Cinzas da Folia

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Mesmo na semana do meu inferno astral, e não falo da semana de carnaval, creio que é preciso ver as cartas da mesa e saber o que queremos para o Brasil em 2018. E sem querer ser chato, este ano promete. Todo o esgaço político e social, sem dúvida irá mudar a nossa cara, quer você queira ou não. As feridas expostas entre os proeminentes candidatos prometem dar o tom das costumeiras promessas, desta vez temperadas com lamentos intermináveis sobre perseguição e injustiça.

E nesse jogo de tentar enganar, alguns mudam de nome e até a sua pitoresca ideologia política. Não possuem coragem de enfrentar seus erros e assumir o compromisso de mudar. Como cidadão é penoso admitir que todos os presidentes, pós-período militar, engalfinharam-se com a desconfiança popular ou judicial sobre suas ações na Presidência da República. Se não foram julgados é porque não houve disposição política, nada a ver com o dolo em si.

Assim foram Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. A pergunta é: não conseguimos produzir brasileiros honestos ou a política é um caso perdido? Ambos, mas com um viés que precisa ser melhor visto. Sim, temos brasileiros honestos, mas que são reticentes quanto a entrar no jogo sem regras da política. Esta, por sua vez, descambou a tornar-se o pior dos mundos para quem quer fazer o melhor pelo país. Ou alguém acha possível construir um país de verdade com gente desse naipe? É claro para todos nós que a política no Brasil não conta com o melhor que temos de capacidade ou valores pessoais. Falta-nos talvez, homens de “saco roxo”, como disse Collor, ou mulheres de “grelo duro”, como filosofou Lulla.

Dispostos a tudo para manterem-se em privilegiados territórios demarcados, onde impera o poder e o dinheiro, os partidos, ao invés de discutirem saídas para problemas do país, buscam meios de fazer valer seu espaço de interesse e mando. Num território em que a força masculina é preponderante, as mulheres continuam a embelezar a cena do crime. O que é uma pena, poderiam ser preponderantes para a mudança do nosso destino. Ao invés disso os caciques partidários mandam e desmandam para que o “sistema” continue assim por várias gerações. E crise após crise vamos vivendo de incertezas e solavancos políticos, econômicos e sociais.

É preciso mudar o tal “sistema” se quisermos ter um futuro de verdade, não aquele que mostram os programas partidários e eleitorais, repletos de euforismos e temas que remetem ao engano de nós mesmos. Para mudar a política é preciso mudar os partidos, seus mecanismos e escolhas, suas formas de constituição e comando. A participação popular, e falo de participação e decisão, não de cartas marcadas, é a razão que pode fazer com que brasileiros de bem engajem-se sem receio de tornarem-se fantoches dos crimes de outros.

Basta ver os recentes casos de nomeação de ministros, um verdadeiro circo de horrores para quem vê de fora e olha a desfaçatez com que se disputam lugares, sem que o interesse público seja observado. Pessoas são postas sem o menor critério, sem que o interesse nacional seja colocado em primeiro lugar, já que o que vale é o apoio da bancada partidária para que soluções duvidosas sejam postas em prática. Tiram-nos a possibilidade de entendimento e defesa. Ficamos expostos ao ridículo interno e externo. Vemos cada vez mais o naufrágio se aproximar sem que possamos fazer nada para impedir. Mudam presidentes como num jogo de azar, enquanto vemos apenas as apostas. E o que legitima tudo isso fica à margem da verdade e do interesse nacional.

Nas próximas eleições teremos uma mesa de jogadores que misturam a insanidade, a aventura, a mentira e o comodismo, ou seja, nada do que nos interessa no momento. Além desses, um número razoável de desconhecidos que nos representarão no Congresso, e que servirão tacitamente aos interesses daqueles caciques de sempre, sem que o povo se dê conta de seu próprio destino. E mais uma vez o “sistema” triunfará, sob protestos dos que costumam apenas legitimar suas próprias decisões.

Até quando veremos tudo isso acontecer sem que nenhum de nós se arme de coragem para mudar? Até quando meu povo será apenas servil? Quando iremos tomar nas mãos os rumos deste Brasil como brasileiros de bem e cientes de que tirar 13 milhões de empregos ou fechar milhares de empresas não é apenas prova de incompetência, mas sim um jogo de engana-trouxa da pior casta que reina neste país, a classe política.

 

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Sem Segredos

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Nestas últimas semanas vimos que o Brasil se supera a cada dia. Não é de hoje que malandros das mais variadas matizes tomaram de assalto a Presidência da República, o Congresso e o STF. A maioria de nós tem visto perplexos os enredos criminosos em que figuras de altas patentes deixaram-se revelar. Presidentes de partidos, ex-governadores, ex-ministros, enfim, a mais alta corte política sendo posta a nu em suas práticas mais devassas. Nada de novo para um sistema político e de gestão falidos, não conseguem manter-se sobre as próprias pernas sem que arraste a todos nós para o lodaçal.

Todos, sem exceção começam a padecer dos piores males após decretada sua prisão. Patético, vergonhoso, medíocre. Homens feitos não tem a hombridade de assumir seus pesados erros. Covardes. Usam muletas, bonés, outras faces. Definham breve e só voltam a corar após um valioso habeas corpus do STF. Homens pequenos, de um país sem rumo e sem pátria.

O povo, sempre enganado, continua a crer em milagres, dos que vieram da mesma lástima, e vai em busca da armadilha final, e eleger condenados como se nada tivessem cometido. O povo sabe votar? Não, não sabe. Vimos sendo ludibriados há anos e ainda temos coragem de continuar a carregar nossa canga, mesmo feridos e fracos.

Vi e ouvi, o que me chocou, claro, um palhaço eleito com milhões de votos, fazendo um discurso grotesco, tentando mostrar ser um vencido paladino de trapos. Na verdade, usou do próprio meretrício para se lamentar do sistema que fez parte e ajudou a manter. Com seus quase dois mandatos irá desfrutar de uma gorda aposentadoria parlamentar pro resto da vida, feita somente para os que se rendem aos cardeais do parlamento e da corrupção. E tão logo despediu-se do fardo de ser deputado-palhaço, declarou seu voto para presidente em 2018, num condenado por corrupção, Lulla da Silva.

Não há segredos em Brasília. Tudo o que imaginávamos haver eles já o sabiam de longa data. Que o grupo político mais corrupto do país assumiu o poder, que muitos que estão presos logo estarão novamente nas ruas, e na política. Que tudo em Brasília tem um preço. Pode ser alto, mas tem preço, até um ministro do STF ou um alto araponga da ABIN. Brasília é a cidade das oportunidades e da cumplicidade. Na oportunidade se vira ministro e se enrica. Na oportunidade se consegue um crédito subsidiado e se cresce mais que toda a concorrência junta. Na oportunidade se enchem malas e mochilas de dinheiro vivo por anos a fio. E na cumplicidade se mantém o poder.

E nos tempos azedos de hoje até os milicos tem seus segredos revelados e sua covardia exposta. Como em outras plagas, aqui também se compra militar com salário e propina. Talvez não como a Venezuela ou a Bolívia, muito menos como o Egito, mas todos são fartamente abençoados por maços e oportunidades. E no país dos corruptos, até o “pai” do programa nuclear rendeu-se ao famigerado tostão de milhão. Que triste. Tornamo-nos um país de vassalos baratos, sem pátria ou ideologia. Até a esquerda putrificou-se no esgoto da corrupção e jogou no lixo a história dos que queriam liberdade e um país decente.

Não dá para negar que somos comandados por corruptos, mas que os elegemos porque também o somos. E não adianta chocar-se. Construir uma Nação é para poucos, e nós não fazemos parte desses. Seremos sempre uma esperança vencida. Aquele desejo que nunca se atende ou a vontade que nunca será saciada. Somos samba, carnaval e futebol, bunda, cerveja e uma total falta de coragem.

Não tem mais segredo. Quer lutar? Apronte-se para sobreviver, apenas isso.

Entrevista para o Canal Bom Saber

Confira minha entrevista para o Canal Bom Saber. Claro, falo de política, mas também uma análise da conjuntura econômica e social do Brasil e do mundo. Curta a entrevista e o canal.

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Bancada do Crime

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Assim que foi aprovado, o financiamento público de campanha gerou em alguns uma ilusão de que a política iria lidar a partir de então com uma realidade mais democrática. A partir dali o poder econômico ficaria fora do jogo, afinal todos os partidos e candidatos teriam uma só fonte de financiamento, o dinheiro de todos nós, e não mais das empresas e instituições provedoras. Engano geral.

A fonte de financiamento público está gerando ainda mais distorções dentro dos partidos. Afinal quem é que gerencia esses recursos? A, B ou C? A que grupo pertence? A que facção? Os partidos não são instituições democráticas. E por consequência não aplicam a democracia internamente, quanto mais na sociedade que deveriam representar.

Cada um dos 35 partidos atuais possui interesses institucionais claros. Só não vê quem não quer. Os que lidam com política sabem que não é possível fazer uma campanha política, no formato de hoje, com esse misere de recursos públicos. Bem, e o que provavelmente acontecerá? Os partidos irão se socorrer das instituições que representam. E muitas dessas provavelmente recebem algum tipo de recurso público ou possui parte de suas contas no famoso caixa dois, três, quatro ou cinco.

Mas a malfadada extinção do financiamento privado de campanha criará uma calamidade ainda maior: o dinheiro do crime organizado vai se espalhar por todo o processo político brasileiro. E isso é catastrófico. Sabemos que o crime já possui seus representantes no Congresso, nas assembleias legislativas, câmaras municipais, no alto judiciário e nos poderes executivos, pelo Brasil afora.

Essa representatividade de certa forma está contida hoje, mas com certeza no próximo pleito teremos, sem sombra de dúvida, muitos partidos envolvidos com o crime organizado como forma de se financiar e a seus candidatos. Ficção. Basta ver a expertise do PT nestes últimos anos no poder. Uma verdadeira organização que presumia retirar do público os recursos necessários para si e outros.

Da forma como o país está desestruturado, as instituições cambaleantes, e muitos dos que perjuram o poder estão presos aos tentáculos da criminalidade institucionalizada, não é difícil prever que o crime organizado, seja ele o banditismo comum ou a instituições paralelas de poder ao Estado, terão seu número de representantes bem ampliado.

O pior, é que vem aí uma engendrada reforma política, bancado por muitos dos que precisam se livrar do jugo da lei, bem como os que querem perpetuar-se como forma de isentar-se do perigoso balaio da política brasileira. Deus nos acuda, nos ajude e nos perdoe.

Partidos ou inteiro ?

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Trinta e cinco partidos legalizados e mais trinta e quatro em gestação. Essa a aritmética partidária do Brasil atual. Mas afinal o que fazem todas essas instituições se vislumbramos uma política destrutiva e apodrecida em meio à uma sociedade perplexa e inquieta. O que fazem os partidos e qual a sua real função no universo político nacional? Vou tentar descrever o que seria o paraíso diante do inferno que hoje nos faz purgar a maior crise político-institucional que o Brasil já tinha vivido.

Afinal para que servem os partidos políticos, senão canais organizados para que a sociedade possa participar ativamente do processo eleitoral e de gestão do país? Pois bem, será que isso está sendo feito? Não creio. O trágico hiato político que o período militar obrigou o país nos causa ressentimentos até hoje. Mas talvez o que mais nos faz sofrer em consequência é o descostume da participação política e, por consequência, do controle social sobre os partidos.

Os partidos políticos tornaram-se meros cartórios de interesses corporativos e institucionais, quando não da corrupção e do crime institucionalizados. Não dá para ver um partido como uma instituição puramente representativa de parcela da sociedade, com características de ideais e ideologia, dessa mesma. Mas como grupos meramente organizados para buscar o poder ideológico e práticas nem sempre republicanas de exercício desse mesmo poder.

A mera ligação desses partidos com alguma instituição já lhes tira a característica básica de existir e de criar fórmulas mais eficazes de representatividade social e de gestão voltada para o todo. Mas a prática não condiz com isso. Ao contrário, muitos partidos são apenas cartórios do poder e balcão de soluções facilitadas para as várias dificuldades encontradas na burocracia paralela do poder. Sem falar naqueles que somente servem como “agência de representação” de outras instituições que nada tem a ver com a política. Esses desvios de finalidade geram, incontestavelmente, desvios de caráter que desembocam na corrupção arraigada nos costumes da nossa pátria mãe.

Senão vejamos. Os partidos recebem o tal Fundo Partidário, que é na verdade dinheiro à vontade para poderem manter-se vivos e ampliar seu poder de existir. Mas é só isso? Não. Cada partido possui uma “fundação” que deveria observar regras de ação e incentivo à participação e formação política da sociedade. Mas não é isso que acontece. Os partidos ditos de esquerda comumente usam suas fundações para aprofundar a “ideologização” cega de seus membros, ou como querem alguns, a tal “lavagem cerebral”. Por outro lado, outros gastam seus(nossos) recursos para fazer de conta que a sociedade realmente está sendo formada em seus direitos e participação política e assim aperfeiçoarmos o cambaleante sistema de representação democrática.

As grandes manifestações de 2013 mostraram que a população está pouco se lixando para os partidos políticos. Bandeiras de algumas agremiações que se atreveram a estra lá, foram sumariamente queimadas. E até hoje os partidos não sabem afinal o que era tudo aquilo que se viu nas ruas. Tornaram-se, desde então, ainda mais obsoletos e dispensáveis ao processo de representação política. Verdadeiros zumbis da democracia nacional.

E se acaso não houver uma renovação partidária drástica, em 2018 muitos partidos nem saberão o que dizer aos eleitores. Arrisco dizer que fatalmente usarão seus melhores estrategistas para falar de…corrupção. Serão varridos para ainda mais longe da sociedade que os abriga. Aliás, a maioria nem sabe o que dizer hoje, quanto mais em 2018. Calam-se diante das denúncias da mais absurda corrupção já praticada na história da humanidade.

Triste, mas os partidos políticos são responsáveis por todo esse aparato de corrupção encastelado no poder público. E pelos meliantes que se escondem em suas entranhas para roubar dos que esperam um novo líder a cada dia. Nossa frágil democracia padece por isso e por ter nesses partidos seus últimos fios da mais ingênua esperança.

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O Brasil carece de partidos políticos. Ouso dizer isso quando mais de 35 partidos agem, e creio ser esse o termo correto, no sistema político brasileiro, como cartórios de interesses e instituições legais e não legais. O vilipêndio é tanto que chega ao ponto de organizações criminosas usarem essas estruturas para tutelar o Estado e até mesmo a Sociedade. E para saber a fisionomia e interesse da cada um deles é só ir ao site do TSE e ver as respectivas executivas. Tanto nacional, quanto estaduais. Lá estampam-se suas intenções. Serão nomes conhecidos e desconhecidos, mas todos cartoriais. Substrato do que nos foi legado por FHC, Lulla e Dilma nesses anos inglórios. E agora Temer, surfando num sistema de coalizão partidária que para manter-se no poder faz do Congresso uma feira de negócios, legais e não legais; e estes, os mais atraentes. Não é segredo histórico que o grande empresariado no Brasil viveu sempre às custas dos governos, desde o Império. Mas depois do advento do PT no poder, os governos resolveram literalmente viver às custas dos empresários, que continuam vivendo às custas dos governos, ou de nós, para ser mais exato. Eis o círculo diabólico e vicioso da corrupção. Não é à toa que os mais santos parlamentares e os mais instituídos partidos, votaram para desfigurar o projeto das dez medidas contra a corrupção, patrocinado pelo MPF e pela sociedade. Não é à toa que mesmo os partidos ligados às diversas instituições religiosas, por consequência menos expostos ao pecado, votaram contra a vontade da maioria da população. Isso mostra que no Brasil não existem partidos, mas grupos políticos. Por isso nossa sofridão democrática e nossa luta contra um estado de coisas, parece não ter fim ou medida. Reforma política no Brasil é patrocinada pelos que devem ficar continuamente no poder. E os partidos são os grandes fiadores desse estado de coisas, porque são seus arapongas que escolhem, quase que divinamente, quem será ou não candidato nas vindouras eleições. Eles decidem em quem você vai ou não vai votar. Isso não é poder demais? Não, e eu nem vou falar em fundo partidário, instituído nos moldes da fatídica coalizão. Ou seja, mais dinheiro para um lugar e para pessoas que nem você ou eu conhecemos. Já há movimentos, tanto no MPF quanto na população, para acabar com essa farra de poder absoluto dos partidos. Governos e partidos são para servir a sociedade e seus grupos sociais na plenitude, não institucionalmente. Temos que tomar os partidos para a sociedade. Afinal, quem são seus presidentes? Que interesses possuem? A nossa democracia não é verdadeira, é um fake. Está em dúvida? Confirme como votou seu deputado e seu partido nessa questão da corrupção. Partidos políticos servem, ou deveriam servir, como alento e esperança para à uma sociedade que clama há séculos por decência. Ao contrário, continuam a ser um amontoado de grupos de interesse particular, com retóricas gastas e fórmulas maculadas pela mentira. Infelizmente essa é uma esperança que, nos moldes atuais, não irá virar realidade. Não com esses partidos, não com essa nossa mobilização social.

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p.s.: há pouco, o presidente do Senado, Renan Calheiros, recusou-se a cumprir a ordem de afastamento do STF. Colocou em xeque uma ordem judicial da Suprema Corte. O que há por trás disso? Uma crise institucional, ou um golpe dentro do golpe? Enquanto os partidos forem comandados por pessoas que se interessam pela balbúrdia institucional e pelo interesse individual, nunca seremos uma democracia de verdade.