O Capital e a Bíblia

Karl Marx e Jesus

Não tenho aqui a pretensão de analisar ideológica ou exegeticamente livros tão robustos ao pensamento humano, porque não quero confrontar com legiões de dependentes dessas duas obras, que se tornaram paradigmas de vida para multidões. Na verdade quero mostrar seus pontos comuns, tirando deles o extraordinário e o dogma, e deixar à mostra as mazelas que sofrem seus fiéis seguidores, seus conflitos e descrenças.

O ponto inicial que faço questão de mencionar é que ambos possuem o mesmo objetivo: ganhar mentes e gente, mesmo que seus “doutrinadores master” usem práticas e palavras diversas no convencimento de seus prospects. O primeiro foi escrito por Karl Marx, intensamente criticado por seu histórico de vida, caráter duvidoso e desdém com sua família, trata das relações imaginadamente conflituosas entre capital e trabalho, num instante em que a revolução industrial nos tornava menos necessários ao processo de produção industrial e ao mesmo tempo imprescindíveis ao desenvolvimento do papel social das empresas.

Não há dúvida de que, como é comum entre nós, alguns fizeram de O Capital, mais que um compêndio teórico da “mais valia”, tornando-o um tratado revolucionário que visava retirar das elites burguesas o controle dos meios de produção e fazer desses um atributo natural e coletivo da “sociedade”. E essa era na verdade a sua finalidade, ao menos em tese. Outros o usaram como um impulsionador de revoluções políticas e, no pior dos mundos, um instrumento de controle social dos mais perversos, ceifando humanidades indispensáveis ao nosso progresso individual, utilizando a ideologia do “poder coletivo” como arma contundente contra a liberdade individual e de pensamento do todo.

Regimes “comunistas”, como foram definidos esses, ao contrário do que se propunham, concentraram o poder nas mãos de poucos ao invés de obedecer seus dogmas ideológicos de coletividade e “poder popular”. Abolidas todas as práticas que pudessem supor algum questionamento sobre seus rumos e razões, incluídas as religiões e a pluralidade das ideias. Ao longo da história, esses regimes, normalmente impostos após o fracasso de monarquias e regimes corruptos, tornaram-se contrários às suas doutrinas, fazendo-se igualmente corruptos e sanguinários, exterminando mais de 120 milhões de pessoas e opositores ao longo da história. Nada podia ser questionado, nada era individual…acabava-se o valor maior que move o ser humano, a liberdade.

O segundo livro, possui diversos textos escritos ao longo dos anos por pessoas conhecidas e desconhecidas, pretensamente inspirados pelo Criador, e juntado ao longo dos anos por reis, papas e outros desconhecidos, tomando finalmente a forma de um “manual do ser humano”. Mas afinal, por que vários livros conhecidos, e igualmente inspirados pelo Criador, foram simplesmente ceifados dessa “enciclopédia divina”? Incluo nesse rol o livro de Enoch, pai de Matusalém, e este, avô de Noé. Mas o que mais sinto falta, o evangelho de Maria Madalena, com certeza a pessoa mais próxima de Jesus na terra, que pode ter sido sim mais que uma seguidora, foi simplesmente banido da história. Por que a Igreja Católica e suas advindas simplesmente suprimiram esses livros do conhecimento de seus seguidores? Quanto milhões igualmente foram mortos por causa de algo que deveria promover a vida?

Bem, agora vamos às polêmicas. A Bíblia, ou “o livro sagrado de Deus para os homens” divide-se em duas partes, o Velho e o Novo Testamento. O que o faz um espelho de boa parte da história conhecida do homem na terra. Além disso, como deveria ser, mas não é, exatamente pelo mesmo motivo que O Capital, foi usado em proveito alheio ao seu objetivo, a Bíblia mostra dois instantes distintos da relação de Deus com os homens. A primeira que eu chamo de “a doutrinação da fúria”, onde todos os livros escritos trazem um Deus vingativo, ressentido e exigente nas relações com “sua criação”. Dali, dos primórdios da humanidade, Deus “dava suas ordens” e jamais permitia fossem discutidas. Esse comportamento “tacitus” de Deus perdura até hoje, de maneira inexplicável, nos diversos ramos religiosos e seitas que, por interesses diversos, separaram-se da doutrina primeira do monoteísmo de Deus e do Cristianismo.

Mas seria o propósito de Deus cercear a liberdade humana? A resposta vem na segunda parte da Bíblia, quando o “Verbo se fez Carne”, e nasceu Jesus, Filho legítimo de Deus. Sua experiência entre nós tornou-se um dogma de vida e convivência social de acordo com a “vontade” de Deus. Mas a pessoa Jesus revolucionou sua própria importância, tomou para si a responsabilidade de fazer dos homens o melhor possível para Deus, e o melhor de tudo, deu-nos a liberdade de que tanto anseia o ser humano. Seus dogmas, sua vida, suas ações, mostraram que sim é possível ser livre e crer num caminho melhor para todos, coletivamente. Ser indivíduo e conjunto ao mesmo tempo. Pensar, sentir, viver, sonhar.

Segundo Ele mesmo, não veio para revogar as leis, mas para trazer aos homens “o caminho, a verdade e a vida”. Mas então por que as igrejas ditas “evangélicas” deixam de incentivar as virtudes descritas por Jesus nas sagradas Bem-aventuranças, e continuam a usar a figura de um Deus impiedoso e temível, se ele próprio enviou seu filho para mostrar que deveríamos “mudar de fase”, e Ele próprio, amadurecido, suas relações conosco? Pela mesma razão dos que usam Marx como ideólogo da “salvação humana pela igualdade”, o controle social de seus rebanhos, literalmente. Todos querem nos dominar, até os que dizem o inverso. Sem falar no poder e no dinheiro, benditos soldos que pagamos para poder professar idênticos dogmas, quer seja pela força de trabalho ou pela doação de parte desse mesmo trabalho. Deturpou-se a figura do dízimo, um instrumento de proteção e apoio social aos desprovidos das tribos, e tornaram-no uma obrigação para os que querem acreditar.

Ninguém quer perder poder para teologias libertárias. Ninguém quer perder dinheiro ou mentes. Por isso Jesus é muito pouco citado por evangélicos, judeus e islamitas. Os ensinamentos teóricos de Jesus diziam que Deus não era aquele indivíduo vingativo e impiedoso como falavam até então, ao contrário, crer em Deus era a melhor maneira de ser livre. Para um povo cativo esse era um crime capital. E assim foi. Os “doutores da lei” fizeram com que Ele se calasse para sempre, e com Ele suas teorias libertárias. E muitas das igrejas de hoje fazem o mesmo quando evocam um Deus de fúria insana e “esquecem” propositadamente “o grande libertador do homem”.

Não é difícil crer que tanto comunistas como religiosos possuem o mesmo objetivo: dominar mentes e gente, e ampliar seu poder sobre esses, sem as prerrogativas da liberdade e da diversidade de ideais. Usam de dogmas temporais para fazer valer-se “ad infinitum, tacitus”. Uns contém a essência religiosa de sua gente, outros a prática socializante e material de outra gente, mas ambos, sem distinção teórica ou prática, buscam cercear a liberdade, em detrimento da teoria Marxista pura, ou da doutrina divina e Cristã mais recente. Não importa o tempo, mas o controle. Nada de avivamento, apenas entorpecimento. O Capital, assim como a Bíblia, podem ser livros libertários, mas tornaram-se cartilhas da opressão do domínio humano. De nada valem “paraísos terrestres” baseados em dogmas cerceantes da essência humana mais pura, a liberdade.

O homem é um nômade de sua própria natureza. Seus pensamentos, aspirações, sentimentos e sua relação com o meio e com sua própria existência. Quando dogmas ou ideologias nos tornam escravos, jamais seremos “felizes”, jamais seremos autênticos, e isso não é ético, muito menos divino. Os seguidores e descobridores de novos sentidos dessas obras formam uma classe humana que pretende exclusivamente seduzir, explorar e nos conter. Se os propósitos que deram razão a ambos fossem reais e verdadeiramente seguidos, poderíamos afirmar que Marx fora um apóstolo Cristão de primeira linha, e que Deus sempre foi comunista, desde a revolução do Big Bang.

Anúncios

Toda forma de amor vela a pena?

love1

Sim, vale! Claro que não é de hoje as diferentes experiências na arte do amor por homens e mulheres. O que está em jogo é o ser feliz. Acredito que vale a pena investir nisso, naquilo que nos une ao Sagrado. Ou alguém ainda acredita que Deus é tão somente homem ou mulher? A Criação, seja ela darwiniana ou não, segue um curso livre e evolutivo em diversas direções, quer queiramos ou não. E pra começar a conversar, deixemos de lado os dogmas religiosos, afinal religião alguma foi boa o suficiente para nos tornar felizes e completos. Diante disso, estamos por nossa própria conta e risco diante do evolutivo humano. E não são poucos os conflitos vistos a olho nu por aí. Religiosos, raciais, sexuais e humanos. E quando digo humano refiro-me a poder pátrio, tribal, patriarcal e, inclusive, matriarcal. Tudo isso nos opõe ao desejo individual de ser feliz, porque o indivíduo jamais possuirá razão perante essas instituições civilizatórias. E antes que alguém adivinhe do que quero falar, já adianto que não é de Pablos ou Thammys, porque esses possuem um inconformismo diferente da razão humana. Não quero falar do grotesco, mas do mundo das sensações e da felicidade humana.

A história está repleta de pessoas que possuíam atração sexual por pessoas do mesmo sexo e, em sua maioria, constituíram-se do que costumamos chamar de pessoas de bem. Tiveram uma vida normal, um trabalho e, ao que se sabe, foram felizes em suas escolhas. E o que eu quero dizer com isso? Que toda essa avalanche que estamos vivendo sobre opções sexuais, até o limite do grotesco e da lei, na verdade quer dizer mais sobre política do que pessoas. A política está usando pessoas para fazer valer sua ideologia. E isso é bom ou ruim? É péssimo, porque não estamos falando de liberdade e espaço individual de verdade, mas de uma vertente humana para apoiar gente que sequer gosta de quem transpõe limites individuais. Basta ver a história. Lamentável que muitos ainda estão caindo nessa arapuca.

Mas quero voltar ao assunto liberdade individual e sexual de cada um. Não somos todos iguais, espero que concordem, por isso temos muitas e infinitas variáveis de anseios, desejos e vontades. E volto a dizer que não falo de parafilias ou desvios de personalidade, que normalmente são criminosos, mas de pessoas que querem apenas serem felizes. E por que não ao lado de quem queremos e achamos que podemos ser felizes, seja homem ou mulher? Por que ainda estamos atados à uma caduca ideologia religiosa que foi sendo moldada de acordo com as vontades de reinantes e religiosos, que puseram-se a interpretar o que lhes convém. Aliás, até hoje, não é irmãos? Como ser humano não vejo sentido estarmos ainda discutindo raça, cor ou sexo. Não vejo onde uma pessoa pode ser inferior a outras somente por suas escolhas individuais ou sua raiz. Foi-se o tempo de reis e feitores, ao menos para os lúcidos.

Não posso crer que pais ainda discriminem seus filhos porque eles seguem caminhos diferentes dos seus. Caminhos que eles talvez não tiveram a coragem de enfrentar, ou mesmo não saibam o significado. De todas as formas de relações humanas, o amor é a mais gratuita de todas. Envolve mais que uma vontade, mas apenas o desejo humano de estar presente, de fazer bem, de querer viver junto, de construir algo inédito e tão comum. Sem que a repressão histórica que vivemos há séculos nos imponha formatos ou dogmas de vida ou coexistência. Amar é mais do que fricção ou introdução de órgãos genitais, ou práticas conhecidas de satisfação sexual humana. Amar é transcender tudo isso em nome de algo maior. Se não pudermos entender isso, jamais saberemos o que de verdade o amor. No plano do sensorial não existem regras ou limites. Um sorriso é capaz de dissipar hormônios por todo o corpo e alma. Não importa o que pensam os que nada sentem. Vale o que cada um causa no outro, e se lhe é correspondido. Bens não fazem parte disso, religiões idem, governos muito menos.

Ao longo da vida tive muitos amigos, mas principalmente amigas, que eu via sofrer dilemas infames por suas opções sexuais humanas. A ponto de arrumarem para si próprias desculpas às mais esfarrapadas possíveis, como: “vivi uma desilusão amorosa, por isso parti para isso”. Que loucura tudo o que causamos aos outros, por nossa ignorância ou frágeis costumes. E a que levou tudo isso? A incompreensão de si próprio, desconhecimento e imaturidade humana latentes. Mas acredito estarmos numa trajetória evolutiva humana mais positiva. Não essa pseudo liberdade de ver cenas diversas em novelas, mas no entendimento humano de nossas próprias razões. É possível hoje ver famílias convivendo bem com a diversidade sem que isso seja tornado um fardo inumano, pelo simples fato de enxergar a humanidade em cada um, seja ele próximo ou não. Os dramas grotescos de apresentar namorados ou namoradas fictícios para uma família desconfiada, creio ser coisa do passado, afinal o que ser humano e seus valores tem a ver com a sexualidade limitada? Caráter, seriedade, civilidade, respeito e religiosidade, inclusive, são valores humanos que nos definem como tais, não nosso gosto físico por homens ou mulheres.

Essa encruzilhada civilizatória ocidental pode ser benéfica para o mundo em vários sentidos. Se pusermos-nos a pensar sobre o arrazoado das religiões veremos que ser autênticos é o melhor que pessoas crentes em valores que imaginam professar, porque esses valores são todos humanos. Como ser um padre ou pastor que na verdade finge ser o que não é? Amar nunca foi pecado. Pecado é sim atentar contra a vida, enganar inocentes, se aproveitar de situações, fazer-se melhor que outros quando na verdade sequer somos iguais. Sem dúvida,  as religiões são um travo para que nos tornemos melhores. O que parece um paradoxo, mas não o é.

No Brasil de hoje, a política aflige, a mídia escraviza, as ideologias nos fazem reféns do que não nos pertence. O que nos cabe é a felicidade de ser o que somos. Não precisamos de foros especiais, nem ao menos de agressividade midiática, mas tão somente humanidade, entendimento, razão pela qual existimos. Nossos ancestrais lutavam por sobreviver, hoje devemos lutar por ser felizes, e só. Por mais que as velhas gerações não queiram, estamos num caminho de evolução, sim. E mais. Não podemos confundir valores culturais com valores humanos. Porque as culturas foram estabelecidas por alguém, sei lá quem, e como e porquê. E os valores humanos precisam ser estabelecidos por nós, cada um, sem interferência estatal, divina ou familiar. É necessário que cada um aprenda a ser feliz do seu jeito, e da maneira mais humana possível, com erros e acertos. Ou tem alguém aí suficientemente divino para guiar nossas vontades? Se tiver, que atire a primeira pedra.

Saudosismo 01

A Igreja Católica patrocinou nos anos 70 um movimento de chamamento dos jovens que se propagou até meados dos anos 80, através de Encontros de Jovens e que no final tornaram-se as Comunidades Eclesiais de Base, que foram a base para a fundação do Partido dos Trabalhadores. Com princípios religiosos, esses encontros continham uma carga política muito forte e orientação dada diretamente pelo cardeal Arns. Tive a oportunidade de fazer meu primeiro Encontro de Jovens no início dos anos 80, numa comunidade que se chamava Santíssima Trindade, em Osasco/SP. O encontro acontecia num fim-de-semana, incluindo a sexta-feira à noite. Reunindo algo em torno de 200 jovens, num antigo seminário em Pirapora do Bom Jesus/SP, anexo à paróquia da cidade. Toda a estrutura do Encontro era fortemente emocional e significativa. Haviam várias palestras abordando temas como Liberdade, Fé e Política, Amizade, Valores das Coisas, João Batista, Pai e Mãe, Filme da Vida e demais. E por conta dessa carga emocional violenta, empregada com o intuito de mexer profundamente com cada dos jovens que estavam ali, haviam muitas lágrimas, sorrisos, encontros, e aquela vontade profunda de transformar o mundo. O desejo real de mudar a realidade que cada um de nós vivia, em casa e na vida cotidiana. Qual jovem não aspira isso? Claro que me engajei e participei de vários Encontros, já como palestrante de alguns desses temas. Logo fundamos novas comunidades na Capital/SP e em Bragança Paulista/SP. Esse foi um tempo em que a juventude queria dizer algo a mais do que havia pra nós.  Motivos reais e que nos levaram a participar do nascimento do Partido dos Trabalhadores. Razões verdadeiras, honestas e carregadas da esperança cidadã de cada um de nós. Acabara de entrar na faculdade, portanto estava indecentemente careca, mas com toda a força da minha poesia, latente e viva. Foi o tempo que mais produzi poesias, crônicas, ensaios. Tínhamos temas musicais significativos que “embalavam” cada palestra, pequenas lembranças feitas de papel e fitas, almoços e jantares todos em comunidade, onde todos se viam, todos riam, todos possuíam a felicidade latente da juventude, mas que a muitos não acompanhou. Lembro-me de todos com muito carinho, Sonia, Virgílio, Luiz, Álvaro, Hércules, Mário, Célia, Jadir, Neide, Sula, Joaquim, Norival, Carlinhos, Edelucia, Sirlene, Tito, meu parceiraço e, perdoem os que eu não mencionei, todos amigos e queridos, inclusive o padre Pedro, que nunca perdia a oportunidade de me “cerrar” um Carlton, quando não pegava o maço inteiro.

Pirapora

p.s.: Aproveito o tema e me penitencio. Sim, eu participei de vários comícios do PT. Aplaudi Lulla muitas vezes, chorávamos de emoção naqueles comícios, prevendo tudo o que era possível fazer neste país, por este povo tão sofrido e espoliado por coronéis de nordeste e empresários da fiesp. Mas confesso, perdi muito, muito daquilo que eu sempre acreditei, fruto do que o Partido dos Trabalhadores fez nesses treze anos de um governo comprometido com a manutenção do poder e do controle social. Negociatas, corrupção e uma ameaça real à democracia…absolutamente tudo contrário aquilo porque sempre acreditávamos estar lutando…

Dogma da libertação

A sociabilidade foi o que nos tornou “superiores” na arena do mundo diante das outras raças que habitam a terra há milhares de anos. Juntamos nossas fraquezas, forças e sonhos e dominamos o mundo. Seja lá o que isso signifique. Descobrimos o fogo, o poder de dominar pela força e pela estratégia do pensamento. Mesmo sendo animais, possuímos fortemente o dom da concórdia entre nós. Principalmente entre os gêneros. Homens e mulheres apesar dos desencontros quase sempre se deram bem. Claro que no começo as relações eram assim meio na marra, mas depois tudo se encaixava gostoso. Por isso crescemos e nos multiplicamos. Leio agora à pouco uma notícia no uol notícias de um sujeito casado com duas irmãs gêmeas e uma prima das duas. São três mulheres na mesma caverna, digo casa, desfrutando do mesmo homem e vice-versa. Claro são mórmons, essa desculpa religiosa para fornicar à vontade. Não vejo maldade nisso, sinceramente. Acho que uma relação tão plural só pode trazer mais sociabilidade entre as pessoas. Na verdade acho que o sinônimo de casal duo limitado e forjado através dos tempos são um contrasenso à sociabilidade humana. Por isso o sucesso entre os casais mais atuais dos clubes de swing. O homem é um ser necessariamente sociável. Depende disso para perpetuar suas idéias e suas crenças humanas, seus sentimentos e alegrias. Creio que estamos indo nessa direção de maneira informal. Não é preciso mais a desculpa da religião ou qualquer outra forma de razão. É possível enxergar casais dos mais diversos em gênero, número e forma tecendo uma relação de sociabilidade e felicidade sem traumas. As religiões, sempre um furúculo em nossas nádegas, às vezes tornam-se paralelas ao próprio sentimento humano em sua mais nobre essência. Amar não é limitar sentimentos, pessoas, formas ou desejos. Amar é viver novas e antigas fórmulas de relacionamento entre as pessoas. Acho que o caminho da felicidade e da universalidade humana passa por esse dogma de libertação de costumes. É a nossa volta às origens…

p.s.: até mesmo os mais insanos possuem a inteligência humana em seu DNA…

O deserto de todos nós

Leio notícias da Nigéria, onde terroristas islâmicos do norte do país realizaram, na noite de natal, atentados contra cristãos católicos. Resultado: morte de mais de vinte pessoas. Fico pensando o que leva pessoas a assumir sua covardia humana dessa forma. Tudo bem que não dá para acreditar que religiões que pregam a morte de pessoas possuam inspiração divina. Ao contrário seriam melhores se fossem pagãos ou ateus. Mas hoje todos falam de Deus como se tivessem o monopólio de sua Divindade Suprema. A ignorância que reina no oriente árabe-islâmico contrasta com seus relatados conhecimentos. Bem como sua propensão ao controle de mentes e corpos, feito por ditadores republicanos e ditadores monarquistas. É difícil imaginar que esses vagantes de seu próprio deserto interior, acreditem que tudo isso ficará impune e que suas razões serão impostas à todos, sem exceção. Leio também notícias sobre a tal Primavera Árabe e não me afoito, pois sei que antes de qualquer coisa a ignorância, a falta de cultura e o analfabetismo, aliado ao fanatismo religioso, só trarão a morte precoce aos seus adeptos. Além, é claro, da tristeza por sua existência. Pois todo ser humano é igual. E chega uma hora que ele pergunta ao seu deus o que ele está fazendo aqui, vivendo nessa humilhante condição, de pária das razões de quem o doutrinou. Lógico que os cristãos não ficarão parados esperando sua própria destruição. Revidarão com força de quem pode mais e massacrarão seus opositores infiéis. E assim caminharemos pela senda da escuridão até que alguém nos dirá que tudo isso foi em vão, pois as razões de cada um são razões que deveriam trazer concórdia, não a guerra. Sabedoria, e não a ignorância. Vendo o filme O Livro de Eli(já citado anteriormente), analiso sua história e vejo a possibilidade próxima de tudo isso se concretizar breve. As religiões, principalmente as mais distantes de Deus, apegam-se fortemente ao material e, prosaicas, esquecem-se do mais importante, a própria vida humana e seu infinito significado para Deus. Portanto, um ser humano que sacrifica outro não pode ser próximo de Deus, jamais. Essas histórias de virgens, paraíso e tantas outras, são mentiras criadas para dominar mentes e corpos. Deus não reside em situações, mas por sobre elas. Deus não resgata pecadores, mas Lhes dá a chance de transformarem-se. Deus não possui religião, tampouco ministros de sua doutrina. A dependência que temos por Deus é impressa em nossa genética e jamais será retirada de nossa mente. Todos sabem o que é certo, não precisamos de doutrinas ou líderes para nos dizer mentiras e invenções. Aos fracos de alma um aviso: sua vida continuará sendo uma merda. E depois dela também. O deserto maior está dentro de nós. Suas tempestades, seu frio congelante, suas armadilhas mortais, seu calor escaldante que seca nossa visão do mais simples significado que é a importância da vida. Não adianta lutar por chiqueiro, é preciso transformá-lo em um paraíso. Isso não é religião, é humanidade. E ser o humano é divino. Deus criou homens, não religiões. Religiões são as pestes descritas pelos próprios homens em seus escritos. Elas dominam, escravizam e matam seus seguidores, pois estão a serviço dos homens e não de Deus. Deus não marca os homens. Mas os homens marcam seus seguidores com vestimentas, modos e jeitos, como gado com dono e pronto para o abate. E nós somos a manada vagando pelo deserto à procura de respostas que nunca enxergaremos. E somente a água e o conhecimento Divinos poderão realmente nos saciar.

p.s.: no deserto, ao estarmos verdadeiramente com Deus, purificamos da forma mais rude nossa alma, e é aí que podemos encontrar o verdadeiro sentido da vida em sua razão mais profunda…

2012, o apocalipse

Nestes últimos dias tenho assistido à filmes com uma temática atual e particularmente apavorante: o apocalipse do fim do mundo, previsto na Bíblia e por várias seitas e lunáticos das mais variadas matizes pelo mundo e pelo tempo afora. Destaco dois, que merecem meu comentário. O próprio 2012 e O Livro de Eli. Ambos prevêem uma catástrofe capaz de exterminar a raça humana e/ou reduzi-la a minguados habitantes sem rumo e com um futuro incerto. Eli menciona inclusive o canibalismo, prática mutante para os humanos que o praticam. O céu prata-cinzento e a música tema recobrem a trama focada no resultado de “uma luta entre religiões” e que acaba por fomentar uma disputa mundial pela razão, que por fim é dada ao ateísmo. A não ser para este protagonista iluminado, Eli. Ele carrega consigo uma bíblia em braile para ser reproduzida em Alcatraz, novo centro de guarda dos preciosos documentos que sobraram do que a humanidade produziu. Ao estilo Mad Max e com uma forte essência de fracasso, O Livro de Eli retrata um pouco desse trauma que as religiões vem causando pela história na humanidade. Dependentes desse espírito religioso, nós os humanos, nos entregamos à dogmas sem perguntar no que eles nos farão transformar no futuro. Questionando valores materiais e empregando uma forte temática humana de ação, o filme faz pensar no que poderíamos nos transformar após esse previsto apocalipse. Já 2012 aborda um tema mais geológico do que religioso, embora uma frase dita pelo “lugar-em-comando” dos EUA, seja antológica: “é difícil admitir que esses lunáticos que carregavam cartazes anunciando o fim do mundo estavam certos”. À base de muitas “plantas sagradas” os Maias, ao que parece, prevêem astrologicamente, uma transformação em nosso planeta, ritual esse recorrente ao longo de sua longa existência. Tudo leva a crer que um alinhamento de planetas do nosso sistema solar, inclusive o próprio astro-rei, gerará um “descontrole” na sensível harmonia que nos rege, causando uma desestabilização no sol que produziria uma série de tempestades solares desencadeando uma revolução no magma terrestre, num aumento brutal de sua temperatura e acabando por “descolar” nossa crosta, causando uma inversão dos pólos magnéticos, afundando continentes (só sobraria a África) e ceifando a vida de mais ou menos 6 bilhões 999 milhões e 700 mil  pessoas. Sobraram minguadas 300 mil pessoas para contar a história para as futuras gerações. E tudo sem se importar com os “melhores”. Pois o critério primeiro para se “salvar” era ter dinheiro e conhecimento, e por último sorte. Ou seja, seleção natural e humana das coisas, e não religiosa ou divina. Bem ao estilo arca de Noé dos nossos tempos, 2012 mostra com bem mais realismo cinematográfico o apocalipse que nos aguarda para este ano. Devo dizer que quando a gente vai ficando mais velho o medo parece ser mais constante, a vida parece ter uma importância maior, com mais significado. Por isso resolvi falar sobre o apocalipse, que na verdade é uma forma de escrita, não uma profecia. O formato “apocalíptico” era muito difundido na antiguidade talvez como forma de aprofundar a importância dos significados que se queria mostrar. Por isso João, o evangelista, o utilizou tão contundentemente. Mas aos meus queridos e seletíssimos leitores, religiosos ou não, agnósticos ou não, pagãos ou não,  todos, sem exceção, perdoem minha fraqueza humana diante de tal fato que pode se avizinhar em nosso porvir. Assim como outros, os espíritas também crêem nas profecias futuras. Acreditam num Planeta X, ou Nibiru, um planeta bem troncudo que deverá passar pelo meio de nosso sistema solar e que com sua enorme magnetude irá arrastar muitos de nós, que detém a mesma freqüência espiritual que ele, para um mundo de expiação. Os que ficarem poderão usufruir de um mundo melhor, mais elevado espiritualmente, um planeta que ascenderia da situação penal hoje nossa patente, para regenerador. Claro, ainda não será o paraíso. E por aí vão outras culturas e seitas, como diria o personagem citado de 2012, “lunáticos que carregam cartazes anunciando o fim do mundo”. Não sei se quero fazer parte desses lunáticos, mesmo porque o meu cartaz seria este blog, pouco atrativo para muitos, Mas gostaria de dividir com vocês essa possibilidade que os astros, as profecias, os lunáticos e os nem tanto, crêem fielmente. Se o futuro nos reserva a extinção, que venha então sob o manto da salvação de poucos por um mundo melhor para os que sobreviverem. Boa sorte, irmãos. E que Deus ou as forças mágicas da natureza estejam sempre ao vosso favor daqui para adiante. Pelo menos pelos próximos 5 mil anos.

p.s.: rezar, orar, pensar positivo, emanar bons fluídos, seja lá no que você acredite, faça, ao menos estaremos promovendo um grande círculo de união entre loucos e lunáticos de toda ordem. E isso é bem legal.

Sociedade Antropofágica

Como raça, estamos a caminho da extinção. Amamos tudo o que nos mata e na prática tocamos nosso próprio soneto de fim da espécie. Não por isso digo que estou esbravejando preconceitos, longe disso, acho que todos podemos e devemos praticar a liberdade, seja ela em que ramo humano for. Mas toda a essência da humanidade que vinga até hoje foi baseada em princípios mais conservadores de convivência, ou seja, o que nos exterminava fazia o trinômio: guerras, fome e doenças. Hoje o processo de extinção está mais refinado, menos doloroso, mas mais sofisticado. À parte uma série de considerações a força das religiões fez muito pela preservação humana, por suas expectativas materiais, espirituais e dogmas. Hoje as religiões perderam seu poder de sedução humana e divina e amargam ver práticas humanas contrárias àquelas sempre reprimidas e que fizeram preservar um pouco do resto de todos nós. A defesa e prática do aborto, por exemplo, é um método eficaz de extermínio. O casamento gay, idem. Não estou defendendo qualquer tipo de homofobia. Ao contrário, como já disse acima, qualquer um deve ter liberdade para praticar tudo que não seja pernicioso para si ou outros. A história nos mostra que a prática homossexual ocorria livre, leve solta por todas as civilizações, apenas agora ele se institucionalizou. Atores desse movimento social é preciso estar conscientes da espiral de extinção da civilização ocidental. A oriental cuidará da sua própria. A prática do aborto é um atentado contra cada um de nós, já que é um assassínio contra a raça humana e tudo porque sempre lutamos. Pior, sem justificativa, uma vez que os métodos de contracepção hoje são totalmente eficazes. Não é preciso assassinar um ser humano para bradar liberdade e direito. O uso indiscriminado de álcool e drogas físicas e psíquicas é outro inebriante de nossa existência. Os usuários sabem de seu fim, mas desprezam sua existência humana miserável, decidem deixar de lutar e jogam-se na latrina visceral do fracasso. Abdicam de si e dos outros, simplesmente. É fato que a sociedade que cria mecanismos de dispersão de si está decretando seu próprio mal fadado destino. Causa e consequência num mesmo alvo. Aquele que se droga compra de quem vai lhe matar e o que está lhe matando. O discurso contra a família é exercido principalmente dentro das próprias. O brado de liberdade é uníssono quando o assunto é o direito individual acima do coletivo. Não estamos agindo como civilização, mas como indivíduos distintos, no melhor dos casos em castas, civilizadas ou não. Os conflitos tribais persistem como razões perdidas de razão. Os preceitos políticos ainda escravizam multidões de ignorantes passivos e condenam ao eterno atraso idéias que talvez fossem solução para uma parcela de nós. A consciência de céu e inferno é muito simplista diante do nosso drama, onde o céu de uns se transforma no inferno de outros.

p.s.: é preciso rever o nosso conceito de civilização humana, já que hoje, em pleno século XXI, líderes mundiais ainda mentem sobre poder, dinheiro e opressão…