Uma farsa chamada República

CRIANÇAS COM BANDEIRA DO BRASIL

Não há a menor dúvida de que a Monarquia Brasileira sofreu um golpe, no fatídico ano de 1889. Escravocratas, Latifundiários, Igreja e Maçonaria aliaram-se aos militares para praticar um ato que até hoje revela sequelas sociais e políticas no país. O sistema republicano jamais entregou o que prometeu ao povo: igualdade. Não é à toa que desse golpe fundou-se a República dos Estados Unidos do Brasil, uma paródia dos americanos, que sempre foram o padrão para nossos simplórios padrões. Os “corajosos” militares brasileiros e uns poucos espertalhões conseguiram ludibriar o povo que daquela quartelada em diante o Brasil seria de todos e não mais da realeza brasileira e súditos.

E até hoje continuamos a ser enganados pelos mesmos mentirosos de ontem. Fazem-nos engolir metáforas enquanto usurpam do poder, como o fazem há 128 anos. Impingem-nos um regime que nada tem a ver com a sociedade brasileira. Uma república só dá certo num país que possui uma elite séria, e creio concordamos, não é o nosso caso. E pior, um sistema presidencialista só atende à essa mesma elite, viciada em privilégios públicos, acostumada a esgaçar o tecido social com reformas que nos tiram apenas direitos e preservam fielmente os deveres similares ao trabalho escravo.

A República dos Estados Unidos do Brasil, ou República dos Rothschild, como querem alguns, apenas dividiu entre si o que lhes interessava, e jogou os restos para o povo pobre e cativo de sempre. Os militares, à frente seu marechal Deodoro, mostrava que os interesses do poder e do dinheiro sempre são considerados aos interesses nacionais. A covardia e a corrupção são uma constante nesses que sempre estiveram presentes nos trágicos destinos do país, e nos maus dias. E são soberbos em privilégios desde sempre. O absurdo e assassino extermínio chamado de guerra do Paraguai e a vergonhosa recusa do Exército de não ir para o front na Segunda Guerra Mundial (quem foi lutar foram outros brasileiros, que sequer eram soldados), mostra que a força sublima Deodoro em suas máximas, até hoje.

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O plebiscito de cartas marcadas, feito em 1993, mostrou que as elites do Brasil, as mesmas de 1889, ainda estão ativas e continuam a não querer que sejamos livres e recusam-se a nos permitir desfrutar da tal igualdade que a proclamação da república prometeu ao povo. Os escravocratas e latifundiários de hoje apoiam reformas trabalhistas para que continuemos escravos; a(s) Igreja(s), com toda sua verve celestial, apenas nos apascenta o ânimo de lutar pelo que acreditamos; a maçonaria é o braço mais articulado do poder invisível, e quer somente manter-se no topo, seja com PT, PMDB ou PCdoB ou o diabo; e os militares, esses são o retrato do que somos hoje como país: covardes, sem alma e sem brio.

Que República é essa que só fez acentuar as desigualdades sociais e humanas dos brasileiros? Que República é essa que não conseguiu até hoje libertar os cativos, escravos ou não? Que República é essa que renega a maioria dos brasileiros a filas de emprego, hospitais, creches, escolas e à desesperança? Que República é essa que permite no Brasil um nível de corrupção vexatório e sem controle, um Parlamento republicamente corrupto e um Judiciário avesso à justiça para os pobres? Que República é essa que mantem um sistema eleitoral viciado e que elege presidentes sem condições de governar, envolvidos com o pior da “res publica”?

O nosso sistema presidencialista é uma arapuca que foi armada por esses republicanos que veem no parlamentarismo um poder muito “socializado” para seus padrões políticos e econômicos. Afinal é muito mais fácil um presidente emitir uma medida provisória, e auferir um bom dinheiro disso, como sobejamente o fez o semianalfabeto à serviço dos poderosos, Lula da Silva, do que possuirmos um parlamento escolhido entre íntegros e com eles alcançar os objetivos que nos foram impingidos em 1889.

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Mentiras, é só do que vivemos. Palavras mentirosas vindas das mais diversas ideologias. Há pouco um grupo de juristas pediu a extinção de vários partidos porque esses, dizem eles, mentiram e vem tornando nossas vidas algo bem diferente do que nossos verdadeiros representantes deveriam fazer. Pois bem, creio que deveríamos acabar com a República do Brasil, que é uma falácia vergonhosa, e criarmos nós, a sociedade, o povo de verdade, um sistema que contemple a verdadeira liberdade, igualdade e dignidade para TODOS OS BRASILEIROS.

Não queremos ser um império ou uma monarquia, tão menos uma república insolente e nauseabunda. O Brasil exige liberdade para seus filhos e um futuro digno de nós brasileiros, não deles os farsantes da República das Capitanias Hereditárias Unidas do Parlamento, Executivo e Judiciário do Brasil.

 

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Propósitos

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Nos bons e velhos tempos de hoje estamos tendo contato com vários coaches profissionais. Parece que há uma febre de gente que quer mesmo influir no destino dos outros, mas não são esses. Os coaches são pessoas que possuem um certo dom para vender suas próprias habilidades e, com toda a paciência do mundo, tentar encontrar em você alguém que ele acha melhor do que você é agora. Mas ao invés dos modernos, quero falar aqui dos velhos coaches, de quem pouco recordamos.

Não era muito incomum ter alguns desses coaches aconselhando sobre a vida, profissão e até sobre nossos diletantes namoricos. Sim, aquele cara que se intitulava seu pai. Podia não ser um coach de primeira, mas não poupava tempo para te ouvir, nem mesmo palavras ou “ações” para te educar para a vida. Ok, que nem todos tiveram esse privilégio. Mas aí entravam os professores (aqueles que não pensavam só em PT e gênero), um padre ou outras figuras dispersas no coletivo, que não possuíam status de orientador.

Mas hoje fala-se muito dessa coisa de propósito – “Qual o propósito de sua vida?”. O mundo real, do dia-a-dia, começa a apoiar-se nos desígnios da natureza, do cosmos e de Deus. E aí voltamos a questionar a nossa tal “felicidade”. Todos querem que sejamos felizes, até os professores de semiótica e mecânica dos fluídos. Todo mundo busca hoje construir uma carreira bem-sucedida, ganhar muito dinheiro para viajar e ajudar a quem necessita e, também, agradar o Deus da sua igreja.

Não sou coach, mas tenho uma péssima notícia para você: não vai dar para ter tudo isso.

Os sempre mal-intencionados gostam de confundir o propósito de Deus com o dos homens. Necessidades diversas que não se coadunam, nem que alguns “messias” o tentem convencer. Não dá para ter propósitos conflitantes e querem chegar num bom lugar. O conflito é característica humana de dúvida, e a razão não persegue a humanidade que existe em nós.

Qual o propósito que une pessoas a fazerem coisas erradas? Um coach do mal, talvez? Um pastor pilantra, um padre libertino ou um professor de gênero duvidoso. Um pai pinguço, um tio pederasta ou um vizinho do babado? Qual o propósito de quem mente para lhe enganar e vender um bom naco do Paraíso? Qual o propósito do partido político que você tanto defende e dos que lá falam do que sequer sabem? Qual o propósito de estudar e tornar-se empregado de uma multinacional sem pátria? Qual o propósito de ter um carro com 500 HP e ter de andar a 50 por hora na esburacada cidade de São Paulo? Qual o seu propósito de vida?

Qual seria o propósito de quem criou o facebook? Juntar pessoas ou fazer delas um espetáculo de mídia com pouca audiência? Muitos dos nossos propósitos hoje são terrivelmente questionáveis. E não seria uma comunidade hippie que nos iria redimir, nem material, nem espiritualmente. No máximo iríamos fumar uns backs e venerar a natureza que irá comover de maneira distorcida. Que propósito temos dentro de nós?

É comum hoje em dia ver pessoas que largaram carreira, família e outros propósitos para dedicar-se a uma vida mais frugal e “feliz”, conhecendo outros propósitos que não os que outrora lhe convinham mais. Longe de mim criticar tais atitudes, a não ser pelo fato do que deixamos lá para trás. Aquelas coisinhas, tipo pessoas, que faziam parte de expectativas comuns, mas que hoje não mais valem a pena porque estamos no caminho da felicidade. E foda-se tudo ou mais.

Vemos propósitos velados e explícitos, mas poucos verdadeiramente humanos. Será que Deus um dia nos mostrou esse seu propósito? Será que ele nos quer ricos e felizes? Qual o propósito que realmente nos une e nos faz trilhar uma pinguela para a felicidade? É tanta informação e desinformação, tantas mentiras de tantos sonhos impossíveis, que não dá para entender o propósito da própria vida. Quem um dia poderá afirmar que seu propósito é o melhor de todos os propósitos para si mesmo?

Bem, saiba que este questionamento não foi de propósito.

Agora são outros 500…

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Para entender um pouco os tempos atribulados de hoje, é preciso voltar aos “anos de chumbo”, quando o regime militar instituiu um formato de repressão que desorientou fortemente as forças políticas que lutavam contra o regime. A forte ação do regime causou a desmobilização de muitos dos grupos que lutavam por liberdade e direito às ideologias que queriam ver implantadas no país. Mas o confronto urbano e no campo deixou sérias sequelas em muitos dos ideólogos desses movimentos. E muitos tornaram-se apenas um discurso, sem a ação necessária. Daí veio a surgir Lula da Silva, um escolhido pelo sistema para fazer parte da transição necessária do poder novamente aos civis. Escolhido à dedo, diga-se. Lula da Silva foi alçado à condição de líder de um sindicato patrocinado pelas poderosas multinacionais automobilísticas, que necessitavam de interlocução forte entre seus milhares de funcionários. Naquele momento não se podia correr riscos.

Alguns renomados uspianos foram destacados para compor o perfil mítico de Lula, para que não houvesse dúvidas de sua capacidade de liderança. Claro que muito teve de ser feito, afinal não bastava ser um líder sindical, era preciso agregar a ele um perfil de “líder social”, capaz de conter abusos num Brasil que deveria voltar a ser “uma democracia civil”. E todo o teatro montado sobre esse verossímil personagem deu resultado. E tanto deu resultado, que até a Igreja Católica, aproveitou-se da proximidade de alguns desses movimentos de resistência, pegou carona na pseudoliderança de Lula e acoplou algumas de suas doutrinas ao discurso dele. E que foi finalizado com a ideologia uspiana de alguns bacharéis sociais, que viram em Lula uma forma de alcançar o poder rapidamente após esse período de exceção, em que os militares não se atreveriam a contestar uma liderança “nascida do povo”.

Daí foi engendrado o que se chama hoje Partido dos Trabalhadores. Um feudo repleto de teóricos bancados pelo Grupo 14 da Fiesp. Grupo de empresas esse que deu muitos recursos para Lula nas negociações coletivas de trabalho, em que ele comandava a categoria como se estivesse regendo uma manada de indivíduos sem noção do que estava por vir, em seu nome. E não dá para dizer que Lula não foi inteligente, ao contrário, ele deu um nó em todos os teóricos da USP, da Igreja e assumiu o controle do PT e dos muitos movimentos de Esquerda que haviam se abrigado no partido.

Começou aí a desestabilização política da Esquerda. Lula e o seu PT chamaram para si a responsabilidade pelas conquistas que todos os movimentos de Esquerda tinham, como ideário. E como muitos desses não tinham liderança suficiente, simplesmente se prostraram diante da liderança maior de Lula e do PT.  Por isso o Partido dos Trabalhadores foi o maior responsável pela desestruturação dos movimentos e do pensamento da Esquerda no Brasil. E essa desestabilização afetou, por mais irônico que possa parecer, também a Direita, já combalida pela perda do poder pelos militares. Ou seja, Lula consegue em uma só tacada, desestruturar a política nacional como um todo. Alguns dos líderes de então correram para recuperar o tempo perdido e tentaram inovar um discurso que pudesse surtir efeito junto a um eleitorado ávido por votar e sentir os ares da nova democracia. O maior “partido” de oposição, o MDB, esfacelou-se em vários grupos que abrigava e mudou de nome para PMDB. Até a ARENA, que era o partido dos militares, tentou tornar-se mais palatável ao eleitorado virando PDS.

A estratégia eleitoral do PT era bem simples “somos contra”. Ao mesmo tempo em que usava “discursos prontos” de um mundo quase utópico. Cativou com isso uma parcela cativa na população. Não importava qual motivo, mas era preciso ser do contra, sempre. O PT, por exemplo, não apoiou o Plano Real, não assinou a Constituição de 88, não participava de governos como aliado, enfim, fez o jogo político para alcançar seu objetivo que era o de chagar ao poder sozinho e sem testemunhas. E para isso contava como seu maior cérebro e que Lula soube usar muito bem, como seu fiel escudeiro, José Dirceu. E coube a esse o fardo de negociar com as elites financeiras e empresariais do país, tranquilizando-as de que nada de ruim seria cometido contra elas, para que dessem enfim seu apoio ao plano do PT de chegar ao poder levando à frente seu líder maior, Luiz Inácio Lula da Silva, que já havia disputado e malogrado várias eleições à presidente. E chegou a hora de Lula encenar seu maior papel na política nacional: a de presidente de república.

E foi como presidente que Lula finalmente mostrou que seus ideólogos estavam errados quanto ao seu caráter. Lula sabia o que queria para si e para seu grupo de domínio, sem nunca esquecer das poucas migalhas dadas aos históricos movimentos de Esquerda que iam com ele aonde fosse. Lula tratou bem de banqueiros e empresários. Montou uma estrutura de financiamento partidário-eleitoral que jamais havia se visto no Brasil. E tudo com o intuito de perpetuar-se no poder e junto com ele o PT. Enquanto isso os combalidos movimentos de Esquerda viam cada vez mais remotas as suas chances de tornarem-se protagonistas de políticas públicas que tivessem o seu perfil ideológico. Sequer podiam discutir novos formatos de política nacional porque Lula e o PT eram hegemônicos e não permitiam dissidentes. E os que foram, foram apedrejados como mercadores de ideologias.

Mas a ganância política de Lula e do PT chegou a tal tamanho que, ter uma maioria congressual não valia tanto. O objetivo era mandar na política como nunca se havia feito. E quem fosse do contra seria varrido do mapa, como Lula chegou a afirmar uma vez, que iria varrer o partido PFL do Brasil. Ou seja, Lula adquiriu a insensatez do poder, o mais maléfico dos defeitos. E assim foi, e assim fez. Mergulhado em denúncias de corrupção, Lula e PT viram-se acuados em sua própria justificativa. Começou aí a desabar o sonho do poder sem limites de Lula, José Dirceu e do PT, e que culminou em sua condenação por quase dez anos de cadeia e muitos dos seus membros a muitos anos mais.

Hoje há alguma tentativa de reorganização da Esquerda, e da própria Direita no Brasil, mas a timidez desses movimentos está baseada em compromissos históricos que jamais serão cumpridos. A Esquerda, tanto quanto a Direita, precisam de uma nova visão sobre o Brasil, que vive um novo contexto histórico, tentando varrer antigos coronéis e velhas lideranças políticas, carcomidas pelo tempo. É preciso que surja uma Nova Esquerda e sim, uma Nova Direita, composta não por idealistas somente ideológicos, mas, principalmente, por pessoas que possuam um nacionalismo febril, que saibam entender os anseios, os novos anseios, da população brasileira. Que possuam um engajamento pessoal em causas que não são suas, mas de milhões. Não dá para ter sociólogos brilhantes ou líderes sindicais atrelados a coronéis da velha política, com fizeram nossos últimos presidentes. Muito menos infiltrar uma liderança sem propósito como Dilma num cenário que não lhe cabia, que não a apetecia.

É preciso que a Esquerda e a Direita construam novas lideranças e que essas se renovem num processo político mais vigoroso e menos acanhado. O Brasil possui espaço para muitas ideologias, mas não para novos líderes de papel ou de fantasia. Lula foi o último dos fantoches do poder, assim como o foram Sarney, Collor, Itamar, FHC, Dilma e agora Temer (quem?). É preciso passar uma linha na história do Brasil. Um meridiano que nos separe para sempre desses tristes séculos de corrupção e descaso com nossa população.

A política precisa evoluir indistintamente de ideologias e formatos. O Brasil de hoje é muito mais complexo do que velhas teorias econômicas ou sociais. Temos que evoluir para um modelo próprio de condução política, que nos dê base para a construção de um futuro menos desigual. Consolidar instituições que nos levem a um controle social maior do que hoje há. Renovar leis, condutas, pactos. E isso só será possível com uma nova política e novos líderes. Projetos de governo que possuam ideologias factíveis com o que vivemos hoje, não somente utopias que fizeram de nós escravos permanentes de um Estado sem propósito público.

CRIANÇAS COM BANDEIRA DO BRASIL

A política deve libertar o Brasil e o nosso povo. Por isso Esquerda e Direita, se é que ainda podemos usar termos tão gastos e distantes da realidade, devem ter um compromisso moral com o futuro deste país e de seu povo. Não podemos abdicar de nosso papel histórico. Os outros já definiram os seus. Cabe a nós definirmos o nosso.

 

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A Igreja Católica patrocinou nos anos 70 um movimento de chamamento dos jovens que se propagou até meados dos anos 80, através de Encontros de Jovens e que no final tornaram-se as Comunidades Eclesiais de Base, que foram a base para a fundação do Partido dos Trabalhadores. Com princípios religiosos, esses encontros continham uma carga política muito forte e orientação dada diretamente pelo cardeal Arns. Tive a oportunidade de fazer meu primeiro Encontro de Jovens no início dos anos 80, numa comunidade que se chamava Santíssima Trindade, em Osasco/SP. O encontro acontecia num fim-de-semana, incluindo a sexta-feira à noite. Reunindo algo em torno de 200 jovens, num antigo seminário em Pirapora do Bom Jesus/SP, anexo à paróquia da cidade. Toda a estrutura do Encontro era fortemente emocional e significativa. Haviam várias palestras abordando temas como Liberdade, Fé e Política, Amizade, Valores das Coisas, João Batista, Pai e Mãe, Filme da Vida e demais. E por conta dessa carga emocional violenta, empregada com o intuito de mexer profundamente com cada dos jovens que estavam ali, haviam muitas lágrimas, sorrisos, encontros, e aquela vontade profunda de transformar o mundo. O desejo real de mudar a realidade que cada um de nós vivia, em casa e na vida cotidiana. Qual jovem não aspira isso? Claro que me engajei e participei de vários Encontros, já como palestrante de alguns desses temas. Logo fundamos novas comunidades na Capital/SP e em Bragança Paulista/SP. Esse foi um tempo em que a juventude queria dizer algo a mais do que havia pra nós.  Motivos reais e que nos levaram a participar do nascimento do Partido dos Trabalhadores. Razões verdadeiras, honestas e carregadas da esperança cidadã de cada um de nós. Acabara de entrar na faculdade, portanto estava indecentemente careca, mas com toda a força da minha poesia, latente e viva. Foi o tempo que mais produzi poesias, crônicas, ensaios. Tínhamos temas musicais significativos que “embalavam” cada palestra, pequenas lembranças feitas de papel e fitas, almoços e jantares todos em comunidade, onde todos se viam, todos riam, todos possuíam a felicidade latente da juventude, mas que a muitos não acompanhou. Lembro-me de todos com muito carinho, Sonia, Virgílio, Luiz, Álvaro, Hércules, Mário, Célia, Jadir, Neide, Sula, Joaquim, Norival, Carlinhos, Edelucia, Sirlene, Tito, meu parceiraço e, perdoem os que eu não mencionei, todos amigos e queridos, inclusive o padre Pedro, que nunca perdia a oportunidade de me “cerrar” um Carlton, quando não pegava o maço inteiro.

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p.s.: Aproveito o tema e me penitencio. Sim, eu participei de vários comícios do PT. Aplaudi Lulla muitas vezes, chorávamos de emoção naqueles comícios, prevendo tudo o que era possível fazer neste país, por este povo tão sofrido e espoliado por coronéis de nordeste e empresários da fiesp. Mas confesso, perdi muito, muito daquilo que eu sempre acreditei, fruto do que o Partido dos Trabalhadores fez nesses treze anos de um governo comprometido com a manutenção do poder e do controle social. Negociatas, corrupção e uma ameaça real à democracia…absolutamente tudo contrário aquilo porque sempre acreditávamos estar lutando…

Paz na Terra dos Homens de Má Vontade…

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Quando fizermos um corte na história da humanidade, sem dúvida este será visto como um tempo em que tivemos uma opção ímpar pela paz. Incrível, em meio a tanta intolerância uma possibilidade tão inusitada na história humana, repleta de conflitos, guerras e soberba ignorância. Ao ver seus componentes, que além do interesse interno pelo poder, como o da Síria, vemos quantos desses conflitos derivam claramente de uma luta que já extrapolou os limites econômico, territorial, religioso e geopolítico, o conflito Israel-Palestina. Seria simplório dizer que Judeus e Árabes brigam por assentamentos, água ou razão. Mas o caso é que, os dois lados do conflito podem propiciar ao mundo um período de paz nunca antes experimentado. E mais, dessa improvável união de diferentes, estabelecer uma fórmula de convivência humana jamais experimentada. Talvez esta seja a menos hipotética teoria de solução dos problemas. E talvez, por isso mesmo, a mais original e factível. Vão-se décadas em que os dois povos coabitam conflituosamente um mesmo território pedregoso. Por um lado, Israel. Uma nação tecnológica, militar e fortemente tribal. Do outro lado, a Palestina. Dividida como nação e sem lideranças sérias, e que muitas vezes verte ao confronto humano, natural nos oprimidos. Igualmente tribal. Senão vejamos, e não quero aqui parafrasear John Lennon…Imagine. Mas se Israel fizesse um esforço de construção de um líder palestino de verdade e abandonasse um pouco da sua arrogância territorial, talvez tivéssemos aí o início de um entendimento entre os dois Estados. Que poderiam sim conviver num mesmo território! Um governo comum, e leis distintas, mas conjuntas. Utopia? Não. É preciso avançar, humanamente. Não adianta ser tecnologicamente avançado e humanamente tribal. Israel e Palestina vem se comportando como crianças birrentas, sem educação e limites. Mas se houvesse um interesse em fortalecer lideranças que tivessem interesse no diálogo, não tenho dúvida de que teríamos lá o maior exemplo do que a humanidade pode fazer por si e pela paz. Se ao invés de brigar por território, Israel e Palestina dividissem o mesmo, quem de nós seria maior que eles? Uma experiência fantástica, que não traria só uma paz local, mas um incentivo à toda comunidade árabe. Poderíamos aprender como nos comportar numa democracia entre diferentes, já que ainda não o sabemos. Poderíamos enxergar o inimigo com a humanidade necessária de convivência, não de morte. Aí sim, ali seria um campo santo na terra, onde as três maiores religiões pudessem fazer fluir suas crenças em harmonia. Conhecer umas às outras, universalizar o humano como algo divino. Não acho que isso seja impossível, até porque as guerras carecem tanto de propósito que, que sua própria insanidade as exaure. Creio que é isso que irá acontecer com Israel e Palestina. O mundo precisa de líderes sérios, não de chefes de tribos. Talvez um messias, mais humano que divino, pudesse nos trazer essa PAZ, tão almejada e desejada por tantos. Mas para isso é preciso boa vontade, na terra dos homens de má vontade.

Desafio com Deus

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A relação do Homem com Deus sempre foi bastante conturbada. Aliás, a ideia de Deus talvez tenha vindo do inconformismo do Homem com seu destino final. Por que culpar a si próprio por suas mazelas de sobrevivência e vida, se era melhor ouvir a tal “consciência interior”- se é que os nossos ancestrais a possuíam- e jogar a culpa de todas as guerras em um ser que não estava presente, portanto não poderia falar ou gesticular em sua defesa. Talvez tenha nascido aí a necessidade do Homem criar uma “mitologia divina”, para dar base a todas as besteiras que o ser humano iria fazer até hoje. Salvo uns poucos “escolhidos”, que ousaram ouvir mais de perto esse ser universal, o resto da humanidade tem feito o que bem entende com a razão da divindade criadora. Afinal, Ele não está presente para explicar o que pensa de verdade. E muitas foram as formas que inventamos para adorar as divindades; de escritos insuspeitos a bezerros de ouro, simbolicamente venerados ao bel prazer da nossa “consciência”. Creio mesmo que Deus nunca se importou muito com o que pensamos dele, acho que Ele até se diverte com algumas de nossas ignorâncias sobre Sua essência, caso haja realmente diversão no Criador. Até porque nós, suas criaturas, sempre o divinizamos como um Deus de fúria, castigo e impiedade. E sinceramente. não sei para que queremos um deus assim. Os deuses da mitologia grega, egípcia ou romana, esses tinham fartura de deuses de acordo com as suas necessidades. Foram sendo criados à medida em que muitas plantas foram sendo descobertas e seus efeitos divinizados. Tínhamos até mesmo um deus da sabedoria, que acho não foi muito bem venerado por seus seguidores. E vários outros deuses foram escritos, desenhados, cultivados e esquecidos, porque nós humanos somos assim. Na verdade, nós nunca ouvimos a deus algum, nem às suas inspirações, porque somos rebeldes quanto a possibilidade de sermos apenas um detalhe da criação, seja ela divina ou não. Imagine alguns de nossos atuais políticos tendo que reverenciar a deus, prostrando-se e confessando os seus pecados…”ops, foi mal divindade”. Seria o apocalipse. Se analisarmos a termo, o homem trava uma verdadeira guerra santa contra Deus, essa é a verdade. E a razão mais visível disso é o seu pessoal inconformismo por sermos finitos e a tal divindade ter um pouquinho mais de tempo e poder. Isso é inconcebível para a maioria das pessoas. E nesses milhares de anos que pelejamos por esta abençoada terra, criada por quem quer que tenha sido, vimos travando uma disputa para ver quem manda mais, o homem ou os deuses que teimam em nos afligir. Alguns de nós optam convenientemente por dizer apenas que não acreditam em Deus, mas morrem de curiosidade de saber quem afinal criou essa coisa toda que chamamos de universo e suas diversas vidas. Mas outros, aqueles que gozam da presença quase que digital com Deus, falam das verdades que esse seu deus lhes disse, e cobram caro por isso, Afinal ser interlocutor do Criador não é para qualquer um. E creio ser dispensável falar nas atrocidades humanas cometidas em nome de Deus, todos os atentados à própria Criação, em nome de quem a criou. Parece meio estranho isso. Desde os tempos mais remotos, o homem sempre foi um covarde, e carrega dentro de sua mente a vontade de enfrentar mano-a-mano quem o criou. Isso para mostrar quem de fato é o melhor. Isso pode ser uma falha da Criação ou um defeito adquirido com o tempo mesmo. Ao longo dos anos, todos os que puderam falar em nome de Deus, mostraram-no um ser a ser mortalmente temido, que jamais pode ser discutido ou desobedecido. E aí vem as religiões, que NÓS os humanos criamos, não Deus. E aí vem dogmas sobre dogmas, castigos sobre castigos, mentiras sobre uma verdade absoluta. Deus não é nada do que pensamos ser, creiam. Nem homens, nem religiões e seus divinos seres humanos possuem qualquer ideia do que Esse provável Criador venha a ser. O que vimos vendo são os homens mutilando a Criação por sua própria vontade e razão. Só isso. Deus não está nisso, nem nas igrejas que rasgam véus em seu louvor, porque Deus não tem medida ou discurso, muito menos paciência com nossos vulgares desafios. Grandes homens da humanidade, que tiveram o propósito de tentar entender a Deus, jamais falaram de religião. Isso é coisa de criatura, não do Criador. E disso sobrevêm os profetas da razão pondo-se a dizer suas verdades, tentando influir na mente e vida das pessoas de fraca sabedoria divina. Basta ver como a história das religiões confunde-se, em grande parte, com nossos sacrilégios contra a Criação. Guerras, sofrimento, ignorância, maldades de toda ordem. E alguns desses Grandes Homens da humanidade apareceram em momentos importantes, vindo a tornar-se referência para milhões, chamados “enviados de Deus e até mesmo Filhos Dele”. Jesus, Krishna e Buddha são alguns dos exemplos. Antes de quererem atrás de si uma religião com milhões de seguidores, esses “Grades Homens Divinos“ mostraram que o Criador vai muito, mas muito além de nossa vã filosofia ou crença. E que o homem percorre um caminho errático em sua própria derrota final, diante de seu contumaz inconformismo. Nos tempo atuais é incrível ver o número de igrejas que dizem falar em nome do Criador. Cobrando dinheiro e vidas para revelar os Seus segredos. Não me recordo de um tempo em que tantos falam de Deus e esses mesmos estarem tão distantes da essência da Criação divina. Na verdade, além de tudo somos embusteiros e mentirosos. O Criador jamais deu a ninguém a verdade sobre a vida, mas inspiração não nos falta se quisermos saber da verdade. Não vai dar para sentar com Ele num banco de igreja ou numa praça e falar dessas nossas aflições típicas das criaturas sem sabedoria. Não vai dar para argumentar quando Ele nos perguntar por que afinal de contas ainda queremos ter supremacia uns sobre outros, insistindo em conquistar pessoas ou mentes. Sem dúvida, iremos ficar sem jeito se Ele questionar nossa vontade não humana de sermos superiores, se todos viemos e iremos para o mesmo lugar e da mesma forma. E se por acaso Ele confirmar que as capacidades de uns e outros se equivalem e possuem igual importância, o que restará a nós, senão por nossa costumeira natureza, tentar agredir o Criador e acabar de vez com essa aflição? Ou não somos divinos, afinal? Sequer sabemos o que é ser um infiel, quanto mais que destino devemos dar a quem o for. O que nos traz mais felicidade, ansiar a conquista do alheio ou olhar ao redor com amor? O que será melhor, não pecar contra a castidade ou ser um bem-aventurado pacificador, e ser chamado filho de Deus? Os homens e suas religiões vem há milênios tentando consciente ou inconscientemente desconstruir os dogmas perpétuos da Criação. O fato é que somos criaturas, jamais Criadores. Não somos divinos, apenas humanos. Temos importância, mas igualmente insignificância. Queremos ser pequenos deuses de nós mesmos ao invés de sermos parte da Criação, seja Ela ou Ele divino ou somente um sopro do que imaginamos ser.

Amém.

Felipão, Francisco, F…

Ok, não comentei a ida de Felipão para a seleção brasileira, mas papa argentino eu não vou deixar barato. Sério. A Igreja Católica está brincando com a fé das pessoas. Isso é claro e sem discussão. Os desvios de conduta de suas hostes são notícia em todo o mundo. Mas por que isso acontece? Poder, dinheiro, falta de comando…? A Igreja Católica está se esfacelando em dezenas de pequenos guetos de fé. Uns mais progressistas, outros tão ou mais radicais que qualquer religião apócrifa, seja cristã ou não. A unidade pedida por Jesus vem sendo pisoteada ao longo do tempo por diversos interesses dentro e fora da fé católica. Chegamos ao cúmulo do último papa, Bento XVI, que assumiu com mão e dogmas de ferro e não conseguiu se impor à sede de poder e ganância de alguns senhores de batina vermelha. Alguns inclusive de sua confiança pessoal. Bento XVI renunciou numa última tentativa de salvar a instituição daqueles que querem servir-se dela, não servir à ela. Os desvios de comportamento não são privilégio de padres católicos. Há os bem piores em outras religiões e seitas. Mas o maior de todos os desvios é a insanidade para com a Instituição Católica, esse o maior dos pecados. Jesus criou a sua Igreja, a Católica Apostólica Romana, e queria que ela fosse o pilar da fé entre os homens. Durante séculos a Igreja foi usada por homens que usurparam de suas santas prerrogativas para realizar seus mais disformes anseios humanos. Continuam-no fazendo. Perdoe-me Francisco I, mas não creio que sua pessoa possa intervir mais do que o comum em assuntos tão delicados para a Igreja instituída. Não creio que vós, novo Chefe da Igreja possa intervir de maneira significativa nos rumos da Igreja Católica no mundo. E sinto muito por isso. Sou Cristão, batizado, crismado, cursilhista, palestrante e repleto da fé Cristã. Mas me desiludo quando vejo minha Igreja discutindo desvios de dinheiro, disputas por poder e conduta. Minha fé me obriga a ser quem sou e aceitar Aquele que dá sentido à vida, mas não me obriga a aceitar a fé reticente e maculada daqueles que não vivem a verdade Daquele que criou a nossa Igreja. Creio, sinceramente, que não estamos precisando de um novo papa, mas de uma nova Fé Cristã Católica. Não serão nacionalidades que salvarão a Igreja Católica de dias de turbulência, mas a fé de cada um dos desiludidos que abandonam sua Igreja em busca do conforto que Cristo nos concedeu em vida e após sua ressurreição. Por isso não comento escolhas, mas meu desejo que a Igreja Católica Apostólica Romana volte a reencontrar a sua fé. A fé perdida entre tantos desvios em sua longa jornada junto dos homens de boa vontade. Não creio em dogmas apocalípticos, não os concebo como a vontade Divina de Deus, o Criador. Mas creio que o maior dos apocalipses que vivemos seja essa falta de fé da Igreja em seu Inspirador e seu Guia Espiritual. Jesus trouxe algumas verdades, quer sejamos crentes Nele ou não, que superam religiões, superam filosofias, superam a própria existência humana. E é dessas verdades que a Igreja Católica vem se distanciando dia após dia, desde que percebeu que o poder dos homens poderia lhe ser útil, mas não o foi. Prova disso é a expectativa em torno de alguém ocupar o “trono” do papa. Para mim, esse é o menor dos lugares, o menos importante, porque Aquele que veio e reinou, e reina até hoje, não precisou de tronos, castelos ou títulos. Na sua mais pura simplicidade ensinou que nós podemos ser grandes sendo simples, humildes, verdadeiros. Talvez seja necessário reensinar a fé daqueles que estão à frente da Igreja Católica em nome Daquele que foi, É, e sempre O será. Amém.

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p.s.: e aproveitando, quero que o Maradona vá pra puta que o pariu…