No Paraíso dos Hipócritas

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Quem não teve o desprazer de ouvir um estrangeiro falar mal do Brasil e dos brasileiros, e logo conter a vontade de dar-lhe uns bons sopapos? Pois é, mas já que estamos entre nós, podemos abrir essa discussão e falar de maneira explícita algumas situações que claramente nos incomodam, mas que fingimos não ser da nossa conta. Parecem traços culturais importados de nossos ancestrais, mas a verdade é que são defeitos do nosso próprio caráter tupiniquim.

Primeiro, que todos esses pilantras que estão na cadeia ou em vias de, por corrupção e outros vícios políticos, foram colocados lá no poder por nós, sem desculpa. Hoje, uma legítima parcela da sociedade está claramente revoltada com “eles”, mas desconheço quem tenha dito em 2003 que Lula era um farsante e um ladrão, embora a maioria soubesse disso. Pior, ainda hoje temos quem o queira livre, mesmo condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Uma legião de imbecis? Não, é o nosso caráter deformado que admira o pior. Quem quer um presidente da república condenado? Ninguém no mundo, só o brasileiro e seu péssimo caráter.

É comum ver a imprensa e os ditos guardiões dos direitos humanos, espernearem quando algum prefeito tira mendigos de seu “conforto a céu aberto” e os leva para refúgios públicos. Mas esses mesmos guardiões não estão nem aí se esses deserdados ficam ao relento sem as mínimas condições de sobrevivência. Ou seja, na verdade os heróis do humanismo querem que os mendigos se lasquem. Condoemo-nos com as cenas, não queremos que mexam com eles, mas não estamos nem aí com sua condição. Somos hipócritas? Já pensei que sim, mas na verdade creio mesmo que temos mesmo é um caráter defeituoso, do tipo que vale poucos tostões. Devemos ser os primeiros a cobrar das autoridades que essas pessoas façam parte da sociedade produtiva e consumidora. Mas ao contrário, optamos por ser vassalos do ridículo, panacas, se é que me entendem.

Não foi apenas uma vez que ouvi de comentaristas anônimos de futebol, a nata da nossa intelectualidade, aliar a análise do futebol do seu time com a política. Além das galhofas e desdéns característicos, não raro ouvia a frase maldita: “está certo, se eu estivesse lá faria o mesmo”. O que falar de um caráter assim? Alguém assim desconhece que o que é público é de todos e tem de ser preservado. Mas ao contrário, é tratado como algo a ser destruído, por isso é comum ver entulho e lixo nas ruas, fios de iluminação pública roubados, prédios pichados, áreas verdes como terreiros.

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Quem somos nós afinal? Um povo que não conhece e não cultiva a sua história. Ao contrário, cultua bandidos atuais e históricos. Um povo que ri de seus valores, de si próprio e de suas feridas sociais. Afeito a ouvir mentiras e crer nelas, porque é mais fácil acreditar que o “governo” que deve prover a vida da sua família e dos agregados, desde uma casa até o dinheirinho pra cerveja. Tivemos o desplante de criar uma Constituição inteiramente sem qualquer plausibilidade, sem financiamento prático, uma obra de ficção, apenas para dizer que “todos somos iguais perante a lei”. O cacete que somos.

E o caráter brasileiro é torto em todas as classes e esferas. O brasileiro não se importa com o Brasil. Poucos são os que defendem um nacionalismo puro, equilibrado. Se não, são extremistas de esquerda ou direita. Não há consenso nacional nem político sobre o presente, que dirá sobre o futuro. Elegemos gente da pior espécie que há entre nós, em troca de dentaduras, cestas básicas ou dinheiro. Por isso os problemas se avolumam exponencialmente e o caos nos atormenta em várias frentes. Saúde, segurança, emprego, tudo o que nos importa de verdade. E vemos aqueles que nos fazem de otários todos os dias falarem alegremente que tem a solução do que eles mesmos problematizaram. E votamos neles todas as vezes que nos pedirem votos, afinal somos um país de corruptos, de caráter torto.

Quer mais provas do nosso caráter defeituoso? Veja os últimos passos da Justiça, do Legislativo e do Executivo federais, é quase um circo de horrores. Não sabemos planejar, organizar, respeitar. Fazemos leis medíocres para safar os safados, e não cumprimos as que podem nos livrar deles, ou de nós mesmos. A hipocrisia no Brasil beira o absoluto ridículo quando vemos a imprensa livre, como UOL, Folha de S.Paulo e SBT, quererem entrevistar um condenado na cadeia e transformá-lo em presidente da república. Nenhum outro povo assim o faria, só nós, os deformados. Outro caso de explícita hipocrisia brasileira é o tal indulto que damos aos condenados em datas festivas. Veremos a tal moça que matou a mãe passar o dia das mães fora da cadeia. E a madrasta que matou a filha, idem.

Afinal, quem somos nós? Quanta mediocridade foi embutida em nós? Quando iremos aprender que antes de nossos direitos, temos deveres? Bem, mas isso irá nos custar mais do que uma sessão de análise psicológica nacional. Quando iremos nos defrontar com a tortuosidade de nosso próprio caráter e subvertê-lo à uma identidade nacional de verdade, séria e progressiva? Quando o brasileiro irá realmente tornar-se um cidadão com qualidades humanas de verdade? Quando iremos para de rir de nossa peculiar malemolência e do pouco valor que damos a uma vida decente e produtiva? Quando iremos mudar nosso status de país para Nação? E ao olhar o espectro de candidatos à presidência da república, dá pra notar que estamos ferrados de verde e amarelo. E tenha a certeza, iremos escolher o pior, quer apostar?

 

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Poesia verso(us) Política

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A convivência entre poesia e política nunca foi das mais fáceis. Mas há tempos elas se tornaram vertentes tão inconversáveis, que o temor de uma irreconciliação tomou conta de mim. Mesmo parecendo possuir nascentes antagônicas, ambas deveriam produzir um inquieto bem estar. A poesia lida com o sonho do concreto em puro abstrato. E a política com a materialidade do sonho em pura concretude. Não há como não haver conflitos, não há como não viver a dicotomia do imponderável.

E recordo certo político bem fresco nos códigos da política, há pouco tempo atrás, ao fazer de conta que entendeu uma frase que eu havia dito, usou a exclamação “nossa, um poeta!”. Mal sabia que fazia cavar naquele instante um fosso de ruídos ensurdecedores entre nossas conversas, e que perdura até hoje. Ao tomar seu rumo individual deixou para trás a possibilidade de irromper a máscara de ferro que a política o iria obrigar a carregar.

Essa máscara parece ser comum aos políticos que vemos em entrevistas, respondendo perguntas ou elucubrando futuros. Perdeu a chance da autenticidade, preferindo a palidez da dissimulação. Enveredou por pretensas linhas retas, mas abismou-se no comum labirinto da mentira, usando as palavras, não para publicar a esperança da verdade, mas para difundir o desgosto da ilusão.

Tento até hoje, por mais inocente que possa parecer, continuar enveredado pelos motivos que me tornaram a acreditar na política como um substrato humano de melhoria, mesmo tendo me tornado um poeta perdido em esperanças e sonhos. Não consigo ver outra saída para todos nós, senão compreender a poesia e aplicar a política como antídoto para as mazelas que vemos crer.

Não há sonho mais auspicioso do que uma política pública que dá certo. Não há poesia mais insinuante aos anseios do que a que tece palavras com a verdade que temos possuído. É possível sim meu senhor, embora você não entenda a poesia como a base que precisamos todos para a vida, tal qual a política séria que deixamos n’alguma beira de descaminho. Entender o que se lhe diz a poesia é mais que distribuir sentidos ou sinônimos mas, primeiramente, deixar-se sonhar de esperança toda a verdade de viver que há em cada um de nós.

Nada vale a política se não a poetizarem com desvelo e desejo.

Nada vale o populismo desnudo se poeticamente ele não se revelar em essência.

Nada vale a mentira política se cada significado descrito em palavras jamais a será.

Nada vale meu senhor, estar na política e alçar-se em olimpos cargos se, nada,

nada que fazes é a pura poesia onde a alma humana teria compreendido de vós.

 

Toda forma de amor vela a pena?

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Sim, vale! Claro que não é de hoje as diferentes experiências na arte do amor por homens e mulheres. O que está em jogo é o ser feliz. Acredito que vale a pena investir nisso, naquilo que nos une ao Sagrado. Ou alguém ainda acredita que Deus é tão somente homem ou mulher? A Criação, seja ela darwiniana ou não, segue um curso livre e evolutivo em diversas direções, quer queiramos ou não. E pra começar a conversar, deixemos de lado os dogmas religiosos, afinal religião alguma foi boa o suficiente para nos tornar felizes e completos. Diante disso, estamos por nossa própria conta e risco diante do evolutivo humano. E não são poucos os conflitos vistos a olho nu por aí. Religiosos, raciais, sexuais e humanos. E quando digo humano refiro-me a poder pátrio, tribal, patriarcal e, inclusive, matriarcal. Tudo isso nos opõe ao desejo individual de ser feliz, porque o indivíduo jamais possuirá razão perante essas instituições civilizatórias. E antes que alguém adivinhe do que quero falar, já adianto que não é de Pablos ou Thammys, porque esses possuem um inconformismo diferente da razão humana. Não quero falar do grotesco, mas do mundo das sensações e da felicidade humana.

A história está repleta de pessoas que possuíam atração sexual por pessoas do mesmo sexo e, em sua maioria, constituíram-se do que costumamos chamar de pessoas de bem. Tiveram uma vida normal, um trabalho e, ao que se sabe, foram felizes em suas escolhas. E o que eu quero dizer com isso? Que toda essa avalanche que estamos vivendo sobre opções sexuais, até o limite do grotesco e da lei, na verdade quer dizer mais sobre política do que pessoas. A política está usando pessoas para fazer valer sua ideologia. E isso é bom ou ruim? É péssimo, porque não estamos falando de liberdade e espaço individual de verdade, mas de uma vertente humana para apoiar gente que sequer gosta de quem transpõe limites individuais. Basta ver a história. Lamentável que muitos ainda estão caindo nessa arapuca.

Mas quero voltar ao assunto liberdade individual e sexual de cada um. Não somos todos iguais, espero que concordem, por isso temos muitas e infinitas variáveis de anseios, desejos e vontades. E volto a dizer que não falo de parafilias ou desvios de personalidade, que normalmente são criminosos, mas de pessoas que querem apenas serem felizes. E por que não ao lado de quem queremos e achamos que podemos ser felizes, seja homem ou mulher? Por que ainda estamos atados à uma caduca ideologia religiosa que foi sendo moldada de acordo com as vontades de reinantes e religiosos, que puseram-se a interpretar o que lhes convém. Aliás, até hoje, não é irmãos? Como ser humano não vejo sentido estarmos ainda discutindo raça, cor ou sexo. Não vejo onde uma pessoa pode ser inferior a outras somente por suas escolhas individuais ou sua raiz. Foi-se o tempo de reis e feitores, ao menos para os lúcidos.

Não posso crer que pais ainda discriminem seus filhos porque eles seguem caminhos diferentes dos seus. Caminhos que eles talvez não tiveram a coragem de enfrentar, ou mesmo não saibam o significado. De todas as formas de relações humanas, o amor é a mais gratuita de todas. Envolve mais que uma vontade, mas apenas o desejo humano de estar presente, de fazer bem, de querer viver junto, de construir algo inédito e tão comum. Sem que a repressão histórica que vivemos há séculos nos imponha formatos ou dogmas de vida ou coexistência. Amar é mais do que fricção ou introdução de órgãos genitais, ou práticas conhecidas de satisfação sexual humana. Amar é transcender tudo isso em nome de algo maior. Se não pudermos entender isso, jamais saberemos o que de verdade o amor. No plano do sensorial não existem regras ou limites. Um sorriso é capaz de dissipar hormônios por todo o corpo e alma. Não importa o que pensam os que nada sentem. Vale o que cada um causa no outro, e se lhe é correspondido. Bens não fazem parte disso, religiões idem, governos muito menos.

Ao longo da vida tive muitos amigos, mas principalmente amigas, que eu via sofrer dilemas infames por suas opções sexuais humanas. A ponto de arrumarem para si próprias desculpas às mais esfarrapadas possíveis, como: “vivi uma desilusão amorosa, por isso parti para isso”. Que loucura tudo o que causamos aos outros, por nossa ignorância ou frágeis costumes. E a que levou tudo isso? A incompreensão de si próprio, desconhecimento e imaturidade humana latentes. Mas acredito estarmos numa trajetória evolutiva humana mais positiva. Não essa pseudo liberdade de ver cenas diversas em novelas, mas no entendimento humano de nossas próprias razões. É possível hoje ver famílias convivendo bem com a diversidade sem que isso seja tornado um fardo inumano, pelo simples fato de enxergar a humanidade em cada um, seja ele próximo ou não. Os dramas grotescos de apresentar namorados ou namoradas fictícios para uma família desconfiada, creio ser coisa do passado, afinal o que ser humano e seus valores tem a ver com a sexualidade limitada? Caráter, seriedade, civilidade, respeito e religiosidade, inclusive, são valores humanos que nos definem como tais, não nosso gosto físico por homens ou mulheres.

Essa encruzilhada civilizatória ocidental pode ser benéfica para o mundo em vários sentidos. Se pusermos-nos a pensar sobre o arrazoado das religiões veremos que ser autênticos é o melhor que pessoas crentes em valores que imaginam professar, porque esses valores são todos humanos. Como ser um padre ou pastor que na verdade finge ser o que não é? Amar nunca foi pecado. Pecado é sim atentar contra a vida, enganar inocentes, se aproveitar de situações, fazer-se melhor que outros quando na verdade sequer somos iguais. Sem dúvida,  as religiões são um travo para que nos tornemos melhores. O que parece um paradoxo, mas não o é.

No Brasil de hoje, a política aflige, a mídia escraviza, as ideologias nos fazem reféns do que não nos pertence. O que nos cabe é a felicidade de ser o que somos. Não precisamos de foros especiais, nem ao menos de agressividade midiática, mas tão somente humanidade, entendimento, razão pela qual existimos. Nossos ancestrais lutavam por sobreviver, hoje devemos lutar por ser felizes, e só. Por mais que as velhas gerações não queiram, estamos num caminho de evolução, sim. E mais. Não podemos confundir valores culturais com valores humanos. Porque as culturas foram estabelecidas por alguém, sei lá quem, e como e porquê. E os valores humanos precisam ser estabelecidos por nós, cada um, sem interferência estatal, divina ou familiar. É necessário que cada um aprenda a ser feliz do seu jeito, e da maneira mais humana possível, com erros e acertos. Ou tem alguém aí suficientemente divino para guiar nossas vontades? Se tiver, que atire a primeira pedra.

Coletivismo

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Não tenho dúvida de que a vaidade e a ganância são e deverão continuar a ser os grandes males que afligem a sociedade brasileira e o país, como um todo. Os valores que nos regem há séculos, quiçá desde o nosso fatídico descobrimento, mostram-se insuficientes para que façamos deste sofrido país, algum dia, uma Nação de verdade. A paixão pelo poder que humilha nossos iguais, é tradição entre nós, ousaria mesmo dizer que faz parte do DNA brazuca, desde que um imbecil qualquer vomitou o famoso “sabe com quem está falando?”. Desde então…

É fácil ver que esta teoria é válida e ativa em nossas vidas. Quem de nós já não teve um amigo ou colega de trabalho que ascendeu e depois nos ignorou? E lá vem as assertivas dos amigos sobre o tal…”subiu e esqueceu dos amigos”, ou “deixa estar, quando eu for rico, vou fazer que nem o conheço”. Alguns podem dizer que isso é da natureza humana, mas eu lhes digo que não, isso é a natureza brasileira que aflora, em especial. Os absurdos que vivemos hoje na política são bem típicos disso. Senão, alguém arriscaria contradizer que toda essa corrupção com que nos brindam os políticos não é por ganância e/ou vaidade? Alguém ousaria negar que o poder não sublima o que temos de pior em nós, por isso todos os presidentes após o regime militar têm suspeitas de corrupção e foram eternos vaidosos no poder, sem falar de seus ministros?

Na contramão dessas vertentes humanamente rasteiras e incivilizadas está o COLETIVISMO, algo que europeus e alguns asiáticos descobriram depois de guerras. Por isso o que se valoriza lá é o público e não o individual, ao contrário de nós e de nossa esperança de sermos superiores a iguais a nós. Para aqueles que acreditam no COLETIVISMO, ser superior é ter à disposição serviços públicos, como saúde, educação, previdência, zeladoria, cultura e lazer de qualidade, não o que o nosso dinheiro suado e insuficiente pode pagar de melhor. Essa é nossa grande diferença com o mundo civilizado: eles exigem que o público seja superior para todos e nós queremos ser ricos para poder pagar o que os outros não tem. Não temos ainda a consciência de sociedade, muito menos de Nação. E é por isso que os políticos, os gananciosos e vaidosos de sempre, nos impingem planos de saúde, escolas caras, planos de previdência privada, segurança particular, condomínios fechados, carros blindados e etc.

Afinal de contas, que país é este que construímos para o futuro de nossos familiares, já que não ouso dizer para nossos vizinhos e amigos, se é que me entendem? É explícita a covardia com que nos tratam como brasileiros, esses, os vaidosos e os gananciosos. Até mesmo os menos abastados chamam-nos de “pobres”, não de brasileiros, porque eles nos veem assim. Esses gananciosos deveriam atuar com a vaidade direcionada para que todos pudessem sair das favelas e ir para uma casa digna, ter ensino e saúde de qualidade, segurança pública e não de traficantes, ou seja, um país que enxergasse a todos de forma igualitária e coletiva. Mas ao contrário do que pensamos, eles não possuem a visão distorcida, mas o caráter.

Nos juntam em cidades-dormitórios contra nossa própria vontade, enquanto tomam nossos sítios e fazendas, e nos obrigam a pagar caro o que quase de graça colhíamos. Fazem-nos pagar por um ensino que nada irá nos trazer senão a submissão classista, nada mais. Somos escravos sim! Continuamos a ser, da vaidade e da ganância de muitos que chamamos de brasileiros, mas que não nos consideram iguais. Cada um de nós significa apenas um voto e uma fonte pagadora de impostos, um pequeno tijolo que sustenta mansões, litros de combustível especial para iates e carros esportivos. Aliás, vimos muitos desses bens serem apreendidos pela Polícia Federal dos políticos famosos presos, que nós fizemos vaidosos e gananciosos.

Um povo só alcança seu status de coletividade quando pensa como alguém que precisa ser apenas um no meio de tantos, mas indiscutivelmente importante para o todo. Somente assim faremos deste um país de verdade e uma Nação com futuro. Assim foi feito na história, em todas as revoluções, e somente assim conseguiremos ser livres de verdade.

E aos que atentam hoje contra um povo e se servem da política como forma de atender às suas vaidades e ganâncias, a cadeia ou mesmo a forca, que é como devem morrer, não como vingança, mas como Justiça Coletiva, os que fizeram de seus sonhos o pesadelo de milhões. Devem ser esquecidos e relegados ao ostracismo, que cai bem aos apátridas.

Paz, Pão e Terra…Brasilis

“Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução”. 

                                                                                                              Carlos Baltazar

E o Brasil continua plantando tempestade. Os otimistas, junto com os pilantras, falam de melhoras em sorrisos sem cor, mas é ver a semana em Brasília para saber que nada disso é verdadeiro. O governo Temer é um preposto do governo petista, ou alguém duvida disso? O mesmo governo que desestruturou a política, a economia e a sociedade. Só que agora numa versão continuadamente piorada. Num país decente, o simples fato de ter contra si uma acusação de corrupção, de obstrução de justiça e organização criminosa, já renderia uma vergonha vitalícia e uma renúncia estratégica do poder. Mas aqui a vigarice é tanta que os valores morais e éticos são enxovalhados diuturnamente sem que algum desses que possuem o diploma de eleito, ou não o tenha, avoque a decência de pedir para sair.

Dois fatos simbólicos mostram o governo e a semana. A tal Luislinda mostra que ministro também é escravo de seus míseros vencimentos de 32 mil, e que quando desembargadora (imagine se uma decisão que lhe diz respeito caísse nas mãos dessa senhora?) a coisa era bem melhor. Calaram-se ela e o PSDB, o partido dos bons moços, ávidos por uns bons tostões e bons regalos de primeira, claro. Não é à toa que discursos sérios, relativos aos direitos humanos e a escravidão, sempre mal vistos e bem mal explicados, são tidos, muitas vezes, como despropositais. Pessoas assim fazem do debate algo pequeno e sem caminho.

E a mais factível das afirmações, feita pelo ministro da Justiça (cabra macho, heim?) que entregou um segredo de polichinelo: a PM do Rio tem acordo com o crime organizado nos morros e com deputados estaduais. Bom dia, comunidade! Alguém não sabia disso? A PM do Rio é a corporação policial mais corrupta do Brasil. Os traficantes dos morros são meros empregados dos patrões que desfilam na política local e nos coronelatos militares daquelas bandas. Nem componentes da velha guarda das escolas de samba acreditam que o Rio tenha solução, e que essa venha dos políticos ou da PM. Que o Christo Redemptor nos proteja.

Por fim, mais uma pataquada temerária, a redação do ENEM. Nenhum desses secundaristas metidos a Drummond poderia sequer tocar num assunto que cheirasse a desrespeito aos direitos humanos, senão nota ZERO. Alguns desses meros ocupantes da gestão nacional estão brincando de semideuses. Não, não são arroubos de censura como alguns pensam, mas pequenos poderes que, pequenos idiotas que estão lá de plantão, querem nos impor. Não há que se temer a volta de tenebrosos tempos, mas que nós deveríamos ter sido mais corajosos antes escolher manter um vice desses como presidente, sem dúvida.

O Brasil não pode temer a democracia. Quem se borra medo dela são os políticos. Não nos enganemos, não há democratas em Brasília, mas gente que quer manter-se no poder a qualquer custo, mesmo se o caminho for duvidoso em direito e liberdade. A escolha por esse governo foi feita dessa forma, tivemos medo do vazio que o poder pudesse sofrer. Mas, não há vazio de poder numa democracia.

Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução. Ou nós brasileiros assumimos com coragem o poder de decidir nossos próprios caminhos ou ficaremos sempre à mercê desses fantoches da política que nos perseguem há anos. Ou vamos para as ruas exigir decência, transparência e caráter, ou é melhor deixar baixar a canga e aceitar o jugo da escravidão moldada por eles, para nós, em pleno século XXI.

Candidato sem Partido

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A nova onda política é permitir candidatos sem partido. Uma boa nova para os que desejam ficar fora de estruturas viciadas e sem credibilidade, certo? Errado. Os já conhecidos candidatos independentes são o substrato de uma política que não deu certo e que asfixia as novas lideranças, porque as velhas desejam ver a corrupção reinar por muito tempo ainda. Os velhos partidos, a aí leia-se todos os que possuem uma estrutura centralizada de poder, apesar de parecerem democráticos, e seus “donos” são sempre os mesmos, há anos. Mesmo os partidos mais novos conduzem-se por essa mesma cartilha: corrupção, mentira e poder. Além disso, envolvem estruturas paralelas de interesse que lhes dão ainda mais peso para progredir aos seus objetivos. Mas a conversa é sobre candidatos sem partido, os que pouco se importam sobre estruturas de apoio ou ideologias. Os tais candidatos sem partido são mais conhecidos do que se pensa. O típico candidato sem partido é aquele que parece ter caído de paraquedas numa eleição. Não combina com nada, nem mesmo com o partido que lhe deu a legenda. Tive o desprazer de compor a equipe de campanha de um candidato sem partido, e posso dizer que é uma situação muito ruim para quem ainda acredita que a política pode nos salvar. E eu acredito.

O candidato sem partido não conhece os rumos da estratégia que regem sua campanha, ao contrário ele acha que a estratégia é tão somente ele. Por isso atrai para si e para a estrutura de campanha, a mais variada gama de pilantras, puxa-sacos e traidores, todos da pior espécie. E esses quase sempre se dão bem ao final, porque possuem essas já expressas qualidades humanas latentes, porque fazem jogo com a imprensa, e porque mentem e ferem pessoas. E não nos enganemos, se o candidato sem partido ganhar, serão esses os que tomarão as decisões que irão nos afetar a todos. Infelizmente conheci um número significativo de picaretas desse naipe, que estiveram e ainda estão no poder, graças ao mau-caratismo dos incautos. Bem, mas isso é outra história.

O candidato que se coloca acima dos partidos é na verdade um aventureiro, sem ideologia ou compromisso. Não aceita questionamentos da equipe que o partido colocou à sua disposição na campanha, prefere ouvir gracejos ou nobres adjetivos falsos sobre sua pessoa. Gostam do confronto porque sentem-se superiores, mas se calam quando num debate alguém rebate suas teses rasas com fatos reais e irrefutáveis. E esse é o ponto: candidatos sem partido vivem sua própria realidade, seu próprio mundo, seu próprio destino, embora carreguem muitos consigo para a vala da derrota vexatória.

O mais recente candidato sem partido é o prefeito Dória. Empresário de sucesso, sem dúvida, sempre esteve ao redor da política, mas usou o bordão do “não sou político” para se destacar, numa clara circunstância estratégica. Veio para a eleição ostentando uma legenda que nunca foi sua, mas que lhe servia ao propósito. Montou sua equipe pessoal e obteve um resultado, volto a afirmar, circunstancial. Venceu bem, e sozinho. Rodeado de pessoas que gostam de lhe adular. E também por isso, acabou de perder-se. O vírus do candidato sem partido é letal, fornece um orgulho quase insuportável ao mesmo, e quase sempre o derrota.

Fascinado pelo poder absoluto, o prefeito Dória pôs-se a serviço da ambição, quer ser presidente. Afinal quem ganha no primeiro turno na cidade de São Paulo pode tudo, ou quase. E apesar de ostentar uma vigorosa agenda nacional e internacional, o alcaide paulistano começou a sentir os malogros da política dos partidos ao anunciar uma nova forma de alimentação, derivada de novas tecnologias de alimentos, e que poderia ser mesmo, caso fosse apresentado como um aditivo nutricional para os menos abastados. Mas não foi assim que a sua humildade o fez apresentar. E a oposição, ávida por uma chance de atacar, colou o rótulo nos grandes vidros da substância nutricional de Dória como “ração para pobres”. Não podia ter sido pior para o candidato sem partido. Além de expor sua inexperiência política, mostrou que seus assessores são os tais puxa-sacos e aproveitadores de sempre. Não teve ninguém que lhe dissesse que aquilo jamais deveria ser confundido com comida. Mesmo os mais famélicos sabem que comida tem uma outra cara. Um bife se frita, salada se come crua, frutas se descascam, mas e aquilo, como se come aquilo? Com leite, água ou cachaça? Não teve nenhum futuro ministro dos seus que ousou lhe dizer que aqueles potes continham na verdade a mais potente munição para seu arqui-inimigo, Lula da Silva? Ninguém se atreveu a lhe dizer a verdade? Ou esses, como os que conheci, trabalham para os dois lados, entregam informações estratégicas ou as fazem ser publicadas nos jornais? Ah, os assessores políticos, esses incompreendidos.

Navegando em seu recém-conquistado barquinho, o prefeito Dória, viu a sua nova candidatura sem partido naufragar. Resta-lhe agora outra candidatura avulsa, só que para o governo do Estado. Será suficiente? E lhe fazendo companhia teremos outros candidatos sem partido. Candidatos a Senador, deputado, e até para presidente. Todos aqueles que querem liberdade para desaparecer quando lhes convém, negociar quando lhes interessa, e pior, mostrar seu velho sorriso gasto e aqueles cabelos pintados com a cor da desfaçatez. Está bom pra você? Acelera.

Separatismo, esperança de viver!

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Polêmica à vista…sou um separatista por natureza. Não creio que deva ficar atado ao que não quero. Luto contra a classe dominante estrangeira. Desde antigamente, os conquistadores e “ganhadores” das guerras, definiam quem pertencia a quem. Claro que segundo interesses econômicos e geopolíticos. Assim, depois de findada a segunda guerra mundial, os comunas ganharam um monte de repúblicas e os capitalistas idem. Uns sob o manto do medo e outros do engano. Mas o que me deixou assanhado para falar deste assunto foram duas coisas: o plebiscito da Catalunha e a guerra do tráfico no Rio de Janeiro. Compatibilidade de razões? Talvez.

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Comecemos então pela Catalunha, uma terra dominada pela coroa espanhola, e que representa 20% do PIB da própria, por isso esse amor dos espanhóis pela Catalunha. Se eu fosse Catalão, também não gostaria de ser espanhol, nem mesmo não o sendo. Mas o que esses “ajuntamentos” de pessoas sem identidade comum causam? Dor, ódio, morte, terror. E vários são os exemplos. A cortina de ferro massacrou populações inteiras e suas culturas ao comunismo irracional da Rússia. Obrigou inimigos a compartilharem espaços. E não foi nenhum exercício de universalismo tântrico. Na verdade, o massacre humano começa e se perpetuar com esse “ajuntamento” sem propósito que se chama mundialização ou globalização (se disserem que os termos são diversos, não aceite, não são). Somos tribais até hoje, não adianta dizer ou impor o contrário.

Por que essa migração de muçulmanos para a Europa não vai dar certo? Porque é um “ajuntamento” promovido por governos, não por pessoas. Teremos mortos, feridos e um fim trágico, com certeza. O poder dos governos impõe seus costumes políticos a pessoas que não querem saber de política. Muitas dessas repúblicas soviéticas assumiram, após a falência da falecida URSS (e que seus inspiradores ardam nas profundezas do inferno pela eternidade), sua identidade e seu separatismo à custa de sangue e honra tribais. Não se juntam diferentes, dá merda. O resto é discurso dos que querem a mundialização, para dominar, extinguir nações e identidades.

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Mas, o que Rio de Janeiro tem a ver com separatismo? Voltemos aos idos de 1494, quando a coroa portuguesa e o reino da Espanha dividiram estas plagas como bem quiseram e aqui instituíram divisões territoriais para “facilitar” sua exploração e controle desse novo “território adquirido”. Criaram-se “impérios” sem sentido e sem identidade. A partir daí foram juntadas pessoas que nada tinham em comum, nem mesmo os nativos. Mentiram para nós na Monarquia e na República! O Brasil tornou-se literalmente uma geleia real, uma mistura de várias identidades que em raros momentos conseguiam se entender devidamente. E quem sempre tentava conduzir esse entendimento eram os…dominantes. Também por isso alguns movimentos separatistas foram surgindo e ganhando força. Alguns deles ainda segregam nativos de regiões outras que não os da sua, e alguns incidentes são encobertos por essa mesma elite dominante, com o devido interesse, claro. Sem dúvida um país se mostra forte quando a identidade é forte. E não é esse o nosso caso.

O Brasil sempre foi um império fraco, e tornou-se um país fraco, porque não possui identidade. Essa mesma identidade fragmentada pelos patrícios do poder, ajuntados séculos atrás. Se alguém acha que existe uma identidade única entre as regiões brasileiras precisa de uma reciclagem sociológica, rápido. O Sul é um forte candidato ao separatismo. O Nordeste/Norte idem, por incrível que pareça. E o Sudeste/Centro-oeste fica só assuntando.

Sem título

O Rio, famoso por sua socialista integração Morro/Asfalto, mostra que não é assim como muitos pensavam. O romantismo fictício dos anos dourados tornou-se um tormento para o povo carioca, porque há sim uma guerra declarada entre diferentes que coabitam o mesmo espaço. Isso é uma analogia? Talvez, mas exemplifica bem o que se vive hoje no Brasil. Sociedades diferentes habitando o mesmo espaço e interesses. Governos, População e Crime. Será que isso não é uma representação alegórica do nosso país? Quantas tribos que vivem aqui, não podem expor suas identidades?

Se dividíssemos o Brasil em três repúblicas seria um golpe fatal nos que nos dominam há séculos. Teríamos sem dúvida identidades mais definidas, responsabilidades mais claras, países melhores. Cada qual com sua riqueza maior. Irmãos para sempre, mas morando em casas separadas. Daríamos aos governos de hoje uma lição de etnia, nacionalismo e seriedade. O Brasil hoje se debate por sua própria inocência nacional. Seu povo padece de muitos males pela própria incompreensão de quem somos. E é muito fácil saber se tudo isso é verdadeiro. Basta tentar lembrar dos heróis nacionais de nossa história, e se algum deles foi algum dia inspirador para todos nós ou somente motivo de chacotas. Agora vamos tentar os vultos regionais…aí fica mais fácil, não é? Temos guerras, rebeliões e até santos regionais. Isso é identidade. Nossa Senhora de Aparecida é padroeira do Brasil, mas é Padre Cícero que manda no Nordeste, é o Círio de Nazaré que comanda o Norte, e por aí vai. Riqueza cultural ou identidade diversa?

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Quem sabe se um novo processo de identidade nacional começasse a ser discutido, pelo reconhecimento de que há diferentes identidades tentando em vão ser iguais. Quem sabe a união de todos nós passe pela criação de novos formatos de junção pátria. Quem sabe a verdadeira democracia não é o “asfalto” tentar dominar o “morro”. Identidades temos muitas, escolhidas por nossos ancestrais tribais. Não adquirimos ou podemos renegar nossas raízes para tentar ser quem não somos.

Por isso, viva a independência da Catalunha!  Viva a independência do país Basco!