Arquivo para Política

Entrevista para o Canal Bom Saber

Posted in Arte, Atitude, Atualidades, Comentário, Eleições, Lava-Jato, Mídia, Notícias, Opinião, Polícia, Política with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 04/08/2017 by Carlos Baltazar

Confira minha entrevista para o Canal Bom Saber. Claro, falo de política, mas também uma análise da conjuntura econômica e social do Brasil e do mundo. Curta a entrevista e o canal.

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Acorda, Brasil !

Posted in Atitude, Atualidades, Comentário, Eleições, Lava-Jato, Mídia, Notícias, Opinião, Polícia, Política, Sacanagem with tags , , , , , , , , , , , , on 06/07/2017 by Carlos Baltazar

Esperança-divide-seus-hemisférios

Os brasileiros, essa trupe empertigada de sofrimentos, vive o tormento do porquê, afinal de contas, este país não deslancha finalmente e assume uma situação que todos esperamos desde que alguém professou o celebre adjetivo: “o país do futuro”. Não foram poucas as crises porque passamos juntos, unidos numa esperança que parece não ter fim. Mas que hoje, com essa crise política que mais parece um terremoto institucional, vai arrefecendo.

A título de exemplo, uma questão que nos é fundamental mostra, em detalhes, toda o desleixo com que nossos representantes vêm tratando “o país do futuro”. O comércio exterior, que possui um potencial de desenvolvimento importantíssimo, e que poderia nos trazer uma condição de melhoria social e estrutural, vem, desde os governos de FHC e Lulla, sendo tratado com um viés ideológico e numa total afasia de vislumbrar alguma perspectiva para o país.

Tentando impor-se com uma filosofia praticada apenas pelos que desconhecem os ritos econômicos mundiais, o Brasil tentou apoio político e econômico em países que correspondem a uma porção insignificante do PIB mundial. E até mesmo ditaduras sangrentas entraram na baila. FHC e Lulla trilharam caminhos idênticos porque são defensores das mesmas práticas políticas. E lá fomos nós tentar comprar e vender para o Mercosul, África, Oriente Médio e Oceania, deixando de lado mercados de ponta, como EUA e Europa. Resultado prático: acumulamos prejuízos, dívidas não pagas e perdemos mercados importantíssimos para o sustento e desenvolvimento de nossa economia.

Enquanto isso, alguns de nossos grandes concorrentes, em áreas de negócios e produtos construíam acordos bilaterais com vantagens mútuas, enquanto continuávamos a esperar o grande acordo da OMC, que nunca veio. O acordo com a União Europeia, que nunca veio. E ficamos nós assim, na eterna esperança.

Se analisarmos os últimos presidentes civis do Brasil, vemos que nossa esperança deve continuar se quisermos um dia ser mesmo “o país do futuro”. Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lulla, Dilma, Temer. O que lhe parece isso, um rol de ilustres ou um bando que ousou liderar o Brasil por um caminho sem contorno de um objetivo planejado de forma nacional? Se juntarmos todas essas ideologias sociais e econômicas teremos um balaio de gatos vira-latas. Um capitão-do-mato, um playboy, um sei-lá-o-quê, um sociólogo ambíguo, um operário (sic) sem causa, uma paraquedista que nos logrou a pior crise política e econômica da história. E por fim um diabólico político que ousa aviltar o país com denúncias de propinas na casa dos 500 milhões de reais.

Talvez não sejamos bons de comércio e negócios. Mas de certo somos bem piores de nacionalismo e amor à pátria que nos abriga. Enquanto isso, nossos concorrentes velejam em mares menos bravios, ganhando mercados, refastelando-se no que não somos capazes de acordar. Tenho a ligeira desconfiança de que nos acordos que somos bons, outros países não fazem questão de participar.

Bancada do Crime

Posted in Atitude, Atualidades, Comentário, Denúncia, Eleições, Lava-Jato, Mídia, Notícias, Opinião, Polícia, Política, Sacanagem with tags , , , , , , , , , on 29/06/2017 by Carlos Baltazar

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Assim que foi aprovado, o financiamento público de campanha gerou em alguns uma ilusão de que a política iria lidar a partir de então com uma realidade mais democrática. A partir dali o poder econômico ficaria fora do jogo, afinal todos os partidos e candidatos teriam uma só fonte de financiamento, o dinheiro de todos nós, e não mais das empresas e instituições provedoras. Engano geral.

A fonte de financiamento público está gerando ainda mais distorções dentro dos partidos. Afinal quem é que gerencia esses recursos? A, B ou C? A que grupo pertence? A que facção? Os partidos não são instituições democráticas. E por consequência não aplicam a democracia internamente, quanto mais na sociedade que deveriam representar.

Cada um dos 35 partidos atuais possui interesses institucionais claros. Só não vê quem não quer. Os que lidam com política sabem que não é possível fazer uma campanha política, no formato de hoje, com esse misere de recursos públicos. Bem, e o que provavelmente acontecerá? Os partidos irão se socorrer das instituições que representam. E muitas dessas provavelmente recebem algum tipo de recurso público ou possui parte de suas contas no famoso caixa dois, três, quatro ou cinco.

Mas a malfadada extinção do financiamento privado de campanha criará uma calamidade ainda maior: o dinheiro do crime organizado vai se espalhar por todo o processo político brasileiro. E isso é catastrófico. Sabemos que o crime já possui seus representantes no Congresso, nas assembleias legislativas, câmaras municipais, no alto judiciário e nos poderes executivos, pelo Brasil afora.

Essa representatividade de certa forma está contida hoje, mas com certeza no próximo pleito teremos, sem sombra de dúvida, muitos partidos envolvidos com o crime organizado como forma de se financiar e a seus candidatos. Ficção. Basta ver a expertise do PT nestes últimos anos no poder. Uma verdadeira organização que presumia retirar do público os recursos necessários para si e outros.

Da forma como o país está desestruturado, as instituições cambaleantes, e muitos dos que perjuram o poder estão presos aos tentáculos da criminalidade institucionalizada, não é difícil prever que o crime organizado, seja ele o banditismo comum ou a instituições paralelas de poder ao Estado, terão seu número de representantes bem ampliado.

O pior, é que vem aí uma engendrada reforma política, bancado por muitos dos que precisam se livrar do jugo da lei, bem como os que querem perpetuar-se como forma de isentar-se do perigoso balaio da política brasileira. Deus nos acuda, nos ajude e nos perdoe.

Partidos ou inteiro ?

Posted in Atitude, Atualidades, Comentário, Eleições, Mídia, Notícias, Opinião, Política, Sacanagem with tags , , , , , , , , , , , on 21/06/2017 by Carlos Baltazar

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Trinta e cinco partidos legalizados e mais trinta e quatro em gestação. Essa a aritmética partidária do Brasil atual. Mas afinal o que fazem todas essas instituições se vislumbramos uma política destrutiva e apodrecida em meio à uma sociedade perplexa e inquieta. O que fazem os partidos e qual a sua real função no universo político nacional? Vou tentar descrever o que seria o paraíso diante do inferno que hoje nos faz purgar a maior crise político-institucional que o Brasil já tinha vivido.

Afinal para que servem os partidos políticos, senão canais organizados para que a sociedade possa participar ativamente do processo eleitoral e de gestão do país? Pois bem, será que isso está sendo feito? Não creio. O trágico hiato político que o período militar obrigou o país nos causa ressentimentos até hoje. Mas talvez o que mais nos faz sofrer em consequência é o descostume da participação política e, por consequência, do controle social sobre os partidos.

Os partidos políticos tornaram-se meros cartórios de interesses corporativos e institucionais, quando não da corrupção e do crime institucionalizados. Não dá para ver um partido como uma instituição puramente representativa de parcela da sociedade, com características de ideais e ideologia, dessa mesma. Mas como grupos meramente organizados para buscar o poder ideológico e práticas nem sempre republicanas de exercício desse mesmo poder.

A mera ligação desses partidos com alguma instituição já lhes tira a característica básica de existir e de criar fórmulas mais eficazes de representatividade social e de gestão voltada para o todo. Mas a prática não condiz com isso. Ao contrário, muitos partidos são apenas cartórios do poder e balcão de soluções facilitadas para as várias dificuldades encontradas na burocracia paralela do poder. Sem falar naqueles que somente servem como “agência de representação” de outras instituições que nada tem a ver com a política. Esses desvios de finalidade geram, incontestavelmente, desvios de caráter que desembocam na corrupção arraigada nos costumes da nossa pátria mãe.

Senão vejamos. Os partidos recebem o tal Fundo Partidário, que é na verdade dinheiro à vontade para poderem manter-se vivos e ampliar seu poder de existir. Mas é só isso? Não. Cada partido possui uma “fundação” que deveria observar regras de ação e incentivo à participação e formação política da sociedade. Mas não é isso que acontece. Os partidos ditos de esquerda comumente usam suas fundações para aprofundar a “ideologização” cega de seus membros, ou como querem alguns, a tal “lavagem cerebral”. Por outro lado, outros gastam seus(nossos) recursos para fazer de conta que a sociedade realmente está sendo formada em seus direitos e participação política e assim aperfeiçoarmos o cambaleante sistema de representação democrática.

As grandes manifestações de 2013 mostraram que a população está pouco se lixando para os partidos políticos. Bandeiras de algumas agremiações que se atreveram a estra lá, foram sumariamente queimadas. E até hoje os partidos não sabem afinal o que era tudo aquilo que se viu nas ruas. Tornaram-se, desde então, ainda mais obsoletos e dispensáveis ao processo de representação política. Verdadeiros zumbis da democracia nacional.

E se acaso não houver uma renovação partidária drástica, em 2018 muitos partidos nem saberão o que dizer aos eleitores. Arrisco dizer que fatalmente usarão seus melhores estrategistas para falar de…corrupção. Serão varridos para ainda mais longe da sociedade que os abriga. Aliás, a maioria nem sabe o que dizer hoje, quanto mais em 2018. Calam-se diante das denúncias da mais absurda corrupção já praticada na história da humanidade.

Triste, mas os partidos políticos são responsáveis por todo esse aparato de corrupção encastelado no poder público. E pelos meliantes que se escondem em suas entranhas para roubar dos que esperam um novo líder a cada dia. Nossa frágil democracia padece por isso e por ter nesses partidos seus últimos fios da mais ingênua esperança.

Liberdade X Submissão

Posted in Atitude, Eleições, Mídia, Notícias, Opinião, Política, Sexo with tags , , , , , , , , , , on 21/05/2017 by Carlos Baltazar

feminista

A luta pelos direitos das mulheres não tem logrado grandes êxitos ao longo dos últimos anos. Ouvir o termo “empoderamento” da mulher me faz sentir arrepios, e claro, não de excitação. O mundo hoje mostra que a questão feminina está longe de ser algo que é lidado com seriedade e verdade, por governos e por organizações que dizem defender os direitos das mulheres. Não é preciso ir longe para ver que muito desse tal “empoderamento” é uma grande farsa. Basta ver a política, que lhes criou cotas em partidos, mas que são usadas unicamente como marketing ou “passe” para o nihil obstat da justiça eleitoral. Claro, foram queimados incontáveis sutiãs, mas ao mesmo tempo não vemos nenhuma feminista gritar contra a escravidão das burcas. E, por favor, não me falem de cultura, isso é conversa para boi dormir. Não vemos igrejas lhes dando espaço em suas estruturas hierárquicas, e nenhum tipo de permeabilidade na atual sociedade mundial, que não seja a própria que as mulheres se conformaram em receber como direito.

A fragilidade da mulher tornou-se um incentivo para que homens façam justiça com suas próprias mãos e armas. Por isso, todos os dias é possível ver a violência sistemática que a mulher sofre. E não somente a física, mas psicológica. Não é difícil ver pelo mundo situações análogas à escravidão em que as mulheres de todas as idades se encontram, inclusive as indígenas. Ao mesmo tempo é possível enxergar um certo “modelo” de comportamento que, ao invés de parecer um grito de liberdade, na verdade as obriga a continuidade quase perpétua de submissão aos homens. Por sua própria escolha.

Marias-chuteiras, marias-fórmula1, marias-menores. Todos sabemos que não é fácil enfrentar a vida sozinho, mas ater-se a velhos métodos de chantagem, não é o mais honesto. Mulheres sempre foram mais maduras e astutas com a vida, por isso merecem destino mais condizente com sua importância. Não quero dizer com isso que não concordo com colóquios esporádicos sobre o papel da mulher na sociedade, mas será esse o caminho? Deve ser essa a temática? Ou devemos partir para cotas de importância social? Não acredito ser necessário à mulher adjetivos de igualdade de gênero, porque não o são. E nem devem. A mulher por si é um presente da Criação, que dá orgulho por sua capacidade, generosidade e completude.

A mulher é o ser mais próximo de Deus.

Por mais que alguns religiosos neguem. A natureza deu a elas, e somente a elas, o poder da renovação da humanidade. Esse é seu papel mais precioso e belo. E apesar dessa delicadeza divina, ainda despontam em diversas situações com melhor desempenho que o sexo “forte”. São as únicas capazes de desenvolver jornadas duplas, triplas e mais. E os homens ao longo da história sabiam disso, por isso todas essas amarras, essa escravidão psicológica perpétua. Desde a idade antiga, até os dias de hoje. Os homens fragilizam as mulheres porque sabem do seu poder, por isso tentam anular sua presença e ação.

Somente as mulheres poderão libertar-se dessa condição secundária. Nem o complexo de cinderela, nem o grandioso respeito que suscita sua condição feminina. Somente atitudes podem servir ao propósito da liberdade a ascensão feminina, não discursos adjetivados no vazio ou comparações inexpressivas de gênero ou capacidade.

Mulheres não precisam tornar-se gladiadoras para mostrar sua força ou poder. Para as que já foram deusas, um pouco de ação mundana pouco custa. “Empoderar-se” não é assumir um status que não é seu, mas seu próprio, com todas as prerrogativas inerentes às que foram escolhidas para semear a verdadeira e divina condição feminina.

Política Gourmet

Posted in Atitude, Comentário, Eleições, Lava-Jato, Mídia, Notícias, Opinião, Polícia, Política, Sacanagem with tags , , , , , , , , , , , on 21/05/2017 by Carlos Baltazar

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Muitos mortadelas e coxinhas adoram falar que se FHC e Lulla se dessem o Brasil seria outro. E sabe por que isso nunca aconteceu? Porque ambos possuem o mesmo desvio psicológico. Um, porque não é popular, outro porque sempre foi pobre. Ambos fizeram ruir os sonhos de milhões de brasileiros através do desemprego, inflação e…corrupção. FHC nos deu o PROER e a privatização estratégica da telefonia. Lulla quebrou a Petrobrás, Correios, Fundos de Pensão e muito mais. Ambos fizeram acordos políticos, e sabe lá mais o quê, com os piores coronéis da política deste pais. Ao invés de usar a população como aliada, fizeram questão de ter ao lado Renan, Sarney, Jucá, Jader, e tantos outros que vilipendiam o país e os miseráveis desse, há dezenas de anos. FHC e Lulla sempre lhes ofereceram tapetes vermelhos, polpudas oportunidades, enquanto afiavam seu discurso, um a excelência do academicismo e o outro o raso da semântica. Ambos gastos e ridículos. Leio hoje na Folha, o mais bondoso reduto para os recém demitidos petistas, um colunista que atesta que o Brasil precisava que FHC e Lulla tivessem entendimento para o Brasil funcionar. MENTIRA. O Brasil não precisa de FHC ou Lulla, precisa de gente honesta, séria e com capacidade de aglutinar a sociedade num projeto de Nação. Estamos na beira de um poço profundo e lamacento. Temer não possui capacidade nem carisma político para tirar o Brasil dessa pasmaceira cívico-econômica. Ele está lá porque foi alçado pelo establishment do poder. Não manda, não conhece as saídas, apenas converteu-se num domador de deputados e senadores, o que não deve ser muito difícil tendo o governo tantas tetas fartas. Lulla já havia feito isso, até mesmo o PSDB já havia se rendido aos seus encantos presidenciais. Dilma achou que podia fazer o mesmo com independência e dançou. Como dizia Quércia: “vamos buscar os bois no pasto”. Os deputados e senadores eleitos em 2014 sabiam que a farra estava feita, e tinham que aproveitar. Está feita aí a miscelânea política que jamais houve. O Legislativo não consegue legislar, pois a tudo recorre à Justiça. Não há políticos de bom calibre, mas uma arena de show armada para nosso deleite. É só lembrar da votação do impeachment da ex-presidente Dilma. Que vergonha…um circo. FHC comprou o Congresso. Lulla também. Isso é fazer o Brasil funcionar? Não. O Brasil espera por novos líderes, novas práticas, uma nova política. Em 2018 precisamos fazer uma limpa geral na política nacional. Sem medo, sem reticências. Vem aí reformas que destoam da vontade da população e que tem de ser feitas, segundo esses mesmos senhores, porque eles vêm fazendo besteira há anos, sem dó algum de nós. FHC e Lulla são filhos da mesma ideologia falida, de que nós somos a quem se conduz com falácias e algumas migalhas. Um deu frango barato, outro carro financiado para toda vida. Fórmulas infantis de desenvolvimento para um pais da magnitude do Brasil. Por isso FHC e Lulla podem ir abraçados pra onde quiserem, menos com suas teorias mentirosas sobre um país melhor para todos.

Uma cidade destituída de Brasil

Posted in Atitude, Atualidades, Comentário, Eleições, Lava-Jato, Notícias, Opinião, Polícia, Política, Sacanagem with tags , , , , , , , , , , on 20/05/2017 by Carlos Baltazar

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Andar pela capital administrativa e política do país é uma experiência única e esclarecedora. Muitos brasileiros, dentre os quais me encontro, se perguntam: mas afinal, o que faz com que Brasília seja tão descolada da realidade que vivenciamos em todos outros lugares deste Brasil sem fim? Das quatro ou cinco vezes que fui até lá, nenhuma foi tão impactante com esta. Pude ver bem de perto uma presidente inteiramente avoada, discursando com o corpo o que sua alma distante nem sabia. Pude assistir estarrecido, deputados abandonando o plenário para assistir ao Jornal Nacional da Globo, sobre fatos de sua autoria. Pude constatar a arrogância de uns poucos, a alienação de outros e o despreparado geral com o que logo pode nos ocorrer, se é que já não ocorre. Vi a burocracia de perto, seus conjuntos de regras e leis. Pude notar que mesmo lá, o poder esquece dos vassalos cidadãos mais próximos (o que será de nós os distantes, então?). Um dia disseram que Brasília era uma ilha da fantasia, mas fico inclinado a discordar, e dizer que talvez lá seja a ilha de Lost, cheia de mistérios insanos e soluções baseadas na ficção científica. Não é à toa que o Congresso é um labirinto que amedronta. Ali perdem-se os mais desavisados e os menos, também. Assombram em seus corredores, propostas e propinas das mais variadas, sem que nada se veja. É um cerimonial de insanidades, um regalo à divina comédia humana. Entende-se logo porquê e pra quê a cidade foi planejada (que nos perdoem os lúcidos urbanistas). Brasília é um arremedo de tudo o que não deveríamos ser. Da moça que para seu carro de luxo e entrega cartões e oferece seus préstimos sexuais, ao infinito número de carros de autoridades que desrespeitam pessoas e regras. O trânsito em Brasília é enorme, mas não é caótico. Caóticas são as instituições do poder que obrigam milhões a expectativas que jamais virão. Caóticos são os longos discursos de pouca eficácia e objetivo. Severos e inflamados parlamentares que ignoram seu papel no resto, literalmente, do Brasil. Um palhaço que parece a si mesmo. Senti a opulência dos guarda-costas das autoridades máximas. Vi, tão boquiaberto quanto, um segurança da Dilma se espreguiçar como se estive em sua cama, e ouvi uma pergunta do vizinho: “esse é do serviço secreto?” Sim, deve ser. Porque aqui tudo é secreto, cochichado, por baixo dos panos, mensalado, petrolado. Mas o que mais me deixou triste foi perceber o quanto Brasília está destituída de Brasil. Lá o Brasil é apenas uma bandeira, um objetivo que nunca alcançamos, e que nos incomoda saber. O poder trafega pelas pessoas como se tivesse vida própria, uma matrix carregada da má intensão. Os velozes carros oficiais traçam caminhos invisíveis onde jamais, nós os pobres mortais, iremos andar, porque lá não é Brasil. O Brasil que nós conhecemos é para eles uma teoria, uma fórmula matemática, uma prova  que eles não precisam alcançar a média porque a aprovação é automática, através de mecanismo próprios de sobrevivência, custeio e proteção. Brasília parou no mesmo tempo em que foi construída com todo o dinheiro que havia na previdência social da época. Até porque o poder nunca se aposenta, jamais tira férias ou mesmo falta. O poder não precisa de atestado. Sobrevive da expectativa dos códigos que iremos digitar. E pronto, o destino de todos irá continuar a depender dos caprichos da cidade mais distante do Brasil.