Cinzas da Folia

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Mesmo na semana do meu inferno astral, e não falo da semana de carnaval, creio que é preciso ver as cartas da mesa e saber o que queremos para o Brasil em 2018. E sem querer ser chato, este ano promete. Todo o esgaço político e social, sem dúvida irá mudar a nossa cara, quer você queira ou não. As feridas expostas entre os proeminentes candidatos prometem dar o tom das costumeiras promessas, desta vez temperadas com lamentos intermináveis sobre perseguição e injustiça.

E nesse jogo de tentar enganar, alguns mudam de nome e até a sua pitoresca ideologia política. Não possuem coragem de enfrentar seus erros e assumir o compromisso de mudar. Como cidadão é penoso admitir que todos os presidentes, pós-período militar, engalfinharam-se com a desconfiança popular ou judicial sobre suas ações na Presidência da República. Se não foram julgados é porque não houve disposição política, nada a ver com o dolo em si.

Assim foram Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. A pergunta é: não conseguimos produzir brasileiros honestos ou a política é um caso perdido? Ambos, mas com um viés que precisa ser melhor visto. Sim, temos brasileiros honestos, mas que são reticentes quanto a entrar no jogo sem regras da política. Esta, por sua vez, descambou a tornar-se o pior dos mundos para quem quer fazer o melhor pelo país. Ou alguém acha possível construir um país de verdade com gente desse naipe? É claro para todos nós que a política no Brasil não conta com o melhor que temos de capacidade ou valores pessoais. Falta-nos talvez, homens de “saco roxo”, como disse Collor, ou mulheres de “grelo duro”, como filosofou Lulla.

Dispostos a tudo para manterem-se em privilegiados territórios demarcados, onde impera o poder e o dinheiro, os partidos, ao invés de discutirem saídas para problemas do país, buscam meios de fazer valer seu espaço de interesse e mando. Num território em que a força masculina é preponderante, as mulheres continuam a embelezar a cena do crime. O que é uma pena, poderiam ser preponderantes para a mudança do nosso destino. Ao invés disso os caciques partidários mandam e desmandam para que o “sistema” continue assim por várias gerações. E crise após crise vamos vivendo de incertezas e solavancos políticos, econômicos e sociais.

É preciso mudar o tal “sistema” se quisermos ter um futuro de verdade, não aquele que mostram os programas partidários e eleitorais, repletos de euforismos e temas que remetem ao engano de nós mesmos. Para mudar a política é preciso mudar os partidos, seus mecanismos e escolhas, suas formas de constituição e comando. A participação popular, e falo de participação e decisão, não de cartas marcadas, é a razão que pode fazer com que brasileiros de bem engajem-se sem receio de tornarem-se fantoches dos crimes de outros.

Basta ver os recentes casos de nomeação de ministros, um verdadeiro circo de horrores para quem vê de fora e olha a desfaçatez com que se disputam lugares, sem que o interesse público seja observado. Pessoas são postas sem o menor critério, sem que o interesse nacional seja colocado em primeiro lugar, já que o que vale é o apoio da bancada partidária para que soluções duvidosas sejam postas em prática. Tiram-nos a possibilidade de entendimento e defesa. Ficamos expostos ao ridículo interno e externo. Vemos cada vez mais o naufrágio se aproximar sem que possamos fazer nada para impedir. Mudam presidentes como num jogo de azar, enquanto vemos apenas as apostas. E o que legitima tudo isso fica à margem da verdade e do interesse nacional.

Nas próximas eleições teremos uma mesa de jogadores que misturam a insanidade, a aventura, a mentira e o comodismo, ou seja, nada do que nos interessa no momento. Além desses, um número razoável de desconhecidos que nos representarão no Congresso, e que servirão tacitamente aos interesses daqueles caciques de sempre, sem que o povo se dê conta de seu próprio destino. E mais uma vez o “sistema” triunfará, sob protestos dos que costumam apenas legitimar suas próprias decisões.

Até quando veremos tudo isso acontecer sem que nenhum de nós se arme de coragem para mudar? Até quando meu povo será apenas servil? Quando iremos tomar nas mãos os rumos deste Brasil como brasileiros de bem e cientes de que tirar 13 milhões de empregos ou fechar milhares de empresas não é apenas prova de incompetência, mas sim um jogo de engana-trouxa da pior casta que reina neste país, a classe política.

 

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O Quinto dos Infernos

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A política deveria ser a prática de conduzir interesses através de negociação sadia e civilizada, em que as partes envolvidas, concordando ou não, não devem perder de vista o interesse primeiro e comum da sociedade. Mas ao longo do tempo, no Brasil, temos tido muitas distorções sérias nesse departamento. Não podemos negar que a base de nossa civilização deu-se por uma formação capenga de valores nacionais, o que nos expôs a tentações que até hoje movimenta de forma criminosa nosso país.

A Coroa Portuguesa pouco se importava com que fazíamos aqui, contanto que seu dote fosse regiamente enviado, a fim de suprir as necessidades da nobre Corte Lusitana. Para cá mandaram feitores de tributos a fim de arrecadar impostos e outros derivados da terra, por justa causa, mas numa proporção até hoje desavergonhada, e esses nos impuseram essa maldita prática do “por cento que me pertence”. Além dos “Quintos dos Infernos”, havia intoleráveis abusos, que até hoje são praticados pela geniosa Receita Federal.

A quase secreta “lista vip” com que o governo federal protege seus colaboradores mais próximos, em torno já de 6 mil nomes, foi criada no governo socialista do PT, mas seguiu uma linha já traçada anteriormente por FHC e seu Everardo Maciel. A Coroa Portuguesa, através de seus coletores de impostos, também tinha lá os seus protegidos, que serviam aos interesses desses, até com as “Xicas da Silva”.

O nosso nobre Tiradentes foi morto e esquartejado simplesmente porque se revoltou com a absurda carga tributária que havíamos de pagar à nossa matriz, sem que essa nos desse o devido respeito em termos de “serviços públicos”. Parece piada, mas o Brasil, 200 anos depois de Tiradentes ainda é o paraíso dos governos incapazes e corruptos que jamais tiveram preocupação com seu povo verdadeiramente. Nossa lista de líderes mais parece uma piada de mau gosto do que de fato merecemos. E o pior, é que os mais populares foram os mais canalhas. Getúlio, Jânio, Lula, Ademar, Collor, Sarney, enfim. Seria demais listar todos os grandes vultos da nossa história de corrupção.

Hoje quem entra na política na maioria das vezes sequer sabe do que se trata. Alia-se a outros que possuem a prática de fraudar os interesses da população e tentam se tornar vítimas quando são pegos em alguma operação da PF. E os que gravitam ao redor dela, idem. Os grandes bancos, os grandes empresários, a elite que deveria ser partícipe dos destinos do país, é igualmente corrupta e bem pouco nacionalista. Preferem gastar seus tostões na Europa ou EUA. Basta ver os envolvidos na Operação Zelotes da PF. É de dar vergonha.

Nosso sofrimento vem do Império, aumenta com a República, que foi somente um golpe na Monarquia para a tomada do poder, e perpetua-se até hoje na malfada Nova República, que cultiva os velhos hábitos de corrupção com muito mais ânsia do que outrora. As grandes fortunas deste país não foram feitas com o suor do trabalho de seus poderosos donos, mas com a conivência de governos, cartórios, juízes e matadores. Como não ter um país devastado pela corrupção?

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Temos a oportunidade de mostrar aos brasileiros que é possível mudar essa história. Lula foi julgado hoje em segunda instância, sob aspectos indiscutíveis de corrupção e desvio de conduta no cargo de Presidente da República. É triste, mas o fato de ser alguém como ele, pode ser um sopro de virtude que venha a se instalar dentro de nossas fronteiras. Houve crime, sim. Houve desvios, sim. Há uma tentativa de se fazer o que foi feito até hoje por todos os que frequentaram o poder: enganar o povo. Mas creio que em uns 200 anos conseguiremos mudar nossa história para algo que nos torne merecedores de um lugar sério no mundo, não apenas ser o país da corrupção e da impunidade.

República da Corrupção

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Parece uma tragicomédia, mas a verdade é que tanto Esquerda quanto Direita possuem ideologias idênticas quando o assunto é corrupção. Ao menos no Brasil. Desde sempre, os paladinos da liberalidade e os outros do estado dominante, são partícipes de inúmeras falcatruas que vem, pouco a pouco, destruindo a esperança do povo brasileiro num país que proporcione a empresários ou não, um futuro mais alegre e menos dividido por mentiras ideológicas.

Mas aí a liberdade de expressão trouxe a possibilidade de replicar outras ideologias e belos discursos, que fulminaram o crédito das desgastadas elites empresarial e política, e que tornaram-se uma espécie de ventríloquos do impossível. Novos personagens, inventados pelo desejo de mudanças, surgiram afirmando que tudo o que desejávamos era possível e estava ao alcance de todos, indistintamente. Assim suas fileiras foram engrossando em número, mas não em qualidade política.

E após um hiato descuidado dos eleitores, com Collor de Melo, a Esquerda multiplicou sua permanência no poder, culminando com a eleição de um sindicalista-caricato, alçado à condição de chefe do país da desesperança, mas que soube replicar anseios e capitalizar uma esperança que veio a tornar-se um terrível pesadelo para o país. Seus mandatos e sua continuidade, com a primeira mulher presidente do país, resultaram no maior escândalo de corrupção institucional já visto no mundo, com cifras que deixaram boquiabertos muitos dos que não criam até onde uma quadrilha da Esquerda seria capaz de chegar. E pior, sempre escoltada pelo que de pior foi produzido pela Direita.

O sociólogo FHC e seu parceiro Lulla da Silva, fizeram um teatro de horrores na gestão de um país de analfabetos. Os desdentados que sempre esperaram por um “salvador da pátria” viram-se diante da incapacidade de coexistência entre seriedade e administração pública. Nada que espante os mais avisados sobre as consequências de tais aventuras ideológicas. O populismo e o assistencialismo reinaram absolutos por anos a fio, sem que as questões de vital importância, como a manutenção dos pilares de sustentação econômica fossem notados. A corrupção alastrou-se nas mãos famélicas dos petistas, que jamais haviam visto tanto dinheiro e poder num só lugar.

A volta da quadrilha mor do PMDB ao poder tornou-se a continuidade do pesadelo para os milhões de desempregados e empregados. Reformas Trabalhista e Previdenciária a toque de caixa, típico de governos incautos e mal intencionados. E no meio disso tudo, claro, surgem os oportunistas da insanidade alheia. Reflexo da corrupção sem freio que vivemos há séculos. O pior dos mundos encontra-se sob nosso olhar de eleitores ávidos por decência, mas não a vemos. Lula e Bolsonaro lideram, por enquanto, um pleito viciado desde sua expectativa. A corrupção nos deixa cegos e loucos.

Um presidente inteiramente desconfortável em sua posição, sequer consegue nomear gente com capacidade de verdade. Está refém de partidos, quadrilhas, ideologias do absurdo. Logo cessará sua má experiência de poder. Resta saber se a Operação Lava-Jato surtiu algum efeito em nós, eleitores, pagadores de impostos, donos do Brasil. Ou será mais um capítulo sem gosto do desgosto de nossa história.

Homens, mentiras, ideologias, sacrilégios. O que estão fazendo de e com nós? Somos reféns de nossa própria ignorância e desvirtude. Somos os fiéis que se encantam com pregações sem nexo e verdade. Somos seguidores de um bando que nos assalta sem armas, mas que mata muitos de nós, milhares, às dúzias. A corrupção que se desnudou por estes tempos é o mais cruel retrato do que temos de enfrentar. Na Lei ou na bala, se for o caso. Perpetuamente.

Ordinários, marchem!

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As Forças Armadas constituem a base da segurança e legitimidade dada aos governos eleitos democraticamente no país. Mas quem conhece um pouco a comunidade de informações militar sabe que esse é um recado dado, por quem sabe se fazer entender. O atual ministro do Exército é um almofadinha, que tenta liderar a força, desde os governos do PT, com um discurso de intelectualoide três estrelas. O general do Exército da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão, que já foi Comandante Militar do Sul, foi transferido para Brasília, porque os petistas ficaram amedrontados com seu discurso e sua força militar, que poderia marchar até a capital. O medo de represálias e outros fatores, fizeram Lula e Dilma nomear fantoches para o comando das forças armadas, afinal eram guerrilheiros intelectuais e assassinos que estavam a comandar o país. Mas essa prática de enfraquecimento iniciou-se com FHC e sua didática de gestão Comunista Fabiana. Com ele as forças militares começaram a amargar cortes sucessivos de recursos, projetos e espaço. Lula seguiu seu padrinho e continuou o sufocamento e o desmonte militar. Dilma, o fantoche de Lula, seguiu suas ordens. E os comandantes militares dos petistas chegaram ao cúmulo de permitir todo tipo de interferência dos petistas em suas forças que, até mesmo há uma investigação sobre a presença de um dos filhos de Lula no recebimento de propina por conta da compra dos jatos de guerra SAAB-Gripen.

Não adianta negar que a política no Brasil faliu, por culpa da corrupção e pela inabilidade dos políticos. E pior, seu destino está nas mãos do Judiciário brasileiro. Quer coisa pior? Uma das piores elites que este país já produziu, e que se perpetua há quase 500 anos. Muitas das grandes fortunas deste país foram feitas por decisões judiciais duvidosas e por ações ilegais amparadas por essas mesmas decisões. Claro que o nível de corrupção no judiciário tem outro patamar, talvez um pouco mais próximo do que pudemos ver nos últimos noticiários, com os irmãos Batista. E os governos do PT trouxeram um agravamento absurdo no perfil desse judiciário que vemos hoje. Um poder ainda mais descolado da corrupção no Brasil e de sua sociedade. A ponto de termos uma Corte Suprema integralmente politizada. Não é à toa o recado do General Mourão aos senhores do judiciário brasileiro. A bola está com eles.

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O PMDB, desde sempre fiel escudeiro do PT, portanto igualmente corrupto, ou pior, tem mostrado que o país está na mão de bandidos. Temos presidente para dizer que temos, simples assim. Tal qual seu irmão de eleição, o PMDB possui também seu núcleo político-criminoso. E o chefe, segundo a Polícia Federal, não é ninguém mais do que mais um Presidente da República. Desde a “redemocratização” todos os presidentes do Brasil estiveram e estão envolvidos com corrupção. Isso é uma temeridade. É uma blasfêmia contra o povo humildade e pobre do Brasil. A corrupção não é exceção, mas pratica corriqueira no Brasil.

O que fazer, mudar novamente a capital do pais, como ocorreu há algumas décadas ou estabelecer leis capitais para tais senhores? Quando no Rio a corrupção estava igualmente endêmica, às raias da indecência pátria. Brasília foi um sonho que Juscelino perpetuou com um custo que até hoje a previdência não consegue suportar. Muitos ficaram milionários, inclusive o chefe do clã dois Batista, que vendia carne para as empresas que construíam a capital. Não poderia mesmo dar certo. Brasília já nasceu sob a égide da corrupção e da junção de capitães do mato, jagunços, coronéis e pistoleiros. E ainda hoje o é. Vez ou outra vemos lá um deputado ou senador nomear outro como “vossa excelência é senhor de jagunços”. Como pode dar certo?

Se acaso as Forças Armadas tomarem o poder novamente em suas mãos, será uma catástrofe, não pelos efeitos dessa própria ação, mas pela definitiva e patente incapacidade dos brasileiros civis em conduzir seu próprio destino, com decência e nacionalismo. Comunistas, Socialistas, Liberais, Democratas, todos frouxos em seu patriotismo e canalhas em suas ambições. Destruir as chances de construir uma Nação de verdade, pelo preço medíocre de serem mais ricos, num país de miseráveis. Pecado Capital, sem perdão. Deveriam ser julgados numa corte militar ou pelo próprio Deus em pessoa.

Agora são outros 500…

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Para entender um pouco os tempos atribulados de hoje, é preciso voltar aos “anos de chumbo”, quando o regime militar instituiu um formato de repressão que desorientou fortemente as forças políticas que lutavam contra o regime. A forte ação do regime causou a desmobilização de muitos dos grupos que lutavam por liberdade e direito às ideologias que queriam ver implantadas no país. Mas o confronto urbano e no campo deixou sérias sequelas em muitos dos ideólogos desses movimentos. E muitos tornaram-se apenas um discurso, sem a ação necessária. Daí veio a surgir Lula da Silva, um escolhido pelo sistema para fazer parte da transição necessária do poder novamente aos civis. Escolhido à dedo, diga-se. Lula da Silva foi alçado à condição de líder de um sindicato patrocinado pelas poderosas multinacionais automobilísticas, que necessitavam de interlocução forte entre seus milhares de funcionários. Naquele momento não se podia correr riscos.

Alguns renomados uspianos foram destacados para compor o perfil mítico de Lula, para que não houvesse dúvidas de sua capacidade de liderança. Claro que muito teve de ser feito, afinal não bastava ser um líder sindical, era preciso agregar a ele um perfil de “líder social”, capaz de conter abusos num Brasil que deveria voltar a ser “uma democracia civil”. E todo o teatro montado sobre esse verossímil personagem deu resultado. E tanto deu resultado, que até a Igreja Católica, aproveitou-se da proximidade de alguns desses movimentos de resistência, pegou carona na pseudoliderança de Lula e acoplou algumas de suas doutrinas ao discurso dele. E que foi finalizado com a ideologia uspiana de alguns bacharéis sociais, que viram em Lula uma forma de alcançar o poder rapidamente após esse período de exceção, em que os militares não se atreveriam a contestar uma liderança “nascida do povo”.

Daí foi engendrado o que se chama hoje Partido dos Trabalhadores. Um feudo repleto de teóricos bancados pelo Grupo 14 da Fiesp. Grupo de empresas esse que deu muitos recursos para Lula nas negociações coletivas de trabalho, em que ele comandava a categoria como se estivesse regendo uma manada de indivíduos sem noção do que estava por vir, em seu nome. E não dá para dizer que Lula não foi inteligente, ao contrário, ele deu um nó em todos os teóricos da USP, da Igreja e assumiu o controle do PT e dos muitos movimentos de Esquerda que haviam se abrigado no partido.

Começou aí a desestabilização política da Esquerda. Lula e o seu PT chamaram para si a responsabilidade pelas conquistas que todos os movimentos de Esquerda tinham, como ideário. E como muitos desses não tinham liderança suficiente, simplesmente se prostraram diante da liderança maior de Lula e do PT.  Por isso o Partido dos Trabalhadores foi o maior responsável pela desestruturação dos movimentos e do pensamento da Esquerda no Brasil. E essa desestabilização afetou, por mais irônico que possa parecer, também a Direita, já combalida pela perda do poder pelos militares. Ou seja, Lula consegue em uma só tacada, desestruturar a política nacional como um todo. Alguns dos líderes de então correram para recuperar o tempo perdido e tentaram inovar um discurso que pudesse surtir efeito junto a um eleitorado ávido por votar e sentir os ares da nova democracia. O maior “partido” de oposição, o MDB, esfacelou-se em vários grupos que abrigava e mudou de nome para PMDB. Até a ARENA, que era o partido dos militares, tentou tornar-se mais palatável ao eleitorado virando PDS.

A estratégia eleitoral do PT era bem simples “somos contra”. Ao mesmo tempo em que usava “discursos prontos” de um mundo quase utópico. Cativou com isso uma parcela cativa na população. Não importava qual motivo, mas era preciso ser do contra, sempre. O PT, por exemplo, não apoiou o Plano Real, não assinou a Constituição de 88, não participava de governos como aliado, enfim, fez o jogo político para alcançar seu objetivo que era o de chagar ao poder sozinho e sem testemunhas. E para isso contava como seu maior cérebro e que Lula soube usar muito bem, como seu fiel escudeiro, José Dirceu. E coube a esse o fardo de negociar com as elites financeiras e empresariais do país, tranquilizando-as de que nada de ruim seria cometido contra elas, para que dessem enfim seu apoio ao plano do PT de chegar ao poder levando à frente seu líder maior, Luiz Inácio Lula da Silva, que já havia disputado e malogrado várias eleições à presidente. E chegou a hora de Lula encenar seu maior papel na política nacional: a de presidente de república.

E foi como presidente que Lula finalmente mostrou que seus ideólogos estavam errados quanto ao seu caráter. Lula sabia o que queria para si e para seu grupo de domínio, sem nunca esquecer das poucas migalhas dadas aos históricos movimentos de Esquerda que iam com ele aonde fosse. Lula tratou bem de banqueiros e empresários. Montou uma estrutura de financiamento partidário-eleitoral que jamais havia se visto no Brasil. E tudo com o intuito de perpetuar-se no poder e junto com ele o PT. Enquanto isso os combalidos movimentos de Esquerda viam cada vez mais remotas as suas chances de tornarem-se protagonistas de políticas públicas que tivessem o seu perfil ideológico. Sequer podiam discutir novos formatos de política nacional porque Lula e o PT eram hegemônicos e não permitiam dissidentes. E os que foram, foram apedrejados como mercadores de ideologias.

Mas a ganância política de Lula e do PT chegou a tal tamanho que, ter uma maioria congressual não valia tanto. O objetivo era mandar na política como nunca se havia feito. E quem fosse do contra seria varrido do mapa, como Lula chegou a afirmar uma vez, que iria varrer o partido PFL do Brasil. Ou seja, Lula adquiriu a insensatez do poder, o mais maléfico dos defeitos. E assim foi, e assim fez. Mergulhado em denúncias de corrupção, Lula e PT viram-se acuados em sua própria justificativa. Começou aí a desabar o sonho do poder sem limites de Lula, José Dirceu e do PT, e que culminou em sua condenação por quase dez anos de cadeia e muitos dos seus membros a muitos anos mais.

Hoje há alguma tentativa de reorganização da Esquerda, e da própria Direita no Brasil, mas a timidez desses movimentos está baseada em compromissos históricos que jamais serão cumpridos. A Esquerda, tanto quanto a Direita, precisam de uma nova visão sobre o Brasil, que vive um novo contexto histórico, tentando varrer antigos coronéis e velhas lideranças políticas, carcomidas pelo tempo. É preciso que surja uma Nova Esquerda e sim, uma Nova Direita, composta não por idealistas somente ideológicos, mas, principalmente, por pessoas que possuam um nacionalismo febril, que saibam entender os anseios, os novos anseios, da população brasileira. Que possuam um engajamento pessoal em causas que não são suas, mas de milhões. Não dá para ter sociólogos brilhantes ou líderes sindicais atrelados a coronéis da velha política, com fizeram nossos últimos presidentes. Muito menos infiltrar uma liderança sem propósito como Dilma num cenário que não lhe cabia, que não a apetecia.

É preciso que a Esquerda e a Direita construam novas lideranças e que essas se renovem num processo político mais vigoroso e menos acanhado. O Brasil possui espaço para muitas ideologias, mas não para novos líderes de papel ou de fantasia. Lula foi o último dos fantoches do poder, assim como o foram Sarney, Collor, Itamar, FHC, Dilma e agora Temer (quem?). É preciso passar uma linha na história do Brasil. Um meridiano que nos separe para sempre desses tristes séculos de corrupção e descaso com nossa população.

A política precisa evoluir indistintamente de ideologias e formatos. O Brasil de hoje é muito mais complexo do que velhas teorias econômicas ou sociais. Temos que evoluir para um modelo próprio de condução política, que nos dê base para a construção de um futuro menos desigual. Consolidar instituições que nos levem a um controle social maior do que hoje há. Renovar leis, condutas, pactos. E isso só será possível com uma nova política e novos líderes. Projetos de governo que possuam ideologias factíveis com o que vivemos hoje, não somente utopias que fizeram de nós escravos permanentes de um Estado sem propósito público.

CRIANÇAS COM BANDEIRA DO BRASIL

A política deve libertar o Brasil e o nosso povo. Por isso Esquerda e Direita, se é que ainda podemos usar termos tão gastos e distantes da realidade, devem ter um compromisso moral com o futuro deste país e de seu povo. Não podemos abdicar de nosso papel histórico. Os outros já definiram os seus. Cabe a nós definirmos o nosso.

 

Acorda, Brasil !

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Os brasileiros, essa trupe empertigada de sofrimentos, vive o tormento do porquê, afinal de contas, este país não deslancha finalmente e assume uma situação que todos esperamos desde que alguém professou o celebre adjetivo: “o país do futuro”. Não foram poucas as crises porque passamos juntos, unidos numa esperança que parece não ter fim. Mas que hoje, com essa crise política que mais parece um terremoto institucional, vai arrefecendo.

A título de exemplo, uma questão que nos é fundamental mostra, em detalhes, toda o desleixo com que nossos representantes vêm tratando “o país do futuro”. O comércio exterior, que possui um potencial de desenvolvimento importantíssimo, e que poderia nos trazer uma condição de melhoria social e estrutural, vem, desde os governos de FHC e Lulla, sendo tratado com um viés ideológico e numa total afasia de vislumbrar alguma perspectiva para o país.

Tentando impor-se com uma filosofia praticada apenas pelos que desconhecem os ritos econômicos mundiais, o Brasil tentou apoio político e econômico em países que correspondem a uma porção insignificante do PIB mundial. E até mesmo ditaduras sangrentas entraram na baila. FHC e Lulla trilharam caminhos idênticos porque são defensores das mesmas práticas políticas. E lá fomos nós tentar comprar e vender para o Mercosul, África, Oriente Médio e Oceania, deixando de lado mercados de ponta, como EUA e Europa. Resultado prático: acumulamos prejuízos, dívidas não pagas e perdemos mercados importantíssimos para o sustento e desenvolvimento de nossa economia.

Enquanto isso, alguns de nossos grandes concorrentes, em áreas de negócios e produtos construíam acordos bilaterais com vantagens mútuas, enquanto continuávamos a esperar o grande acordo da OMC, que nunca veio. O acordo com a União Europeia, que nunca veio. E ficamos nós assim, na eterna esperança.

Se analisarmos os últimos presidentes civis do Brasil, vemos que nossa esperança deve continuar se quisermos um dia ser mesmo “o país do futuro”. Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lulla, Dilma, Temer. O que lhe parece isso, um rol de ilustres ou um bando que ousou liderar o Brasil por um caminho sem contorno de um objetivo planejado de forma nacional? Se juntarmos todas essas ideologias sociais e econômicas teremos um balaio de gatos vira-latas. Um capitão-do-mato, um playboy, um sei-lá-o-quê, um sociólogo ambíguo, um operário (sic) sem causa, uma paraquedista que nos logrou a pior crise política e econômica da história. E por fim um diabólico político que ousa aviltar o país com denúncias de propinas na casa dos 500 milhões de reais.

Talvez não sejamos bons de comércio e negócios. Mas de certo somos bem piores de nacionalismo e amor à pátria que nos abriga. Enquanto isso, nossos concorrentes velejam em mares menos bravios, ganhando mercados, refastelando-se no que não somos capazes de acordar. Tenho a ligeira desconfiança de que nos acordos que somos bons, outros países não fazem questão de participar.

Moqueca na Caserna…

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Para deixar claro de início, não sou um intervencionista, mas desejo que o meu país possua militares com capacidade suficiente para defender seu território, valores e futuro. Afinal, eles são os encarregados disso. Mas é perceptível que as forças armadas do Brasil adquiriram um letal complexo de vira-latas após o período do regime militar, nos anos 60. E quebraram a cara mesmo. Meteram-se com vários civis que os fizeram de otários. Delfim Netto (conselheiro pessoal de Lulla), Ernane Galvêas, Paulo Maluf, Shigeaki Ueki e vários outros. E no campo da repressão não foi diferente, com o delegado Fleury e outros de igual calibre.

O certo é que muito da formação da caserna mudou desde então. Como nunca foram chegados à uma batalha de campo, os militares reservaram-se em cuidar de sua sucateada força e ideologia. Marginalizada em verbas e decisões nos governos civis que os sucederam, os milicos começaram a ver que o negócio era brigar, mais por salários do que por ter forças realmente prontas para lutar pelo Brasil. As Forças Armadas no jargão do povo, “viraram Brasil”. Nada pior de acontecer. Nos governos fabianos de FHC, o comunista mais enrustido deste país, quase foram à falência, já que o sociólogo-presidente preferiu beneficiar bancos falidos e teles ávidas pela estrutura nacional de comunicações montada pelos governos militares.

Depois veio Lulla, que subjugou os militares à sua vontade como ninguém havia feito. Colocou à frente dos ministérios representantes das forças que mais pareciam ventríloquos do poder presidencial. E os humilhou de tal forma, a ponto de colocar vários comunistas na alta estrutura do ministério da defesa. Com Dilma não foi diferente.

Mas o que me chamou a atenção foi a recente declaração do ministro do exército, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, rasgando o véu do templo ao proclamar que a intervenção da Forças Armadas em 1964 foi um erro – “O Brasil da década de 30 e 50 foi o país do mundo que mais cresceu, com Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek. Nos governos militares, nas décadas de 70 e 80, nós cometemos um erro, nós permitimos que a linha da Guerra Fria nos atingisse, e o país, que vinha num sentido de progresso, perdeu a coesão”.

Parece que a ESG não anda fazendo seu trabalho de formação da tropa a contento. Exaltar Getúlio Vargas, um ditador populista e covarde? Ou Juscelino, que torrou todo o dinheiro do FGTS que havia na época para construir Brasília e enriquecer os empresários que repartiam ganhos, tal qual os que hoje mostram suas caras deslavadas na Lava Jato? São esses, General, os seus ídolos? Guerra Fria? Por acaso deixamos de comprar ou vender para a URSS ou do seu bloco? Não.

Essa parece ser a qualidade dos militares brasileiros de hoje. Conhecem (?) de política, mas pouco do que é ser um soldado de verdade. Enquanto Brasília pegava fogo e os ministérios eram depredados, num confronto político declarado que pode nos causar sérios danos sociais, o nosso brilhante general estava bem à vontade, no Instituto Fabiano de FHC, falando sobre segurança de fronteira.

Não dá para imaginar, nós pobres brasileiros, que a caserna seja um oásis de civismo e brasilidade no meio de nosso pouco nacionalismo varonil verde e amarelo. As forças vêm de nós, por isso padecem dos mesmos estigmas: corrupção, falta de liderança, falta de patriotismo e, talvez o pior de todas essas qualidades…a covardia.