Brasileiro, a etiologia de uma raça

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Uma disputa silenciosa entre dois Brasis vem sendo travada há anos sem que a maioria de nós não tenha se dado conta das desastrosas conseqüências. E essa batalha nada tem de ficção, ao contrário, é presente no dia-a-dia do país mais cobiçado do mundo, o Brasil.

Durante a recente greve dos caminhoneiros, que paralisou a vida de milhões de pessoas, tivemos provas cabais que o subterrâneo de nossa sociedade é composto por uma heterogeneidade assustadora. E não falo de cores ou credos, mas de nacionalismo individual, ou como queiram, a responsabilidade de cada um na construção de uma nação de verdade. E nesse ponto, me perdoem, ainda somos analfabetos sociais.

Para ilustrar melhor essa rasa teoria social creio que vale a pena voltar no tempo e tentar entender por que, afinal de contas, o Brasil sobrevive socialmente, ao invés de viver na plenitude do que, em tese, seríamos capazes. Acho que a maioria já ouviu a ufanista frase, “o Brasil é o melhor país do mundo”, ou a mais desastrosa de todas, “o brasileiro é o melhor povo do mundo”. Será que alguém ainda acredita nisso?

Analistas atribuem nossas mazelas de caráter ao ex-jogador da seleção de futebol Gérson, quando numa propaganda de cigarros ele proferia a maldita frase “é preciso levar vantagem em tudo, certo?”. Bastou isso para que essa viesse a tornar-se a máxima da esperteza brasileira, na teoria e na prática. Mas outros preferem atribuir à nossa colonização todos os males de correntes de nosso particular complexo de vira-latas e em outras ocasiões, um ufanismo imbecil. Acredito seja bom nos determos mais nesse ponto de vista.

Algumas nações do mundo moderno foram colonizadas por culturas européias das quais é possível destacar  ingleses, franceses, espanhóis e portugueses. Conquistou mais quem era corajoso, detinha melhores conhecimentos e, principalmente, dinheiro. Coube a nós sermos colonizados pelos portugueses, que defenderam como poucos o território que hoje esbanjamos. A miscigenação consequente ao domínio foi quase natural. E dela advieram os primeiros brasileiros, produto da mistura quase mágica entre portugueses, índios e negros. Acreditar que o Brasil teria um povo melhor se fosse colonizado por franceses, por exemplo, é uma bobagem atroz, talvez produto de algo que é objeto desta reduzida provocação. Até porque tivemos tempo suficiente para mudar nossa matriz ancestral legada por esses, ou não? Já se passaram dezenas de gerações nesses mais de 500 anos desde o descobrimento. Insistir nisso é jogar para outros a culpa e a responsabilidade que é nossa.

Outra característica particular é ser brasileiro comumente quando estamos no exterior ou em copas do mundo. No restante somos descendentes de outras nações e raças. Não é nosso costume afirmar textualmente “eu sou brasileiro”. Poucos os que exibem com orgulho latente e vertente nacionais. Até mesmo os brasileiros natos pouco reconhecem sua nacionalidade, antes preferem mencionar outras origens, como se fosse lá o seu país. E as ideologias torcem por essa aversão ao nacionalismo quando insistem em afro-descendentes, ítalo-descendentes, mineiros, baianos, gaúchos, japoneses. Seus caras-pálidas, vocês são brasileiros, não ousem renegar isso jamais! Sim, precisamos discutir nossa nacionalidade urgentemente. Ou assumimos de vez nossa brasilidade, ou iremos sucumbir a nós mesmos.

A tentativa ideológica de partidos políticos tentarem atuar nestes últimos anos foi suficiente para que qualquer um não veja sequer um pingo de nacionalismo por parte de seus militantes e usuários. Tudo bem que o capitalismo faça as pessoas concorrerem pelo melhor, e o socialismo as individualiza, e ao contrário do que parece, tenta repaginar classes, raças e a maior verdade que o tempo construiu: nós somos brasileiros, o resto é estória e balela para que continuemos divididos. Somos um povo dividido não por escolhas ideológicas, mas por falta delas, e que bom se fossem parte de um corpo nacional virtuoso e não destrutivo. O Brasil viva de uma antropofagia há séculos, sem se dar conta. E quem se aproveita disso são as elites políticas, econômicas, sociais e…culturais. Sim, até mesmo aquelas canções, livros, textos, fotos, peças de teatro, foi usado para nos dividir.

Durante a ruidosa greve dos caminhoneiros, ouvi, ainda que timidamente, algumas pessoas criticarem a índole e o caráter do brasileiro, sua tendência a contentar-se com esmolas governamentais, sua predileção pelo ócio, seu caráter duvidoso em momentos como os que ocorriam então. Gente se aproveitando da escassez de combustível para vender gasolina a R$10,00, roubo de cargas, e outros tipos de vantagens individuais, que nada tinham de nacional, ou social conjunto. E a justificativa é sempre a mesma: ”o brasileiro é mau caráter e nunca vai sair desse buraco”.

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Os sucessivos governos querem nos manter assim, domesticados pelo abandono. Dão-nos esmolas em projetos sociais e fazem de conta de que não precisamos trabalhar, nos esforçar por nossa família, pelo nosso país e por seu futuro e descendentes. Por acaso não será esse nosso maior desafio? Vamos amarelar sempre? Até quando deixaremos o patriotismo de lado para lutar por ideologias alheias? Até quando permitiremos ser manipulados por uma elite perversa e apátrida? Até quando deixar nosso futuro nas mãos sujas de canalhas que mencionam apenas  direitos e jamais dizem quais são nossos deveres?

Vemos a sociedade brasileira transformar-se visivelmente. Somos quase 210 milhões de pessoas divididos em raças, cores, credos, idades, mas nada do que nos seja tão necessário como o nacionalismo que nos tire dessa apatia pátria, desse torpor nacional que nos envergonha e nos reprime a essência. Somos brasileiros! Está na hora de acordar! Não existem raças superiores, mas povos com determinação de construir e evoluir, e isso podemos fazer apenas com parte dos dons que nossa raça criou com sua miscigenação e caráter. É uma questão de escolha, de quem e o quê queremos ser. Somos ou não brasileiros?

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O petróleo é nosso?

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Getúlio Vargas sempre foi a foto que todo socialista brasileiro tem guardada na gaveta do criado-mudo. De democrata e “pai dos pobres”, tornou-se um político populista e chegou ao posto máximo de “Ditador do Brasil”. Mais que flertou com o Nazismo de Hitler, apoiou-o quase que abertamente até que a faca dos Yankes grudar-lhe no pescoço e o baixinho sacripanta recuou de seu acordo com o Fuhrer e apoiou os aliados, a contragosto. Não poderia ter tido outro fim covarde senão o suicídio. Hoje é nome de algumas ruas, por falta de um nome local melhor e de uma instituição encastelada de semi-deuses inúteis com acesso exclusivo apenas para burgueses monárquicos,

Mas voltando ao petróleo, Getúlio fez a panaceia de criar a tal Petrobrás em 1953 com a responsabilidade fatídica de ter o monopólio da exploração, refino e distribuição. Claro que isso nas mãos de políticos do Brasil fê-la tornar-se um monstrengo repleto de interesses, dentre destaques, o sindicalismo corporativo, a corrupção estatal, a má gestão empresarial e o desvio escancarado dos ideais republicanos.

E usando seu poderio, abusando do monopólio e do poder de sedução dos recursos de que dispunha de forma abundante, a Petrobrás desenvolveu um lobby quase indestrutível para o atraso estratégico do país na área de energia e de transporte. Tudo o que não significasse gasolina, diesel, asfalto, e mais tarde álcool, era simplesmente banido do debate estatal em todas as esferas estatais.

E é plausível sim responsabilizar a empresa pela falta de interesse no país por uma política de diversificação de modais de transporte nos vários governos, inclusive os militares. E foi quando o poder civil da “Nova República” sentiu a necessidade de crescimento que o país conheceu seu enorme gargalo estrutural, e a modalidade de movimentação mais adequada às nossas características continentais se fez ausente: uma malha ferroviária ampla e moderna, que nos traria um acelerado vigor desenvolvimentista, econômico e social.

Foi então que o governo FHC tirou-nos uma parte do atraso e abriu uma parte do monopólio que pertencia à petroleira nacional. E como sempre os que representam o atraso social e do desenvolvimento, os corporativistas socialistas, gritaram em alto e bom som: “O petróleo é nosso!”. Mentira. O petróleo sempre foi da Petrobrás, que fez o que bem quis dessa possessão estratégica de energia, tendo o controle de toda a gama de produtos derivados do chamado ouro negro. Comprávamos dela, e somente dela, a gasolina, o diesel, lubrificantes, álcool, gás, nafta, asfalto e outros derivados menos populares.

O que o Brasil ganhou com isso? Nada, ou melhor, inflação, desabastecimento, corrupção, atraso, chantagem estatal, mentiras goela abaixo de todos nós. Quando Lula e o PT “tomaram posse” do governo federal e da Petrobrás com seu sindicato pelego e criminoso, aí é que nos danamos de vez. A empresa, em conluio com seus dirigentes, indicados por partidos salafrários e corruptos, iniciou um processo de antropofagia política e canibalismo empresarial deliberado. E seus funcionários foram parte integrante do desmonte criminoso daquela que era a maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo. Todos eles ganharam, não só os que foram denunciados ou estão presos. E a dona do petróleo brasileiro chegou ao quase esgotamento de sua capacidade de sobrevivência empresarial.

Mesmo disponibilizando parte de “seus” ativos, era preciso recapitalizar a empresa para que sua sobrevivência não criasse ainda mais transtornos ao país. E aí entra novamente quem? Nós, os brasileiros. Uma nova política que a “empresa” implantou há pouco fez de nós reféns do mercado volátil internacional de petróleo, e que segue interesses além dos comerciais. A receita era “subiu-petróleo-petrobrás-aumenta-gasolina-diesel-gás-álcool”. Resultado foi  vermos os preços dos combustíveis saltarem de maneira astronômica e pior, na contramão da economia do país, que se arrasta há anos entre tombos e cara no chão. Até chegarmos ao desplante de um litro de gasolina ou diesel custar o preço de uns cinco frangos no início do plano real.

Bem, e depois da copa socialista do PT que nos enfiou goela abaixo os 7X1 da Alemanha, eis que bate à nossa porta a oportunidade de revanche. E logo agora, quando todos iam comprar bandeiras, vuvuzelas, chapéus, fogos, e todas as traquitanas precisas para uma salutar comemoração, o Brasil se vê diante de uma greve de caminhoneiros, dispostos a parar o país e não nos deixar comprar sequer o valioso combustível da Petrobrás. Os vilões da crise reivindicam menos aumentos de um de seus insumos básicos, o óleo diesel. Mas claro que isso esbarra na readequação da empresa para futuros investimentos e disponibilidade para que próximos políticos se assenhorem de suas diretorias e recursos.

E olha o governo federal tendo que enfiar a mão em nosso bolso novamente. E assim será feito. E o que nós brasileiros ganhamos com isso? Nada, patavina nenhuma. A Petrobrás continuará a ser dona dos nossos combustíveis, e monopolista como sempre. Até que algum presidente da república tenha coragem suficiente e permita que essa riqueza, que pertence ao povo brasileiro, seja disponibilizada de forma empresarial e democrática. Chega de Petrobrás ser dona de parte da riqueza do Brasil. Chega de governos que nos enganam e de categorias que usam suas posições estratégicas para fazer do país seu sindicato criminoso e sem compromisso com o Brasil e os brasileiros.

O PETRÓLEO É NOSSO, SIM!

No Paraíso dos Hipócritas

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Quem não teve o desprazer de ouvir um estrangeiro falar mal do Brasil e dos brasileiros, e logo conter a vontade de dar-lhe uns bons sopapos? Pois é, mas já que estamos entre nós, podemos abrir essa discussão e falar de maneira explícita algumas situações que claramente nos incomodam, mas que fingimos não ser da nossa conta. Parecem traços culturais importados de nossos ancestrais, mas a verdade é que são defeitos do nosso próprio caráter tupiniquim.

Primeiro, que todos esses pilantras que estão na cadeia ou em vias de, por corrupção e outros vícios políticos, foram colocados lá no poder por nós, sem desculpa. Hoje, uma legítima parcela da sociedade está claramente revoltada com “eles”, mas desconheço quem tenha dito em 2003 que Lula era um farsante e um ladrão, embora a maioria soubesse disso. Pior, ainda hoje temos quem o queira livre, mesmo condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Uma legião de imbecis? Não, é o nosso caráter deformado que admira o pior. Quem quer um presidente da república condenado? Ninguém no mundo, só o brasileiro e seu péssimo caráter.

É comum ver a imprensa e os ditos guardiões dos direitos humanos, espernearem quando algum prefeito tira mendigos de seu “conforto a céu aberto” e os leva para refúgios públicos. Mas esses mesmos guardiões não estão nem aí se esses deserdados ficam ao relento sem as mínimas condições de sobrevivência. Ou seja, na verdade os heróis do humanismo querem que os mendigos se lasquem. Condoemo-nos com as cenas, não queremos que mexam com eles, mas não estamos nem aí com sua condição. Somos hipócritas? Já pensei que sim, mas na verdade creio mesmo que temos mesmo é um caráter defeituoso, do tipo que vale poucos tostões. Devemos ser os primeiros a cobrar das autoridades que essas pessoas façam parte da sociedade produtiva e consumidora. Mas ao contrário, optamos por ser vassalos do ridículo, panacas, se é que me entendem.

Não foi apenas uma vez que ouvi de comentaristas anônimos de futebol, a nata da nossa intelectualidade, aliar a análise do futebol do seu time com a política. Além das galhofas e desdéns característicos, não raro ouvia a frase maldita: “está certo, se eu estivesse lá faria o mesmo”. O que falar de um caráter assim? Alguém assim desconhece que o que é público é de todos e tem de ser preservado. Mas ao contrário, é tratado como algo a ser destruído, por isso é comum ver entulho e lixo nas ruas, fios de iluminação pública roubados, prédios pichados, áreas verdes como terreiros.

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Quem somos nós afinal? Um povo que não conhece e não cultiva a sua história. Ao contrário, cultua bandidos atuais e históricos. Um povo que ri de seus valores, de si próprio e de suas feridas sociais. Afeito a ouvir mentiras e crer nelas, porque é mais fácil acreditar que o “governo” que deve prover a vida da sua família e dos agregados, desde uma casa até o dinheirinho pra cerveja. Tivemos o desplante de criar uma Constituição inteiramente sem qualquer plausibilidade, sem financiamento prático, uma obra de ficção, apenas para dizer que “todos somos iguais perante a lei”. O cacete que somos.

E o caráter brasileiro é torto em todas as classes e esferas. O brasileiro não se importa com o Brasil. Poucos são os que defendem um nacionalismo puro, equilibrado. Se não, são extremistas de esquerda ou direita. Não há consenso nacional nem político sobre o presente, que dirá sobre o futuro. Elegemos gente da pior espécie que há entre nós, em troca de dentaduras, cestas básicas ou dinheiro. Por isso os problemas se avolumam exponencialmente e o caos nos atormenta em várias frentes. Saúde, segurança, emprego, tudo o que nos importa de verdade. E vemos aqueles que nos fazem de otários todos os dias falarem alegremente que tem a solução do que eles mesmos problematizaram. E votamos neles todas as vezes que nos pedirem votos, afinal somos um país de corruptos, de caráter torto.

Quer mais provas do nosso caráter defeituoso? Veja os últimos passos da Justiça, do Legislativo e do Executivo federais, é quase um circo de horrores. Não sabemos planejar, organizar, respeitar. Fazemos leis medíocres para safar os safados, e não cumprimos as que podem nos livrar deles, ou de nós mesmos. A hipocrisia no Brasil beira o absoluto ridículo quando vemos a imprensa livre, como UOL, Folha de S.Paulo e SBT, quererem entrevistar um condenado na cadeia e transformá-lo em presidente da república. Nenhum outro povo assim o faria, só nós, os deformados. Outro caso de explícita hipocrisia brasileira é o tal indulto que damos aos condenados em datas festivas. Veremos a tal moça que matou a mãe passar o dia das mães fora da cadeia. E a madrasta que matou a filha, idem.

Afinal, quem somos nós? Quanta mediocridade foi embutida em nós? Quando iremos aprender que antes de nossos direitos, temos deveres? Bem, mas isso irá nos custar mais do que uma sessão de análise psicológica nacional. Quando iremos nos defrontar com a tortuosidade de nosso próprio caráter e subvertê-lo à uma identidade nacional de verdade, séria e progressiva? Quando o brasileiro irá realmente tornar-se um cidadão com qualidades humanas de verdade? Quando iremos para de rir de nossa peculiar malemolência e do pouco valor que damos a uma vida decente e produtiva? Quando iremos mudar nosso status de país para Nação? E ao olhar o espectro de candidatos à presidência da república, dá pra notar que estamos ferrados de verde e amarelo. E tenha a certeza, iremos escolher o pior, quer apostar?

 

Vice, pra quê?

“Não há razão para incerteza. Eu fui eleito prefeito para cumprir o meu mandato por quatro anos. Até dezembro de 2020 serei o prefeito da cidade de São Paulo”. João Dória Jr.

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A história do Brasil é recheada de vários quase despercebidos “vices”, que assumiram as funções para as quais não tinham representação, e que nos trouxeram intensas dores de cabeça. Para não voltar em demasia no tempo, porque hoje um ano já é suficiente para se mensurar o passado, que tal começar com a Nova República? Tancredo foi articulado para ser o presidente da transição do governo militar para uma democracia transitória, que vigora até hoje. E não é que o homem morreu e nos deixou Sarney! Sim, o mesmo coronel que manteve o Maranhão em completa desgraça social por anos seguidos, assumiu a Presidência da República. E fez besteiras nacionais. Claro, não era seu perfil a política de frente, mas a das negociatas, os arranjos espúrios. E dele nasceu a Ferrovia Norte-Sul, que liga “nada a lugar nenhum”, mas que lhe rendeu uns belos tostões.

Em seguida foi o Itamar, uma mosca num copo de cerveja. Reinventou o fusca, fez de conta que gostava duma musa sem calcinha e praticou um plano real, construído pelos meninos econômicos do PSDB. Mas o pior viria depois de alguns anos de calmaria, o tal Temer, eleito pelo PT, e que nos faz pensar, mais uma vez, afinal pra que serve um vice? Um gabinete, servidores, seguranças, dinheiro, para ser apenas uma sombra do poder, sem serventia ou representação alguma

Mas o ponto principal deste pequeno rascunho de idéias é a cidade de SP, que mais uma vez tem no comando da prefeitura, um vice, ilustre despercebido. O empresário do lobby, João Dória, prometeu que cumpriria seu mandato de prefeito até o fim, mas mentiu. Como mentiu Serra e nos deixou Kassab, que defendeu Serra e agora Dória, tentando justificar o passa-moleque que os eleitores levaram com a saída dos dois para serem candidatos a governador do estado. Serra foi um governador insípido e Dória o seria, se por acaso ganhasse, o que não ocorrerá, creio.

Dória ficou apenas um ano à frente da prefeitura e deixou a cidade em pior estado que seu antecessor, o lesado Haddad. Mato, buracos, enchentes, faróis desligados, saúde caótica, cofres vazios e muito marketing, só isso. Dória mostrou como uma campanha que utiliza boas ferramentas de marketing e um slogan repetido indefinidamente, convence os mais incautos. Sua máxima “não sou político, sou gestor”, pegou os mais fartos da velha e tradicional política que o PT levou ao extremo. O povo está triste, desiludido e sem esperança de que um dia algo possa ser melhor neste pântano fétido da associação de pessoas e idéias para nos tungar. Se realmente não era, Dória aprendeu rapidinho como ser um político da velha guarda, as raposas, como os chamávamos antigamente.

Ao assumir a prefeitura da maior cidade da América Latina, o despercebido Bruno Covas, neto do falecido ex-governador Mário Covas, já fala que para fazer algo na cidade é preciso dinheiro. E que não há. Portanto é preciso…aumentar impostos! Bingo. Eis aí um dos porquês de que não devemos mais ter vice. Os caras chegam sem saber do que se trata, sem compromisso com a população, porque não foram eles que “deram a cara pra bater” nos debates, na TV, e para os eleitores que votaram no candidato “principal”. E mais uma vez estamos sem prefeito, ou com um vice, como queiram. Não gosto de ver a minha cidade ser tratada desse jeito. E o pior é ter também alguns vereadores eleitos que nem são paulistanos ou sequer conhecem o cotidiano da cidade, quanto mais seus problemas ou sua geo-administração.

São Paulo não é de todos e nem de ninguém. São Paulo é dos paulistanos que aqui trabalham e constroem suas vidas, com o olhar e o pensamento aqui. A minha cidade não é escada para político mentiroso e esperto, muito menos para quem quer apenas explorar suas oportunidades. Chega de vices, de gente sem compromisso com a cidade e que apenas quer tirar daqui o que acha que tem direito. Eu quero minha cidade de volta, meus patrícios de verdade, políticos decentes, com capacidade de gestão e honestidade de razão. Eu quero aqui um enorme Centro de Tradições Paulistanas. Quero gente defendendo o melhor, cuidando do que temos de bom e querendo arrumar o ruim. Quero políticos comprometidos com a cidade e que se bastem disso,  afinal somos mais de 12 milhões de pessoas, muitas das quais vivendo em péssimas condições de vida. Haverá alguém disposto a isso, ou só temos oportunistas e aventureiros no horizonte da política paulistana?

I Love Curitiba

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A história sempre é contada por vencedores, e em razão disso possui um viés tendencioso e, por vezes, mentiroso. No Brasil isso acontece de maneira grotesca, quando alguns dos mestres da história inventam fantasias e inverdades a respeito dos personagens mais simbólicos da história do Brasil. E não se engane, isso tem uma clara razão: denegrir porventura os que possam vir a servir de exemplo para a construção de um país decente. Absurdo?

A mais cruel dessas é atribuída a D.Pedro I, nosso libertador. Dizem os apátridas, que o Imperador, após regozijar-se com os quitutes da alcova e de uma deliciosa feijoada, retornando de uma de suas incursões à casa da Marquesa de Santos, Domitila de Castro Canto e Melo, passou mal e pôs-se a esvair-se duma terrível constipação intestinal. Aproveitando-se de terrível fato, os que o acompanhavam fizeram de suas cólicas o famoso “Independência ou Morte”. Pode alguém ser mais calhorda ou socialista para propagar tal fato?

Não é por acaso que alguns de nossos ídolos transitaram no máximo pelo esporte. De preferência futebol, onde reina a pobreza, o ópio e a malemolência nacional. Num país onde não se valoriza a formação, o estudo, os dons pessoais, sobram trans-artistas que mostram seu imenso vazio de ideais pátrios. A maioria de nós desconhece de verdade aqueles patrícios que poderiam nos ser razão de luta por um solo mais profícuo de futuro.

E numa infortunada década de 70, produzido pelo sistema de poder do governo militar, apareceu uma figura que viria a tornar-se um divisor de águas entre nosso futuro promissor e um descaminho sem volta: Lula da Silva. Filho dileto de Golbery do Couto e Silva e X-9 do sistema de governo militar, foi escolhido para ser o representante dum punhado de trabalhadores desorganizados e que precisavam tornar-se um corpo para dialogar com os interesses das multinacionais do mercado automobilístico. O sistema escolheu errado.

A maioria dos intelectuais não teve coragem suficiente para lutar contra o governo militar, por serem simples teóricos do abstrato. Numa tentativa de dar seguimento ao plano de capturar o Brasil para o socialismo, depois que a revolução comunista foi derrotada pelo aparato militar, capturaram Lula, e como um joguete o fizeram líder de uma idéia e não mais de um sindicato apenas. Mas Lula sempre foi mais ambicioso do que eles imaginavam. Descobriu que poderia conquistar isso por conta própria. Descobriu isso ao negociar aumentos e greves com o poderoso grupo 14 da FIESP, que fez dele um iletrado esperto demais.

Ser presidente de um sindicato de amestrados tornou-se pouco para suas ambições. E para dar crédito à sua mais ousada iniciativa usou de alguns daqueles intelectuais de porta de faculdade, sociólogos da USP e da PUC, e fundou o Partido dos Trabalhadores. Mas logo os mandaria pro inferno, já que ele aprendera como se jogava o jogo com a tal elite burguesa e econômica. Pelejou por algumas eleições até tornar-se Presidente da República, com um discurso habilmente mentiroso e ilusório de igualdade e ascensão social, repartição da riqueza nacional entre os molambos e desvalidos do país.

No poder juntou-se às capitanias hereditárias do nordeste, aos financistas do sudeste e ao agronegócio do sul. Mostrou que o Fome Zero, seu projeto mais ambicioso, fora mais uma artimanha, que sua reforma agrária era como a de seus antecessores, uma mentira deslavada, e que vender fogão e geladeira para os pobres e carro zero para a “nova” classe média, seria sua coroação como o melhor presidente que o Brasil já tivera. Financiou ditadores estrangeiros com dinheiro do BNDES para patrocinar sua condição de líder regional, e ajudou a eleger uma meia dúzia de pelegos do socialismo na sul-américa, e que serviriam para a construção da semiótica Pátria Grande, uma recriação da falida e destruída URSS, aqui na América Latina. Era ou não ambicioso?

Ao mesmo em que comprava a imprensa, o legislativo nacional e parte da oposição, montou o maior esquema de corrupção e assalto ao Estado brasileiro. Devidamente investigado, ganhou do Judiciário e Ministério Público, sete processos das mais variadas matizes de crimes, de corrupção à obstrução de justiça. Condenado a mais de 12 anos de prisão em um deles apenas, valeu-se de um bando de descamisados, que ainda não viram a cor da malfadada distribuição de renda, para tentar barrar sua prisão condenatória. Não deu certo.

Desde que esse meliante da desilusão nacional assumiu seu primeiro mandato dediquei horas e horas de meus dias com o simples objetivo de alertar sobre suas reais intenções. Em muitos desses momentos me senti um profeta no deserto, mas nada que tenha me feito desistir. Hoje digo que valeu a pena, cada palavra e hora perdida, pelo bem do meu país e dos meus conterrâneos brasileiros. Ver Lula ser levado para uma cela, mesmo com alguma mordomia, é uma sensação de vitória da verdade e da esperança de que o Brasil pode dar certo, ainda. Temos tudo para que isso aconteça. Mas é preciso estar alertas com os que objetivam somente vilipendiar cada pedaço de nacionalismo que ainda há em nós como brotos. Olho aberto, com aventuras e messianismos. Este é o ano de mostrar que mentiras servem apenas para quem acredita nelas. Vamos renovar o Brasil!!!

O Capital e a Bíblia

Karl Marx e Jesus

Não tenho aqui a pretensão de analisar ideológica ou exegeticamente livros tão robustos ao pensamento humano, porque não quero confrontar com legiões de dependentes dessas duas obras, que se tornaram paradigmas de vida para multidões. Na verdade quero mostrar seus pontos comuns, tirando deles o extraordinário e o dogma, e deixar à mostra as mazelas que sofrem seus fiéis seguidores, seus conflitos e descrenças.

O ponto inicial que faço questão de mencionar é que ambos possuem o mesmo objetivo: ganhar mentes e gente, mesmo que seus “doutrinadores master” usem práticas e palavras diversas no convencimento de seus prospects. O primeiro foi escrito por Karl Marx, intensamente criticado por seu histórico de vida, caráter duvidoso e desdém com sua família, trata das relações imaginadamente conflituosas entre capital e trabalho, num instante em que a revolução industrial nos tornava menos necessários ao processo de produção industrial e ao mesmo tempo imprescindíveis ao desenvolvimento do papel social das empresas.

Não há dúvida de que, como é comum entre nós, alguns fizeram de O Capital, mais que um compêndio teórico da “mais valia”, tornando-o um tratado revolucionário que visava retirar das elites burguesas o controle dos meios de produção e fazer desses um atributo natural e coletivo da “sociedade”. E essa era na verdade a sua finalidade, ao menos em tese. Outros o usaram como um impulsionador de revoluções políticas e, no pior dos mundos, um instrumento de controle social dos mais perversos, ceifando humanidades indispensáveis ao nosso progresso individual, utilizando a ideologia do “poder coletivo” como arma contundente contra a liberdade individual e de pensamento do todo.

Regimes “comunistas”, como foram definidos esses, ao contrário do que se propunham, concentraram o poder nas mãos de poucos ao invés de obedecer seus dogmas ideológicos de coletividade e “poder popular”. Abolidas todas as práticas que pudessem supor algum questionamento sobre seus rumos e razões, incluídas as religiões e a pluralidade das ideias. Ao longo da história, esses regimes, normalmente impostos após o fracasso de monarquias e regimes corruptos, tornaram-se contrários às suas doutrinas, fazendo-se igualmente corruptos e sanguinários, exterminando mais de 120 milhões de pessoas e opositores ao longo da história. Nada podia ser questionado, nada era individual…acabava-se o valor maior que move o ser humano, a liberdade.

O segundo livro, possui diversos textos escritos ao longo dos anos por pessoas conhecidas e desconhecidas, pretensamente inspirados pelo Criador, e juntado ao longo dos anos por reis, papas e outros desconhecidos, tomando finalmente a forma de um “manual do ser humano”. Mas afinal, por que vários livros conhecidos, e igualmente inspirados pelo Criador, foram simplesmente ceifados dessa “enciclopédia divina”? Incluo nesse rol o livro de Enoch, pai de Matusalém, e este, avô de Noé. Mas o que mais sinto falta, o evangelho de Maria Madalena, com certeza a pessoa mais próxima de Jesus na terra, que pode ter sido sim mais que uma seguidora, foi simplesmente banido da história. Por que a Igreja Católica e suas advindas simplesmente suprimiram esses livros do conhecimento de seus seguidores? Quanto milhões igualmente foram mortos por causa de algo que deveria promover a vida?

Bem, agora vamos às polêmicas. A Bíblia, ou “o livro sagrado de Deus para os homens” divide-se em duas partes, o Velho e o Novo Testamento. O que o faz um espelho de boa parte da história conhecida do homem na terra. Além disso, como deveria ser, mas não é, exatamente pelo mesmo motivo que O Capital, foi usado em proveito alheio ao seu objetivo, a Bíblia mostra dois instantes distintos da relação de Deus com os homens. A primeira que eu chamo de “a doutrinação da fúria”, onde todos os livros escritos trazem um Deus vingativo, ressentido e exigente nas relações com “sua criação”. Dali, dos primórdios da humanidade, Deus “dava suas ordens” e jamais permitia fossem discutidas. Esse comportamento “tacitus” de Deus perdura até hoje, de maneira inexplicável, nos diversos ramos religiosos e seitas que, por interesses diversos, separaram-se da doutrina primeira do monoteísmo de Deus e do Cristianismo.

Mas seria o propósito de Deus cercear a liberdade humana? A resposta vem na segunda parte da Bíblia, quando o “Verbo se fez Carne”, e nasceu Jesus, Filho legítimo de Deus. Sua experiência entre nós tornou-se um dogma de vida e convivência social de acordo com a “vontade” de Deus. Mas a pessoa Jesus revolucionou sua própria importância, tomou para si a responsabilidade de fazer dos homens o melhor possível para Deus, e o melhor de tudo, deu-nos a liberdade de que tanto anseia o ser humano. Seus dogmas, sua vida, suas ações, mostraram que sim é possível ser livre e crer num caminho melhor para todos, coletivamente. Ser indivíduo e conjunto ao mesmo tempo. Pensar, sentir, viver, sonhar.

Segundo Ele mesmo, não veio para revogar as leis, mas para trazer aos homens “o caminho, a verdade e a vida”. Mas então por que as igrejas ditas “evangélicas” deixam de incentivar as virtudes descritas por Jesus nas sagradas Bem-aventuranças, e continuam a usar a figura de um Deus impiedoso e temível, se ele próprio enviou seu filho para mostrar que deveríamos “mudar de fase”, e Ele próprio, amadurecido, suas relações conosco? Pela mesma razão dos que usam Marx como ideólogo da “salvação humana pela igualdade”, o controle social de seus rebanhos, literalmente. Todos querem nos dominar, até os que dizem o inverso. Sem falar no poder e no dinheiro, benditos soldos que pagamos para poder professar idênticos dogmas, quer seja pela força de trabalho ou pela doação de parte desse mesmo trabalho. Deturpou-se a figura do dízimo, um instrumento de proteção e apoio social aos desprovidos das tribos, e tornaram-no uma obrigação para os que querem acreditar.

Ninguém quer perder poder para teologias libertárias. Ninguém quer perder dinheiro ou mentes. Por isso Jesus é muito pouco citado por evangélicos, judeus e islamitas. Os ensinamentos teóricos de Jesus diziam que Deus não era aquele indivíduo vingativo e impiedoso como falavam até então, ao contrário, crer em Deus era a melhor maneira de ser livre. Para um povo cativo esse era um crime capital. E assim foi. Os “doutores da lei” fizeram com que Ele se calasse para sempre, e com Ele suas teorias libertárias. E muitas das igrejas de hoje fazem o mesmo quando evocam um Deus de fúria insana e “esquecem” propositadamente “o grande libertador do homem”.

Não é difícil crer que tanto comunistas como religiosos possuem o mesmo objetivo: dominar mentes e gente, e ampliar seu poder sobre esses, sem as prerrogativas da liberdade e da diversidade de ideais. Usam de dogmas temporais para fazer valer-se “ad infinitum, tacitus”. Uns contém a essência religiosa de sua gente, outros a prática socializante e material de outra gente, mas ambos, sem distinção teórica ou prática, buscam cercear a liberdade, em detrimento da teoria Marxista pura, ou da doutrina divina e Cristã mais recente. Não importa o tempo, mas o controle. Nada de avivamento, apenas entorpecimento. O Capital, assim como a Bíblia, podem ser livros libertários, mas tornaram-se cartilhas da opressão do domínio humano. De nada valem “paraísos terrestres” baseados em dogmas cerceantes da essência humana mais pura, a liberdade.

O homem é um nômade de sua própria natureza. Seus pensamentos, aspirações, sentimentos e sua relação com o meio e com sua própria existência. Quando dogmas ou ideologias nos tornam escravos, jamais seremos “felizes”, jamais seremos autênticos, e isso não é ético, muito menos divino. Os seguidores e descobridores de novos sentidos dessas obras formam uma classe humana que pretende exclusivamente seduzir, explorar e nos conter. Se os propósitos que deram razão a ambos fossem reais e verdadeiramente seguidos, poderíamos afirmar que Marx fora um apóstolo Cristão de primeira linha, e que Deus sempre foi comunista, desde a revolução do Big Bang.

Cinzas da Folia

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Mesmo na semana do meu inferno astral, e não falo da semana de carnaval, creio que é preciso ver as cartas da mesa e saber o que queremos para o Brasil em 2018. E sem querer ser chato, este ano promete. Todo o esgaço político e social, sem dúvida irá mudar a nossa cara, quer você queira ou não. As feridas expostas entre os proeminentes candidatos prometem dar o tom das costumeiras promessas, desta vez temperadas com lamentos intermináveis sobre perseguição e injustiça.

E nesse jogo de tentar enganar, alguns mudam de nome e até a sua pitoresca ideologia política. Não possuem coragem de enfrentar seus erros e assumir o compromisso de mudar. Como cidadão é penoso admitir que todos os presidentes, pós-período militar, engalfinharam-se com a desconfiança popular ou judicial sobre suas ações na Presidência da República. Se não foram julgados é porque não houve disposição política, nada a ver com o dolo em si.

Assim foram Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. A pergunta é: não conseguimos produzir brasileiros honestos ou a política é um caso perdido? Ambos, mas com um viés que precisa ser melhor visto. Sim, temos brasileiros honestos, mas que são reticentes quanto a entrar no jogo sem regras da política. Esta, por sua vez, descambou a tornar-se o pior dos mundos para quem quer fazer o melhor pelo país. Ou alguém acha possível construir um país de verdade com gente desse naipe? É claro para todos nós que a política no Brasil não conta com o melhor que temos de capacidade ou valores pessoais. Falta-nos talvez, homens de “saco roxo”, como disse Collor, ou mulheres de “grelo duro”, como filosofou Lulla.

Dispostos a tudo para manterem-se em privilegiados territórios demarcados, onde impera o poder e o dinheiro, os partidos, ao invés de discutirem saídas para problemas do país, buscam meios de fazer valer seu espaço de interesse e mando. Num território em que a força masculina é preponderante, as mulheres continuam a embelezar a cena do crime. O que é uma pena, poderiam ser preponderantes para a mudança do nosso destino. Ao invés disso os caciques partidários mandam e desmandam para que o “sistema” continue assim por várias gerações. E crise após crise vamos vivendo de incertezas e solavancos políticos, econômicos e sociais.

É preciso mudar o tal “sistema” se quisermos ter um futuro de verdade, não aquele que mostram os programas partidários e eleitorais, repletos de euforismos e temas que remetem ao engano de nós mesmos. Para mudar a política é preciso mudar os partidos, seus mecanismos e escolhas, suas formas de constituição e comando. A participação popular, e falo de participação e decisão, não de cartas marcadas, é a razão que pode fazer com que brasileiros de bem engajem-se sem receio de tornarem-se fantoches dos crimes de outros.

Basta ver os recentes casos de nomeação de ministros, um verdadeiro circo de horrores para quem vê de fora e olha a desfaçatez com que se disputam lugares, sem que o interesse público seja observado. Pessoas são postas sem o menor critério, sem que o interesse nacional seja colocado em primeiro lugar, já que o que vale é o apoio da bancada partidária para que soluções duvidosas sejam postas em prática. Tiram-nos a possibilidade de entendimento e defesa. Ficamos expostos ao ridículo interno e externo. Vemos cada vez mais o naufrágio se aproximar sem que possamos fazer nada para impedir. Mudam presidentes como num jogo de azar, enquanto vemos apenas as apostas. E o que legitima tudo isso fica à margem da verdade e do interesse nacional.

Nas próximas eleições teremos uma mesa de jogadores que misturam a insanidade, a aventura, a mentira e o comodismo, ou seja, nada do que nos interessa no momento. Além desses, um número razoável de desconhecidos que nos representarão no Congresso, e que servirão tacitamente aos interesses daqueles caciques de sempre, sem que o povo se dê conta de seu próprio destino. E mais uma vez o “sistema” triunfará, sob protestos dos que costumam apenas legitimar suas próprias decisões.

Até quando veremos tudo isso acontecer sem que nenhum de nós se arme de coragem para mudar? Até quando meu povo será apenas servil? Quando iremos tomar nas mãos os rumos deste Brasil como brasileiros de bem e cientes de que tirar 13 milhões de empregos ou fechar milhares de empresas não é apenas prova de incompetência, mas sim um jogo de engana-trouxa da pior casta que reina neste país, a classe política.