Podres Poderes

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Não se esperava algo diferente do que tempestades em Brasília com as eleições da Câmara e do Senado, e com elas os vendavais e trovões e os costumeiros sussurros vindo das alcovas do poder. Dizem os historiadores que a capital foi transferida do Rio porque o nível de corrupção era insuportável, mesmo para nossos limites ilimitados. Mas creio que Juscelino, como bom cigano, queria mesmo era mudar de ares e encher as burras alheias e próprias com o erário. A construção de Brasília consumiu todo o dinheiro que os brasileiros haviam pagado para finalmente gozar suas aposentadorias. É a velha história que se repete. E após distribuir sua alegria com vários construtores e modernistas da época, alguns dos quais pouco conheciam de trabalho, Juscelino inaugurou a Brasília festiva, repleta de soirées e rendez-vous do melhor gabarito. Políticos e seus virtuosos asseclas aguardavam com ansiedade o momento de encontrar novas donzelas na nova corte, para alegrá-los intimamente por deleitosos períodos. E assim a República continuou a fartar-se dos prazeres mundanos que a vida oferece aos nababos e que, em Brasília, são distribuídos de acordo com o poder de cada um.

A podridão e os interesses em Brasília são de conhecimento público, embora sejam restritos a uma casta de mamelucos da pior dinastia que há entre nós outros. Porque, como vimos vendo há anos, eles poucos se importam com leis, ética ou valores, poucos deixam de aninhar-se nos seios fartos da viúva, vulgarmente ironizada como “tetas do governo”. A aventura de Juscelino enfraqueceu a democracia, exultou desmandos e encorajou a corrupção que vitimava a velha  República no Rio de Janeiro. Mudaram de malas e vícios para a nova fronteira ora desbrava e seduzida pelo furor econômico e mundano das elites corteses do velho poder, invariável e irremediavelmente hereditário.

Os tais “cinquenta anos em cinco” foram somente uma modesta contribuição mercadológica, senão publicitária, para o novo poço que se avizinhava às contas públicas. E os desastres políticos não foram menores, e caíram sobre nós sem dó ou piedade. A balbúrdia provocada pelo ajeitamento nos espaços no poder fez mesmo um período de governo mantido por militares, e que nos causou a decomposição dos partidos e o desuso da participação política da sociedade. E que por fim reverbera ainda hoje na importância da educação e do trabalho como pilares da construção edílica do país e de meios de convivência social a que estamos expostos.

E como não recordar sempre das distorções democráticas que possuímos, como a desproporcionalidade representativa no Congresso, que faz um voto nordestino valer por vezes mais do que o de cinco dúzias de sulistas. Também por isso o Congresso é repleto de coronéis, capitães do mato, jagunços e gente que não aprimora o Brasil como pátria mãe gentil, mas serve-se dela como sua teúda e manteúda. Esses vivem como se as capitanias hereditárias fossem a melhor forma de gestão pública. Usam de seu poder e mando políticos para abusar de seus eleitores e insultar nossa inteligência. São os “paínhos” de outrora que ainda vigem nos sertões desérticos e nas vilas quase fantasmas. São donos de tudo. Da água, mulheres, comida, da vida e até, me perdoem os que crêem, de Deus. São igualmente semi-analfabetos, mas pós-graduados em safadeza, negociatas e putarias. E não é que no meio deles veio a nascer Renan Calheiros, que apareceu lá com outro conterrâneo e vicejou no pior da política até agora? É um dos mesmos que vemos desde sempre, mandando, engendrando, produzindo cordéis de luxúria e podridão.

Esse “twitter” escrito por ele é a prova mais explícita disso. Depois de pagar uma amante com dinheiro de um gado que nunca houve, num endereço que nunca existiu, o cabra resolve colocar os bofes pra fora, depois de sua derrota no Senado, para tratar uma senhora, uma mulher, jornalista ou vigarista, não importa, como ele trata as raparigas lá do seu sertão. A tal senhora, Dora Kramer, exposta em sua honra e desejos, possivelmente não é sequer santa, mas desmerece ser tratada com tal arrogância. Renan é dos políticos que querem manter-nos escravos para sempre, não importando quem, quantos ou onde. Essa casta política precisa ser extirpada se quisermos fazer deste um país do presente.

RAIOS EM BRASILIA

E não nos enganemos, todos são parte da corte. Procuram nas alcovas saber dos segredos alheios para usar em seu proveito político e financeiro. Inflam-se de egos, aviltam-se de prepotências e assumem ares de insanidade às vaidades. Refestelam-se em boas mesas, boas camas, brindando com bons vinhos e excelentes charutos. Contam mentiras, enganam, misturam-se como se estivessem em Sodoma e Gomorra. Deixam as castas esposas em casa e partem para os encontros fortuitos nas noites intermináveis da capital da luxúria e da devassidão. Não há quem consiga se livrar dessas práticas, não há salvação. Nem ao pastor, nem às ovelhas. Todos fingem se gostar, mas Brasília converte e desvirtua almas. O bom é que todos têm vez. Os feios, os baixinhos, os que não escondem seu sotaque plebeu e sua fleugma desprovida de qualquer polidez, e até os que não se ornavam com boas vestes, mas que há pouco aprenderam a usá-las e arrumaram o suficiente para envergá-las.

Brasília fez do Brasil o que ele é hoje. E os pecados que vicejam lá partem dos locais donde provém cada um de seus honrados políticos. E se cá pode não haver a Prise de La Bastille, nos contentemos então com a operação Lava-jato.

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Sem Segredos

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Nestas últimas semanas vimos que o Brasil se supera a cada dia. Não é de hoje que malandros das mais variadas matizes tomaram de assalto a Presidência da República, o Congresso e o STF. A maioria de nós tem visto perplexos os enredos criminosos em que figuras de altas patentes deixaram-se revelar. Presidentes de partidos, ex-governadores, ex-ministros, enfim, a mais alta corte política sendo posta a nu em suas práticas mais devassas. Nada de novo para um sistema político e de gestão falidos, não conseguem manter-se sobre as próprias pernas sem que arraste a todos nós para o lodaçal.

Todos, sem exceção começam a padecer dos piores males após decretada sua prisão. Patético, vergonhoso, medíocre. Homens feitos não tem a hombridade de assumir seus pesados erros. Covardes. Usam muletas, bonés, outras faces. Definham breve e só voltam a corar após um valioso habeas corpus do STF. Homens pequenos, de um país sem rumo e sem pátria.

O povo, sempre enganado, continua a crer em milagres, dos que vieram da mesma lástima, e vai em busca da armadilha final, e eleger condenados como se nada tivessem cometido. O povo sabe votar? Não, não sabe. Vimos sendo ludibriados há anos e ainda temos coragem de continuar a carregar nossa canga, mesmo feridos e fracos.

Vi e ouvi, o que me chocou, claro, um palhaço eleito com milhões de votos, fazendo um discurso grotesco, tentando mostrar ser um vencido paladino de trapos. Na verdade, usou do próprio meretrício para se lamentar do sistema que fez parte e ajudou a manter. Com seus quase dois mandatos irá desfrutar de uma gorda aposentadoria parlamentar pro resto da vida, feita somente para os que se rendem aos cardeais do parlamento e da corrupção. E tão logo despediu-se do fardo de ser deputado-palhaço, declarou seu voto para presidente em 2018, num condenado por corrupção, Lulla da Silva.

Não há segredos em Brasília. Tudo o que imaginávamos haver eles já o sabiam de longa data. Que o grupo político mais corrupto do país assumiu o poder, que muitos que estão presos logo estarão novamente nas ruas, e na política. Que tudo em Brasília tem um preço. Pode ser alto, mas tem preço, até um ministro do STF ou um alto araponga da ABIN. Brasília é a cidade das oportunidades e da cumplicidade. Na oportunidade se vira ministro e se enrica. Na oportunidade se consegue um crédito subsidiado e se cresce mais que toda a concorrência junta. Na oportunidade se enchem malas e mochilas de dinheiro vivo por anos a fio. E na cumplicidade se mantém o poder.

E nos tempos azedos de hoje até os milicos tem seus segredos revelados e sua covardia exposta. Como em outras plagas, aqui também se compra militar com salário e propina. Talvez não como a Venezuela ou a Bolívia, muito menos como o Egito, mas todos são fartamente abençoados por maços e oportunidades. E no país dos corruptos, até o “pai” do programa nuclear rendeu-se ao famigerado tostão de milhão. Que triste. Tornamo-nos um país de vassalos baratos, sem pátria ou ideologia. Até a esquerda putrificou-se no esgoto da corrupção e jogou no lixo a história dos que queriam liberdade e um país decente.

Não dá para negar que somos comandados por corruptos, mas que os elegemos porque também o somos. E não adianta chocar-se. Construir uma Nação é para poucos, e nós não fazemos parte desses. Seremos sempre uma esperança vencida. Aquele desejo que nunca se atende ou a vontade que nunca será saciada. Somos samba, carnaval e futebol, bunda, cerveja e uma total falta de coragem.

Não tem mais segredo. Quer lutar? Apronte-se para sobreviver, apenas isso.

Ordinários, marchem!

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As Forças Armadas constituem a base da segurança e legitimidade dada aos governos eleitos democraticamente no país. Mas quem conhece um pouco a comunidade de informações militar sabe que esse é um recado dado, por quem sabe se fazer entender. O atual ministro do Exército é um almofadinha, que tenta liderar a força, desde os governos do PT, com um discurso de intelectualoide três estrelas. O general do Exército da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão, que já foi Comandante Militar do Sul, foi transferido para Brasília, porque os petistas ficaram amedrontados com seu discurso e sua força militar, que poderia marchar até a capital. O medo de represálias e outros fatores, fizeram Lula e Dilma nomear fantoches para o comando das forças armadas, afinal eram guerrilheiros intelectuais e assassinos que estavam a comandar o país. Mas essa prática de enfraquecimento iniciou-se com FHC e sua didática de gestão Comunista Fabiana. Com ele as forças militares começaram a amargar cortes sucessivos de recursos, projetos e espaço. Lula seguiu seu padrinho e continuou o sufocamento e o desmonte militar. Dilma, o fantoche de Lula, seguiu suas ordens. E os comandantes militares dos petistas chegaram ao cúmulo de permitir todo tipo de interferência dos petistas em suas forças que, até mesmo há uma investigação sobre a presença de um dos filhos de Lula no recebimento de propina por conta da compra dos jatos de guerra SAAB-Gripen.

Não adianta negar que a política no Brasil faliu, por culpa da corrupção e pela inabilidade dos políticos. E pior, seu destino está nas mãos do Judiciário brasileiro. Quer coisa pior? Uma das piores elites que este país já produziu, e que se perpetua há quase 500 anos. Muitas das grandes fortunas deste país foram feitas por decisões judiciais duvidosas e por ações ilegais amparadas por essas mesmas decisões. Claro que o nível de corrupção no judiciário tem outro patamar, talvez um pouco mais próximo do que pudemos ver nos últimos noticiários, com os irmãos Batista. E os governos do PT trouxeram um agravamento absurdo no perfil desse judiciário que vemos hoje. Um poder ainda mais descolado da corrupção no Brasil e de sua sociedade. A ponto de termos uma Corte Suprema integralmente politizada. Não é à toa o recado do General Mourão aos senhores do judiciário brasileiro. A bola está com eles.

general mourão

O PMDB, desde sempre fiel escudeiro do PT, portanto igualmente corrupto, ou pior, tem mostrado que o país está na mão de bandidos. Temos presidente para dizer que temos, simples assim. Tal qual seu irmão de eleição, o PMDB possui também seu núcleo político-criminoso. E o chefe, segundo a Polícia Federal, não é ninguém mais do que mais um Presidente da República. Desde a “redemocratização” todos os presidentes do Brasil estiveram e estão envolvidos com corrupção. Isso é uma temeridade. É uma blasfêmia contra o povo humildade e pobre do Brasil. A corrupção não é exceção, mas pratica corriqueira no Brasil.

O que fazer, mudar novamente a capital do pais, como ocorreu há algumas décadas ou estabelecer leis capitais para tais senhores? Quando no Rio a corrupção estava igualmente endêmica, às raias da indecência pátria. Brasília foi um sonho que Juscelino perpetuou com um custo que até hoje a previdência não consegue suportar. Muitos ficaram milionários, inclusive o chefe do clã dois Batista, que vendia carne para as empresas que construíam a capital. Não poderia mesmo dar certo. Brasília já nasceu sob a égide da corrupção e da junção de capitães do mato, jagunços, coronéis e pistoleiros. E ainda hoje o é. Vez ou outra vemos lá um deputado ou senador nomear outro como “vossa excelência é senhor de jagunços”. Como pode dar certo?

Se acaso as Forças Armadas tomarem o poder novamente em suas mãos, será uma catástrofe, não pelos efeitos dessa própria ação, mas pela definitiva e patente incapacidade dos brasileiros civis em conduzir seu próprio destino, com decência e nacionalismo. Comunistas, Socialistas, Liberais, Democratas, todos frouxos em seu patriotismo e canalhas em suas ambições. Destruir as chances de construir uma Nação de verdade, pelo preço medíocre de serem mais ricos, num país de miseráveis. Pecado Capital, sem perdão. Deveriam ser julgados numa corte militar ou pelo próprio Deus em pessoa.

Moqueca na Caserna…

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Para deixar claro de início, não sou um intervencionista, mas desejo que o meu país possua militares com capacidade suficiente para defender seu território, valores e futuro. Afinal, eles são os encarregados disso. Mas é perceptível que as forças armadas do Brasil adquiriram um letal complexo de vira-latas após o período do regime militar, nos anos 60. E quebraram a cara mesmo. Meteram-se com vários civis que os fizeram de otários. Delfim Netto (conselheiro pessoal de Lulla), Ernane Galvêas, Paulo Maluf, Shigeaki Ueki e vários outros. E no campo da repressão não foi diferente, com o delegado Fleury e outros de igual calibre.

O certo é que muito da formação da caserna mudou desde então. Como nunca foram chegados à uma batalha de campo, os militares reservaram-se em cuidar de sua sucateada força e ideologia. Marginalizada em verbas e decisões nos governos civis que os sucederam, os milicos começaram a ver que o negócio era brigar, mais por salários do que por ter forças realmente prontas para lutar pelo Brasil. As Forças Armadas no jargão do povo, “viraram Brasil”. Nada pior de acontecer. Nos governos fabianos de FHC, o comunista mais enrustido deste país, quase foram à falência, já que o sociólogo-presidente preferiu beneficiar bancos falidos e teles ávidas pela estrutura nacional de comunicações montada pelos governos militares.

Depois veio Lulla, que subjugou os militares à sua vontade como ninguém havia feito. Colocou à frente dos ministérios representantes das forças que mais pareciam ventríloquos do poder presidencial. E os humilhou de tal forma, a ponto de colocar vários comunistas na alta estrutura do ministério da defesa. Com Dilma não foi diferente.

Mas o que me chamou a atenção foi a recente declaração do ministro do exército, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, rasgando o véu do templo ao proclamar que a intervenção da Forças Armadas em 1964 foi um erro – “O Brasil da década de 30 e 50 foi o país do mundo que mais cresceu, com Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek. Nos governos militares, nas décadas de 70 e 80, nós cometemos um erro, nós permitimos que a linha da Guerra Fria nos atingisse, e o país, que vinha num sentido de progresso, perdeu a coesão”.

Parece que a ESG não anda fazendo seu trabalho de formação da tropa a contento. Exaltar Getúlio Vargas, um ditador populista e covarde? Ou Juscelino, que torrou todo o dinheiro do FGTS que havia na época para construir Brasília e enriquecer os empresários que repartiam ganhos, tal qual os que hoje mostram suas caras deslavadas na Lava Jato? São esses, General, os seus ídolos? Guerra Fria? Por acaso deixamos de comprar ou vender para a URSS ou do seu bloco? Não.

Essa parece ser a qualidade dos militares brasileiros de hoje. Conhecem (?) de política, mas pouco do que é ser um soldado de verdade. Enquanto Brasília pegava fogo e os ministérios eram depredados, num confronto político declarado que pode nos causar sérios danos sociais, o nosso brilhante general estava bem à vontade, no Instituto Fabiano de FHC, falando sobre segurança de fronteira.

Não dá para imaginar, nós pobres brasileiros, que a caserna seja um oásis de civismo e brasilidade no meio de nosso pouco nacionalismo varonil verde e amarelo. As forças vêm de nós, por isso padecem dos mesmos estigmas: corrupção, falta de liderança, falta de patriotismo e, talvez o pior de todas essas qualidades…a covardia.

Uma cidade destituída de Brasil

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Andar pela capital administrativa e política do país é uma experiência única e esclarecedora. Muitos brasileiros, dentre os quais me encontro, se perguntam: mas afinal, o que faz com que Brasília seja tão descolada da realidade que vivenciamos em todos outros lugares deste Brasil sem fim? Das quatro ou cinco vezes que fui até lá, nenhuma foi tão impactante com esta. Pude ver bem de perto uma presidente inteiramente avoada, discursando com o corpo o que sua alma distante nem sabia. Pude assistir estarrecido, deputados abandonando o plenário para assistir ao Jornal Nacional da Globo, sobre fatos de sua autoria. Pude constatar a arrogância de uns poucos, a alienação de outros e o despreparado geral com o que logo pode nos ocorrer, se é que já não ocorre. Vi a burocracia de perto, seus conjuntos de regras e leis. Pude notar que mesmo lá, o poder esquece dos vassalos cidadãos mais próximos (o que será de nós os distantes, então?). Um dia disseram que Brasília era uma ilha da fantasia, mas fico inclinado a discordar, e dizer que talvez lá seja a ilha de Lost, cheia de mistérios insanos e soluções baseadas na ficção científica. Não é à toa que o Congresso é um labirinto que amedronta. Ali perdem-se os mais desavisados e os menos, também. Assombram em seus corredores, propostas e propinas das mais variadas, sem que nada se veja. É um cerimonial de insanidades, um regalo à divina comédia humana. Entende-se logo porquê e pra quê a cidade foi planejada (que nos perdoem os lúcidos urbanistas). Brasília é um arremedo de tudo o que não deveríamos ser. Da moça que para seu carro de luxo e entrega cartões e oferece seus préstimos sexuais, ao infinito número de carros de autoridades que desrespeitam pessoas e regras. O trânsito em Brasília é enorme, mas não é caótico. Caóticas são as instituições do poder que obrigam milhões a expectativas que jamais virão. Caóticos são os longos discursos de pouca eficácia e objetivo. Severos e inflamados parlamentares que ignoram seu papel no resto, literalmente, do Brasil. Um palhaço que parece a si mesmo. Senti a opulência dos guarda-costas das autoridades máximas. Vi, tão boquiaberto quanto, um segurança da Dilma se espreguiçar como se estive em sua cama, e ouvi uma pergunta do vizinho: “esse é do serviço secreto?” Sim, deve ser. Porque aqui tudo é secreto, cochichado, por baixo dos panos, mensalado, petrolado. Mas o que mais me deixou triste foi perceber o quanto Brasília está destituída de Brasil. Lá o Brasil é apenas uma bandeira, um objetivo que nunca alcançamos, e que nos incomoda saber. O poder trafega pelas pessoas como se tivesse vida própria, uma matrix carregada da má intensão. Os velozes carros oficiais traçam caminhos invisíveis onde jamais, nós os pobres mortais, iremos andar, porque lá não é Brasil. O Brasil que nós conhecemos é para eles uma teoria, uma fórmula matemática, uma prova  que eles não precisam alcançar a média porque a aprovação é automática, através de mecanismo próprios de sobrevivência, custeio e proteção. Brasília parou no mesmo tempo em que foi construída com todo o dinheiro que havia na previdência social da época. Até porque o poder nunca se aposenta, jamais tira férias ou mesmo falta. O poder não precisa de atestado. Sobrevive da expectativa dos códigos que iremos digitar. E pronto, o destino de todos irá continuar a depender dos caprichos da cidade mais distante do Brasil.

UnB

Que turminha essa da universidade federal de Brasília. Professores estão relegados a dar suporte técnico às teses do governo federal, e parece que o fazem como o maior prazer. Vendem-se como mercadoria acadêmica num triste evento para a educação no Brasil. Antigamente professor tinha um compromisso com a educação, hoje têm compromisso com o pt, a cut, as apeoesp’s por aí e uma educação medíocre como sua formação, ação e trabalho.

p.s.: mas o salário está bom, heim…?!?