santíssima Trindade, em Osasco/SP. O encontro acontecia num fim-de-semana, incluindo a sexta-feira à noite. Reunindo algo em torno de 200 jovens, num antigo seminário em Pirapora do Bom Jesus/SP, anexo à paróquia da cidade. Toda a estrutura do Encontro era fortemente emocional e significativa. Haviam várias palestras abordando temas como Liberdade, Fé e Política, Amizade, Valores das Coisas, João Batista, Pai e Mãe, Filme da Vida e demais. E por conta dessa carga emocional violenta, empregada com o intuito de mexer profundamente com cada dos jovens que estavam ali, haviam muitas lágrimas, sorrisos, encontros, e aquela vontade profunda de transformar o mundo. O desejo real de mudar a realidade que cada um de nós vivia, em casa e na vida cotidiana. Qual jovem não aspira isso? Claro que me engajei e participei de vários Encontros, já como palestrante de alguns desses temas. Logo fundamos novas comunidades na Capital/SP e em Bragança Paulista/SP. Esse foi um tempo em que a juventude queria dizer algo a mais do que havia pra nós.  Motivos reais e que nos levaram a participar do nascimento do Partido dos Trabalhadores. Razões verdadeiras, honestas e carregadas da esperança cidadã de cada um de nós. Acabara de entrar na faculdade, portanto estava indecentemente careca, mas com toda a força da minha poesia, latente e viva. Foi o tempo que mais produzi poesias, crônicas, ensaios. Tínhamos temas musicais significativos que “embalavam” cada palestra, pequenas lembranças feitas de papel e fitas, almoços e jantares todos em comunidade, onde todos se viam, todos riam, todos possuíam a felicidade latente da juventude, mas que a muitos não acompanhou. Lembro-me de todos com muito carinho, Sonia, Virgílio, Luiz, Álvaro, Hércules, Mário, Célia, Jadir, Neide, Sula, Joaquim, Norival, Carlinhos, Edelucia, Sirlene, Tito, meu parceiraço e, perdoem os que eu não mencionei, todos amigos e queridos, inclusive o padre Pedro, que nunca perdia a oportunidade de me “cerrar” um Carlton, quando não pegava o maço inteiro.

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p.s.: Aproveito o tema e me penitencio. Sim, eu participei de vários comícios do PT. Aplaudi Lulla muitas vezes, chorávamos de emoção naqueles comícios, prevendo tudo o que era possível fazer neste país, por este povo tão sofrido e espoliado por coronéis de nordeste e empresários da fiesp. Mas confesso, perdi muito, muito daquilo que eu sempre acreditei, fruto do que o Partido dos Trabalhadores fez nesses treze anos de um governo comprometido com a manutenção do poder e do controle social. Negociatas, corrupção e uma ameaça real à democracia…absolutamente tudo contrário aquilo porque sempre acreditávamos estar lutando…

Toda nudez será castigada

Não é de hoje que as meninas estão tirando a roupa pelo mundo para protestar contra as mais variadas causas. Grupos organizados já são figurinhas fáceis em reuniões de chefes de estado, ministros de economia e defesa. Até mesmo futebol já rendeu protesto na Europa. Mas o que eu acho legal em tudo isso é que as pessoas estão usando seus atributos mais naturais como forma de mostrar que estão desarmadas mas dispostas a enfrentar com seu corpo os desvairos insolentes dos mandantes globais. E esses corpinhos frágeis mostram uma resistência incomum ao frio, à chuva e aos abraços despropositais das forças de segurança, imbuídas de manter a ordem e seus membros de prontidão(sic). Esse movimentos já inspiraram até uma filial do Femen em terras brasilis. Talvez não com beldades como as do norte, mas fazem sim seu papel. É bom de ver. É bom ver pessoas reivindicando sem medo de se mostrar, se mostrando. E já que estamos na era visual, o importante é se mostrar, mesmo sem ter o que mostrar…

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p.s.: apenas sugiro que as moças que não têm muito o que dizer, façam desenhos, ok?

Dá o troco aí, meu !

É só a gente andar por essa cidade de São Paulo para perceber o quanto estamos distantes de ser um país preparado para nossas responsabilidades. A condição de cidadão é algo desconhecido para certas pessoas. É só ver no seu trabalho, no seu prédio, num restaurante e até mesmo dentro de um ônibus. Senão vejamos, aquele ser que ocupa um lugar de destaque no meio do coletivo, sentado em sua nobre cadeira com uma cortininha por detrás, chamado de cobrador…enfim, aquele sujeito que possui o ofício de ver pessoas passando com seus bilhetes eletrônicos, nas catracas eletrônicas, e que fica com cara de “quadro de sala que retrata uma paisagem caipira”. Em vários anos de uso de transporte público, tanto para trabalho como passeio, nunca vi senão somente um, eu disse somente um, desses referidos expoentes da amabilidade serem solícitos com quem pede apenas uma informação. E claro, quem pede informação não sabe do que está perguntando, óbvio. Então, esse ser iluminado por essência, sequer olha para seu inquiridor e vomita de cabeça baixa ou olhando para o infinito descaso, falando bem baixinho: no szdruvis ponto, isso mesmo numa língua que requer um decodificador. Mas hoje foi um dia em que não me contive. Eram três pessoas que queriam pegar o metrô linha azul. E o meu Mercedes estava por passar, no próximo ponto, pela entrada da Estação São Bento. Essas pessoas não conseguiram ouvir o que o dito-cujo disse, erradamente, inclusive, mandando os três para a Estação da Luz. Tive um acesso de fúria e expliquei em voz alta o itinerário correto aos perguntadores, que sorrindo agradeceram. Pensem meus queridos leitores, leitoras, GLBT’s  e, especialmente minha querida leitora Ana Cristina. De que forma estaremos atendendo as pessoas que virão nos visitar na copa do mundo e nas olimpíadas? Nos países mais civilizados as pessoas costumam andar de ônibus e metrô como forma de locomoverem-se com mais eficiência. Mas e quando estiverem aqui e tiverem, por exemplo, de ir para o periférico Itaquerão? Vão perguntar para tipos como esse com que me deparei hoje? Que pena. A falta de educação que vem sendo perpetuada por décadas desenvolveu personagens bizarros assim. Gente rústica, sem elam social, parecendo bichos do mato, rosnando. E segure no ferro, senão o chão é o destino. Próxima parada…sabe lá Deus.

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p.s.: desculpem me os improváveis cobradores que porventura leiam este singelo texto, mas acho que seria bom vocês voltarem para seu habitat natural…logo.