Cinzas da Folia

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Mesmo na semana do meu inferno astral, e não falo da semana de carnaval, creio que é preciso ver as cartas da mesa e saber o que queremos para o Brasil em 2018. E sem querer ser chato, este ano promete. Todo o esgaço político e social, sem dúvida irá mudar a nossa cara, quer você queira ou não. As feridas expostas entre os proeminentes candidatos prometem dar o tom das costumeiras promessas, desta vez temperadas com lamentos intermináveis sobre perseguição e injustiça.

E nesse jogo de tentar enganar, alguns mudam de nome e até a sua pitoresca ideologia política. Não possuem coragem de enfrentar seus erros e assumir o compromisso de mudar. Como cidadão é penoso admitir que todos os presidentes, pós-período militar, engalfinharam-se com a desconfiança popular ou judicial sobre suas ações na Presidência da República. Se não foram julgados é porque não houve disposição política, nada a ver com o dolo em si.

Assim foram Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. A pergunta é: não conseguimos produzir brasileiros honestos ou a política é um caso perdido? Ambos, mas com um viés que precisa ser melhor visto. Sim, temos brasileiros honestos, mas que são reticentes quanto a entrar no jogo sem regras da política. Esta, por sua vez, descambou a tornar-se o pior dos mundos para quem quer fazer o melhor pelo país. Ou alguém acha possível construir um país de verdade com gente desse naipe? É claro para todos nós que a política no Brasil não conta com o melhor que temos de capacidade ou valores pessoais. Falta-nos talvez, homens de “saco roxo”, como disse Collor, ou mulheres de “grelo duro”, como filosofou Lulla.

Dispostos a tudo para manterem-se em privilegiados territórios demarcados, onde impera o poder e o dinheiro, os partidos, ao invés de discutirem saídas para problemas do país, buscam meios de fazer valer seu espaço de interesse e mando. Num território em que a força masculina é preponderante, as mulheres continuam a embelezar a cena do crime. O que é uma pena, poderiam ser preponderantes para a mudança do nosso destino. Ao invés disso os caciques partidários mandam e desmandam para que o “sistema” continue assim por várias gerações. E crise após crise vamos vivendo de incertezas e solavancos políticos, econômicos e sociais.

É preciso mudar o tal “sistema” se quisermos ter um futuro de verdade, não aquele que mostram os programas partidários e eleitorais, repletos de euforismos e temas que remetem ao engano de nós mesmos. Para mudar a política é preciso mudar os partidos, seus mecanismos e escolhas, suas formas de constituição e comando. A participação popular, e falo de participação e decisão, não de cartas marcadas, é a razão que pode fazer com que brasileiros de bem engajem-se sem receio de tornarem-se fantoches dos crimes de outros.

Basta ver os recentes casos de nomeação de ministros, um verdadeiro circo de horrores para quem vê de fora e olha a desfaçatez com que se disputam lugares, sem que o interesse público seja observado. Pessoas são postas sem o menor critério, sem que o interesse nacional seja colocado em primeiro lugar, já que o que vale é o apoio da bancada partidária para que soluções duvidosas sejam postas em prática. Tiram-nos a possibilidade de entendimento e defesa. Ficamos expostos ao ridículo interno e externo. Vemos cada vez mais o naufrágio se aproximar sem que possamos fazer nada para impedir. Mudam presidentes como num jogo de azar, enquanto vemos apenas as apostas. E o que legitima tudo isso fica à margem da verdade e do interesse nacional.

Nas próximas eleições teremos uma mesa de jogadores que misturam a insanidade, a aventura, a mentira e o comodismo, ou seja, nada do que nos interessa no momento. Além desses, um número razoável de desconhecidos que nos representarão no Congresso, e que servirão tacitamente aos interesses daqueles caciques de sempre, sem que o povo se dê conta de seu próprio destino. E mais uma vez o “sistema” triunfará, sob protestos dos que costumam apenas legitimar suas próprias decisões.

Até quando veremos tudo isso acontecer sem que nenhum de nós se arme de coragem para mudar? Até quando meu povo será apenas servil? Quando iremos tomar nas mãos os rumos deste Brasil como brasileiros de bem e cientes de que tirar 13 milhões de empregos ou fechar milhares de empresas não é apenas prova de incompetência, mas sim um jogo de engana-trouxa da pior casta que reina neste país, a classe política.

 

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O Quinto dos Infernos

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A política deveria ser a prática de conduzir interesses através de negociação sadia e civilizada, em que as partes envolvidas, concordando ou não, não devem perder de vista o interesse primeiro e comum da sociedade. Mas ao longo do tempo, no Brasil, temos tido muitas distorções sérias nesse departamento. Não podemos negar que a base de nossa civilização deu-se por uma formação capenga de valores nacionais, o que nos expôs a tentações que até hoje movimenta de forma criminosa nosso país.

A Coroa Portuguesa pouco se importava com que fazíamos aqui, contanto que seu dote fosse regiamente enviado, a fim de suprir as necessidades da nobre Corte Lusitana. Para cá mandaram feitores de tributos a fim de arrecadar impostos e outros derivados da terra, por justa causa, mas numa proporção até hoje desavergonhada, e esses nos impuseram essa maldita prática do “por cento que me pertence”. Além dos “Quintos dos Infernos”, havia intoleráveis abusos, que até hoje são praticados pela geniosa Receita Federal.

A quase secreta “lista vip” com que o governo federal protege seus colaboradores mais próximos, em torno já de 6 mil nomes, foi criada no governo socialista do PT, mas seguiu uma linha já traçada anteriormente por FHC e seu Everardo Maciel. A Coroa Portuguesa, através de seus coletores de impostos, também tinha lá os seus protegidos, que serviam aos interesses desses, até com as “Xicas da Silva”.

O nosso nobre Tiradentes foi morto e esquartejado simplesmente porque se revoltou com a absurda carga tributária que havíamos de pagar à nossa matriz, sem que essa nos desse o devido respeito em termos de “serviços públicos”. Parece piada, mas o Brasil, 200 anos depois de Tiradentes ainda é o paraíso dos governos incapazes e corruptos que jamais tiveram preocupação com seu povo verdadeiramente. Nossa lista de líderes mais parece uma piada de mau gosto do que de fato merecemos. E o pior, é que os mais populares foram os mais canalhas. Getúlio, Jânio, Lula, Ademar, Collor, Sarney, enfim. Seria demais listar todos os grandes vultos da nossa história de corrupção.

Hoje quem entra na política na maioria das vezes sequer sabe do que se trata. Alia-se a outros que possuem a prática de fraudar os interesses da população e tentam se tornar vítimas quando são pegos em alguma operação da PF. E os que gravitam ao redor dela, idem. Os grandes bancos, os grandes empresários, a elite que deveria ser partícipe dos destinos do país, é igualmente corrupta e bem pouco nacionalista. Preferem gastar seus tostões na Europa ou EUA. Basta ver os envolvidos na Operação Zelotes da PF. É de dar vergonha.

Nosso sofrimento vem do Império, aumenta com a República, que foi somente um golpe na Monarquia para a tomada do poder, e perpetua-se até hoje na malfada Nova República, que cultiva os velhos hábitos de corrupção com muito mais ânsia do que outrora. As grandes fortunas deste país não foram feitas com o suor do trabalho de seus poderosos donos, mas com a conivência de governos, cartórios, juízes e matadores. Como não ter um país devastado pela corrupção?

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Temos a oportunidade de mostrar aos brasileiros que é possível mudar essa história. Lula foi julgado hoje em segunda instância, sob aspectos indiscutíveis de corrupção e desvio de conduta no cargo de Presidente da República. É triste, mas o fato de ser alguém como ele, pode ser um sopro de virtude que venha a se instalar dentro de nossas fronteiras. Houve crime, sim. Houve desvios, sim. Há uma tentativa de se fazer o que foi feito até hoje por todos os que frequentaram o poder: enganar o povo. Mas creio que em uns 200 anos conseguiremos mudar nossa história para algo que nos torne merecedores de um lugar sério no mundo, não apenas ser o país da corrupção e da impunidade.

República da Corrupção

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Parece uma tragicomédia, mas a verdade é que tanto Esquerda quanto Direita possuem ideologias idênticas quando o assunto é corrupção. Ao menos no Brasil. Desde sempre, os paladinos da liberalidade e os outros do estado dominante, são partícipes de inúmeras falcatruas que vem, pouco a pouco, destruindo a esperança do povo brasileiro num país que proporcione a empresários ou não, um futuro mais alegre e menos dividido por mentiras ideológicas.

Mas aí a liberdade de expressão trouxe a possibilidade de replicar outras ideologias e belos discursos, que fulminaram o crédito das desgastadas elites empresarial e política, e que tornaram-se uma espécie de ventríloquos do impossível. Novos personagens, inventados pelo desejo de mudanças, surgiram afirmando que tudo o que desejávamos era possível e estava ao alcance de todos, indistintamente. Assim suas fileiras foram engrossando em número, mas não em qualidade política.

E após um hiato descuidado dos eleitores, com Collor de Melo, a Esquerda multiplicou sua permanência no poder, culminando com a eleição de um sindicalista-caricato, alçado à condição de chefe do país da desesperança, mas que soube replicar anseios e capitalizar uma esperança que veio a tornar-se um terrível pesadelo para o país. Seus mandatos e sua continuidade, com a primeira mulher presidente do país, resultaram no maior escândalo de corrupção institucional já visto no mundo, com cifras que deixaram boquiabertos muitos dos que não criam até onde uma quadrilha da Esquerda seria capaz de chegar. E pior, sempre escoltada pelo que de pior foi produzido pela Direita.

O sociólogo FHC e seu parceiro Lulla da Silva, fizeram um teatro de horrores na gestão de um país de analfabetos. Os desdentados que sempre esperaram por um “salvador da pátria” viram-se diante da incapacidade de coexistência entre seriedade e administração pública. Nada que espante os mais avisados sobre as consequências de tais aventuras ideológicas. O populismo e o assistencialismo reinaram absolutos por anos a fio, sem que as questões de vital importância, como a manutenção dos pilares de sustentação econômica fossem notados. A corrupção alastrou-se nas mãos famélicas dos petistas, que jamais haviam visto tanto dinheiro e poder num só lugar.

A volta da quadrilha mor do PMDB ao poder tornou-se a continuidade do pesadelo para os milhões de desempregados e empregados. Reformas Trabalhista e Previdenciária a toque de caixa, típico de governos incautos e mal intencionados. E no meio disso tudo, claro, surgem os oportunistas da insanidade alheia. Reflexo da corrupção sem freio que vivemos há séculos. O pior dos mundos encontra-se sob nosso olhar de eleitores ávidos por decência, mas não a vemos. Lula e Bolsonaro lideram, por enquanto, um pleito viciado desde sua expectativa. A corrupção nos deixa cegos e loucos.

Um presidente inteiramente desconfortável em sua posição, sequer consegue nomear gente com capacidade de verdade. Está refém de partidos, quadrilhas, ideologias do absurdo. Logo cessará sua má experiência de poder. Resta saber se a Operação Lava-Jato surtiu algum efeito em nós, eleitores, pagadores de impostos, donos do Brasil. Ou será mais um capítulo sem gosto do desgosto de nossa história.

Homens, mentiras, ideologias, sacrilégios. O que estão fazendo de e com nós? Somos reféns de nossa própria ignorância e desvirtude. Somos os fiéis que se encantam com pregações sem nexo e verdade. Somos seguidores de um bando que nos assalta sem armas, mas que mata muitos de nós, milhares, às dúzias. A corrupção que se desnudou por estes tempos é o mais cruel retrato do que temos de enfrentar. Na Lei ou na bala, se for o caso. Perpetuamente.

Rabanadas & Champanhe…

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Após queimar o feijão do tutu, voltei a pensar que fim de ano é sempre um terror. Primeiro pelo desgaste emocional que cresce até explodir em alguma discussão com os mais próximos, ou pior, um distante. E segundo, porque nos poucos instantes em que não corremos atrás de sei-lá-o-quê, vejo também outros loucos correrem e penso no porquê de tanta correria insana. Todos almejávamos resolver tudo antes do dia 31, como compras, presentes, comidas, e-mails, conserto do ar condicionado, em vão. E depois do Ano Novo, idem. Sem falar da pintura nova da sala, que sempre fica para o próximo natal.

Leio um velho tweet do promotor Dellagnol, coordenador da operação Lava-Jato, lamentando que os condenados por corrupção iriam ficar presos por apenas 1/5 das penas, antes da Pin-Up Dodge entrar cantando pneu no STF contra o decreto de Temer, discípulo fiel da velha corrupção coronelista. Tava quase compensando, não é moçada? E o Maluf, que há anos é verbete de dicionário, do verbo ladroar, saiu de casa sisudo, mas lépido, e chegou na PF mancando, amparado por dois pupilos, com pinta de que não passaria do natal, mas já engatou o fim de ano na boa, sem uma única esfiha. Tristes corruptos, que depois de pegos fazem esse teatro do absurdo. Tristes de nós, que tivemos que ir na 25 de março fazer valer cada centavo que restou para as festividades do bom velho Noel.

E a saidinha de fim de ano? Mais uma vez, um primor. Os tipos mais badalados do crime, todos fora da cadeia, passeando livremente pelas ruas, entre a sociedade que os julgou e os condenou, caçoando dos que exigiram justiça e respeito pela família e valores humanos. Mataram pais, filhos, roubaram vidas, corromperam destinos, e também fazem o seu teatro da vida, só que mambembe. Afinal bom comportamento é sempre uma razão para ser livre, e quem sabe até se converter, já que os tempos são de conversão. Muitos ainda não voltaram para o seu respectivo calabouço, cometendo invariáveis crimes que justificam o aumento de suas penas, mas não para os juízes responsáveis por sua liberdade e entrosamento social.

Passar em frente à igreja nem pensar, vai que o padre começa a pedir dízimo do décimo terceiro, como os outros. E como já disse, havia sobrado pouco para a gastança do fim de ano. Nem para andar de táxi ou uber, que estão pela hora da morte. Estacionamento no centrão então, proibidérrimo. Mas resta o espírito que nos perturba, digo, norteia, todo fim e início de ano. Aquela coisa do perdão, do irmão, das promessas, do regime, dos gastos menores. Claro, não sobra nada.

Mas o bom de todo fim de ano são as comidas natalinas. Peru, rabanadas, bolinhos de bacalhau, e aquelas aves que ninguém nunca viu mais gordas, mas que obrigatoriamente fazem parte da nossa ceia. Sem falar nas castanhas, nozes, uvas passas, panetone, porquinho-pururuca e o vinho rosé. Esse então não pode faltar, é mais tradicional que o próprio peru. Sem vinho rosé não se brinda natal nem ano novo. Consegui nestas festas as duas últimas unidades do Carrefour do Eldorado, por isso as guardei debaixo do colchão até o dia 24. Nada podia acontecer a elas. Mas vai que a faxineira cismasse de correr também.

Mas por fim acabei de fazer as famosas compras de natal lá na Santa Ifigênia, onde adquiri duas lâmpadas que faltavam no lustre da sala. Mas o que me deixou pensativo foi saber se o Temer, aquele moço que ocupa desconfortavelmente o Palácio do Planalto, que correu tanto para aprovar a reforma da previdência, teve tempo de fazer suas comprinhas de fim de ano. Tinha muita gente esperando uma lembrancinha do presidente. Principalmente os deputados e senadores. Gilmar não. Temer já tinha nomeado a mulher dele para um cargo com um recheado salário. Esse ficou com o natal passado garantido, inclusive com o peru.

E para finalizar este pequeno relembrar, eu quero deixar aqui o meu abraço natalino (afinal, sempre é Natal para os homens de boa índole…) e um quixotesco Ano Novo, para o pai dos pobres. É, aquele moço que queria tão somente ter um “tiprex” na praia e um sítio lá no mato, e ninguém quer deixar. Tenho certeza de que teve um natal gordo, com alguns charutos cubanos e vigorosos vinhos pétrus, afinal ele merece, eu acho. Gostaria de tê-lo visto de chapéu vermelho, sua cor predileta, e com um saco repleto de presentes, mas creio que não vamos ver isso.

De resto, que a correria do fim de ano não nos impeça de chegar a algum lugar, mesmo que seja apenas no ano novo, em 2019. Estamos de férias. Desligue o celular, bote um bermudão e umas Havaianas, dos irmãos Batista, e diminua o ritmo, afinal o coração não é órgão que tenha que aguentar das suas a vida inteira. Bora relaxar, fazer de conta que não é conosco. O aniversário não foi nosso, muito menos o ano do Gregório. O que não significa que não devamos comemorar. Sejamos como um piloto de fórmula um em fim de carreira. Vamos pensar que mais pra frente seremos apenas comentaristas do que a vida nos deu, e das loucuras que fizemos, a 100 por hora, na estrada de Santos.

Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo de 2019, diferente de tudo que iremos ter neste. porque o bicho vai pegar…dia 24 de janeiro é hora da farra, digo, farra…

Sem Segredos

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Nestas últimas semanas vimos que o Brasil se supera a cada dia. Não é de hoje que malandros das mais variadas matizes tomaram de assalto a Presidência da República, o Congresso e o STF. A maioria de nós tem visto perplexos os enredos criminosos em que figuras de altas patentes deixaram-se revelar. Presidentes de partidos, ex-governadores, ex-ministros, enfim, a mais alta corte política sendo posta a nu em suas práticas mais devassas. Nada de novo para um sistema político e de gestão falidos, não conseguem manter-se sobre as próprias pernas sem que arraste a todos nós para o lodaçal.

Todos, sem exceção começam a padecer dos piores males após decretada sua prisão. Patético, vergonhoso, medíocre. Homens feitos não tem a hombridade de assumir seus pesados erros. Covardes. Usam muletas, bonés, outras faces. Definham breve e só voltam a corar após um valioso habeas corpus do STF. Homens pequenos, de um país sem rumo e sem pátria.

O povo, sempre enganado, continua a crer em milagres, dos que vieram da mesma lástima, e vai em busca da armadilha final, e eleger condenados como se nada tivessem cometido. O povo sabe votar? Não, não sabe. Vimos sendo ludibriados há anos e ainda temos coragem de continuar a carregar nossa canga, mesmo feridos e fracos.

Vi e ouvi, o que me chocou, claro, um palhaço eleito com milhões de votos, fazendo um discurso grotesco, tentando mostrar ser um vencido paladino de trapos. Na verdade, usou do próprio meretrício para se lamentar do sistema que fez parte e ajudou a manter. Com seus quase dois mandatos irá desfrutar de uma gorda aposentadoria parlamentar pro resto da vida, feita somente para os que se rendem aos cardeais do parlamento e da corrupção. E tão logo despediu-se do fardo de ser deputado-palhaço, declarou seu voto para presidente em 2018, num condenado por corrupção, Lulla da Silva.

Não há segredos em Brasília. Tudo o que imaginávamos haver eles já o sabiam de longa data. Que o grupo político mais corrupto do país assumiu o poder, que muitos que estão presos logo estarão novamente nas ruas, e na política. Que tudo em Brasília tem um preço. Pode ser alto, mas tem preço, até um ministro do STF ou um alto araponga da ABIN. Brasília é a cidade das oportunidades e da cumplicidade. Na oportunidade se vira ministro e se enrica. Na oportunidade se consegue um crédito subsidiado e se cresce mais que toda a concorrência junta. Na oportunidade se enchem malas e mochilas de dinheiro vivo por anos a fio. E na cumplicidade se mantém o poder.

E nos tempos azedos de hoje até os milicos tem seus segredos revelados e sua covardia exposta. Como em outras plagas, aqui também se compra militar com salário e propina. Talvez não como a Venezuela ou a Bolívia, muito menos como o Egito, mas todos são fartamente abençoados por maços e oportunidades. E no país dos corruptos, até o “pai” do programa nuclear rendeu-se ao famigerado tostão de milhão. Que triste. Tornamo-nos um país de vassalos baratos, sem pátria ou ideologia. Até a esquerda putrificou-se no esgoto da corrupção e jogou no lixo a história dos que queriam liberdade e um país decente.

Não dá para negar que somos comandados por corruptos, mas que os elegemos porque também o somos. E não adianta chocar-se. Construir uma Nação é para poucos, e nós não fazemos parte desses. Seremos sempre uma esperança vencida. Aquele desejo que nunca se atende ou a vontade que nunca será saciada. Somos samba, carnaval e futebol, bunda, cerveja e uma total falta de coragem.

Não tem mais segredo. Quer lutar? Apronte-se para sobreviver, apenas isso.

Coletivismo

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Não tenho dúvida de que a vaidade e a ganância são e deverão continuar a ser os grandes males que afligem a sociedade brasileira e o país, como um todo. Os valores que nos regem há séculos, quiçá desde o nosso fatídico descobrimento, mostram-se insuficientes para que façamos deste sofrido país, algum dia, uma Nação de verdade. A paixão pelo poder que humilha nossos iguais, é tradição entre nós, ousaria mesmo dizer que faz parte do DNA brazuca, desde que um imbecil qualquer vomitou o famoso “sabe com quem está falando?”. Desde então…

É fácil ver que esta teoria é válida e ativa em nossas vidas. Quem de nós já não teve um amigo ou colega de trabalho que ascendeu e depois nos ignorou? E lá vem as assertivas dos amigos sobre o tal…”subiu e esqueceu dos amigos”, ou “deixa estar, quando eu for rico, vou fazer que nem o conheço”. Alguns podem dizer que isso é da natureza humana, mas eu lhes digo que não, isso é a natureza brasileira que aflora, em especial. Os absurdos que vivemos hoje na política são bem típicos disso. Senão, alguém arriscaria contradizer que toda essa corrupção com que nos brindam os políticos não é por ganância e/ou vaidade? Alguém ousaria negar que o poder não sublima o que temos de pior em nós, por isso todos os presidentes após o regime militar têm suspeitas de corrupção e foram eternos vaidosos no poder, sem falar de seus ministros?

Na contramão dessas vertentes humanamente rasteiras e incivilizadas está o COLETIVISMO, algo que europeus e alguns asiáticos descobriram depois de guerras. Por isso o que se valoriza lá é o público e não o individual, ao contrário de nós e de nossa esperança de sermos superiores a iguais a nós. Para aqueles que acreditam no COLETIVISMO, ser superior é ter à disposição serviços públicos, como saúde, educação, previdência, zeladoria, cultura e lazer de qualidade, não o que o nosso dinheiro suado e insuficiente pode pagar de melhor. Essa é nossa grande diferença com o mundo civilizado: eles exigem que o público seja superior para todos e nós queremos ser ricos para poder pagar o que os outros não tem. Não temos ainda a consciência de sociedade, muito menos de Nação. E é por isso que os políticos, os gananciosos e vaidosos de sempre, nos impingem planos de saúde, escolas caras, planos de previdência privada, segurança particular, condomínios fechados, carros blindados e etc.

Afinal de contas, que país é este que construímos para o futuro de nossos familiares, já que não ouso dizer para nossos vizinhos e amigos, se é que me entendem? É explícita a covardia com que nos tratam como brasileiros, esses, os vaidosos e os gananciosos. Até mesmo os menos abastados chamam-nos de “pobres”, não de brasileiros, porque eles nos veem assim. Esses gananciosos deveriam atuar com a vaidade direcionada para que todos pudessem sair das favelas e ir para uma casa digna, ter ensino e saúde de qualidade, segurança pública e não de traficantes, ou seja, um país que enxergasse a todos de forma igualitária e coletiva. Mas ao contrário do que pensamos, eles não possuem a visão distorcida, mas o caráter.

Nos juntam em cidades-dormitórios contra nossa própria vontade, enquanto tomam nossos sítios e fazendas, e nos obrigam a pagar caro o que quase de graça colhíamos. Fazem-nos pagar por um ensino que nada irá nos trazer senão a submissão classista, nada mais. Somos escravos sim! Continuamos a ser, da vaidade e da ganância de muitos que chamamos de brasileiros, mas que não nos consideram iguais. Cada um de nós significa apenas um voto e uma fonte pagadora de impostos, um pequeno tijolo que sustenta mansões, litros de combustível especial para iates e carros esportivos. Aliás, vimos muitos desses bens serem apreendidos pela Polícia Federal dos políticos famosos presos, que nós fizemos vaidosos e gananciosos.

Um povo só alcança seu status de coletividade quando pensa como alguém que precisa ser apenas um no meio de tantos, mas indiscutivelmente importante para o todo. Somente assim faremos deste um país de verdade e uma Nação com futuro. Assim foi feito na história, em todas as revoluções, e somente assim conseguiremos ser livres de verdade.

E aos que atentam hoje contra um povo e se servem da política como forma de atender às suas vaidades e ganâncias, a cadeia ou mesmo a forca, que é como devem morrer, não como vingança, mas como Justiça Coletiva, os que fizeram de seus sonhos o pesadelo de milhões. Devem ser esquecidos e relegados ao ostracismo, que cai bem aos apátridas.

Paz, Pão e Terra…Brasilis

“Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução”. 

                                                                                                              Carlos Baltazar

E o Brasil continua plantando tempestade. Os otimistas, junto com os pilantras, falam de melhoras em sorrisos sem cor, mas é ver a semana em Brasília para saber que nada disso é verdadeiro. O governo Temer é um preposto do governo petista, ou alguém duvida disso? O mesmo governo que desestruturou a política, a economia e a sociedade. Só que agora numa versão continuadamente piorada. Num país decente, o simples fato de ter contra si uma acusação de corrupção, de obstrução de justiça e organização criminosa, já renderia uma vergonha vitalícia e uma renúncia estratégica do poder. Mas aqui a vigarice é tanta que os valores morais e éticos são enxovalhados diuturnamente sem que algum desses que possuem o diploma de eleito, ou não o tenha, avoque a decência de pedir para sair.

Dois fatos simbólicos mostram o governo e a semana. A tal Luislinda mostra que ministro também é escravo de seus míseros vencimentos de 32 mil, e que quando desembargadora (imagine se uma decisão que lhe diz respeito caísse nas mãos dessa senhora?) a coisa era bem melhor. Calaram-se ela e o PSDB, o partido dos bons moços, ávidos por uns bons tostões e bons regalos de primeira, claro. Não é à toa que discursos sérios, relativos aos direitos humanos e a escravidão, sempre mal vistos e bem mal explicados, são tidos, muitas vezes, como despropositais. Pessoas assim fazem do debate algo pequeno e sem caminho.

E a mais factível das afirmações, feita pelo ministro da Justiça (cabra macho, heim?) que entregou um segredo de polichinelo: a PM do Rio tem acordo com o crime organizado nos morros e com deputados estaduais. Bom dia, comunidade! Alguém não sabia disso? A PM do Rio é a corporação policial mais corrupta do Brasil. Os traficantes dos morros são meros empregados dos patrões que desfilam na política local e nos coronelatos militares daquelas bandas. Nem componentes da velha guarda das escolas de samba acreditam que o Rio tenha solução, e que essa venha dos políticos ou da PM. Que o Christo Redemptor nos proteja.

Por fim, mais uma pataquada temerária, a redação do ENEM. Nenhum desses secundaristas metidos a Drummond poderia sequer tocar num assunto que cheirasse a desrespeito aos direitos humanos, senão nota ZERO. Alguns desses meros ocupantes da gestão nacional estão brincando de semideuses. Não, não são arroubos de censura como alguns pensam, mas pequenos poderes que, pequenos idiotas que estão lá de plantão, querem nos impor. Não há que se temer a volta de tenebrosos tempos, mas que nós deveríamos ter sido mais corajosos antes escolher manter um vice desses como presidente, sem dúvida.

O Brasil não pode temer a democracia. Quem se borra medo dela são os políticos. Não nos enganemos, não há democratas em Brasília, mas gente que quer manter-se no poder a qualquer custo, mesmo se o caminho for duvidoso em direito e liberdade. A escolha por esse governo foi feita dessa forma, tivemos medo do vazio que o poder pudesse sofrer. Mas, não há vazio de poder numa democracia.

Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução. Ou nós brasileiros assumimos com coragem o poder de decidir nossos próprios caminhos ou ficaremos sempre à mercê desses fantoches da política que nos perseguem há anos. Ou vamos para as ruas exigir decência, transparência e caráter, ou é melhor deixar baixar a canga e aceitar o jugo da escravidão moldada por eles, para nós, em pleno século XXI.