Rabanadas & Champanhe…

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Após queimar o feijão do tutu, voltei a pensar que fim de ano é sempre um terror. Primeiro pelo desgaste emocional que cresce até explodir em alguma discussão com os mais próximos, ou pior, um distante. E segundo, porque nos poucos instantes em que não corremos atrás de sei-lá-o-quê, vejo também outros loucos correrem e penso no porquê de tanta correria insana. Todos almejávamos resolver tudo antes do dia 31, como compras, presentes, comidas, e-mails, conserto do ar condicionado, em vão. E depois do Ano Novo, idem. Sem falar da pintura nova da sala, que sempre fica para o próximo natal.

Leio um velho tweet do promotor Dellagnol, coordenador da operação Lava-Jato, lamentando que os condenados por corrupção iriam ficar presos por apenas 1/5 das penas, antes da Pin-Up Dodge entrar cantando pneu no STF contra o decreto de Temer, discípulo fiel da velha corrupção coronelista. Tava quase compensando, não é moçada? E o Maluf, que há anos é verbete de dicionário, do verbo ladroar, saiu de casa sisudo, mas lépido, e chegou na PF mancando, amparado por dois pupilos, com pinta de que não passaria do natal, mas já engatou o fim de ano na boa, sem uma única esfiha. Tristes corruptos, que depois de pegos fazem esse teatro do absurdo. Tristes de nós, que tivemos que ir na 25 de março fazer valer cada centavo que restou para as festividades do bom velho Noel.

E a saidinha de fim de ano? Mais uma vez, um primor. Os tipos mais badalados do crime, todos fora da cadeia, passeando livremente pelas ruas, entre a sociedade que os julgou e os condenou, caçoando dos que exigiram justiça e respeito pela família e valores humanos. Mataram pais, filhos, roubaram vidas, corromperam destinos, e também fazem o seu teatro da vida, só que mambembe. Afinal bom comportamento é sempre uma razão para ser livre, e quem sabe até se converter, já que os tempos são de conversão. Muitos ainda não voltaram para o seu respectivo calabouço, cometendo invariáveis crimes que justificam o aumento de suas penas, mas não para os juízes responsáveis por sua liberdade e entrosamento social.

Passar em frente à igreja nem pensar, vai que o padre começa a pedir dízimo do décimo terceiro, como os outros. E como já disse, havia sobrado pouco para a gastança do fim de ano. Nem para andar de táxi ou uber, que estão pela hora da morte. Estacionamento no centrão então, proibidérrimo. Mas resta o espírito que nos perturba, digo, norteia, todo fim e início de ano. Aquela coisa do perdão, do irmão, das promessas, do regime, dos gastos menores. Claro, não sobra nada.

Mas o bom de todo fim de ano são as comidas natalinas. Peru, rabanadas, bolinhos de bacalhau, e aquelas aves que ninguém nunca viu mais gordas, mas que obrigatoriamente fazem parte da nossa ceia. Sem falar nas castanhas, nozes, uvas passas, panetone, porquinho-pururuca e o vinho rosé. Esse então não pode faltar, é mais tradicional que o próprio peru. Sem vinho rosé não se brinda natal nem ano novo. Consegui nestas festas as duas últimas unidades do Carrefour do Eldorado, por isso as guardei debaixo do colchão até o dia 24. Nada podia acontecer a elas. Mas vai que a faxineira cismasse de correr também.

Mas por fim acabei de fazer as famosas compras de natal lá na Santa Ifigênia, onde adquiri duas lâmpadas que faltavam no lustre da sala. Mas o que me deixou pensativo foi saber se o Temer, aquele moço que ocupa desconfortavelmente o Palácio do Planalto, que correu tanto para aprovar a reforma da previdência, teve tempo de fazer suas comprinhas de fim de ano. Tinha muita gente esperando uma lembrancinha do presidente. Principalmente os deputados e senadores. Gilmar não. Temer já tinha nomeado a mulher dele para um cargo com um recheado salário. Esse ficou com o natal passado garantido, inclusive com o peru.

E para finalizar este pequeno relembrar, eu quero deixar aqui o meu abraço natalino (afinal, sempre é Natal para os homens de boa índole…) e um quixotesco Ano Novo, para o pai dos pobres. É, aquele moço que queria tão somente ter um “tiprex” na praia e um sítio lá no mato, e ninguém quer deixar. Tenho certeza de que teve um natal gordo, com alguns charutos cubanos e vigorosos vinhos pétrus, afinal ele merece, eu acho. Gostaria de tê-lo visto de chapéu vermelho, sua cor predileta, e com um saco repleto de presentes, mas creio que não vamos ver isso.

De resto, que a correria do fim de ano não nos impeça de chegar a algum lugar, mesmo que seja apenas no ano novo, em 2019. Estamos de férias. Desligue o celular, bote um bermudão e umas Havaianas, dos irmãos Batista, e diminua o ritmo, afinal o coração não é órgão que tenha que aguentar das suas a vida inteira. Bora relaxar, fazer de conta que não é conosco. O aniversário não foi nosso, muito menos o ano do Gregório. O que não significa que não devamos comemorar. Sejamos como um piloto de fórmula um em fim de carreira. Vamos pensar que mais pra frente seremos apenas comentaristas do que a vida nos deu, e das loucuras que fizemos, a 100 por hora, na estrada de Santos.

Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo de 2019, diferente de tudo que iremos ter neste. porque o bicho vai pegar…dia 24 de janeiro é hora da farra, digo, farra…

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Sem Segredos

illuminati

Nestas últimas semanas vimos que o Brasil se supera a cada dia. Não é de hoje que malandros das mais variadas matizes tomaram de assalto a Presidência da República, o Congresso e o STF. A maioria de nós tem visto perplexos os enredos criminosos em que figuras de altas patentes deixaram-se revelar. Presidentes de partidos, ex-governadores, ex-ministros, enfim, a mais alta corte política sendo posta a nu em suas práticas mais devassas. Nada de novo para um sistema político e de gestão falidos, não conseguem manter-se sobre as próprias pernas sem que arraste a todos nós para o lodaçal.

Todos, sem exceção começam a padecer dos piores males após decretada sua prisão. Patético, vergonhoso, medíocre. Homens feitos não tem a hombridade de assumir seus pesados erros. Covardes. Usam muletas, bonés, outras faces. Definham breve e só voltam a corar após um valioso habeas corpus do STF. Homens pequenos, de um país sem rumo e sem pátria.

O povo, sempre enganado, continua a crer em milagres, dos que vieram da mesma lástima, e vai em busca da armadilha final, e eleger condenados como se nada tivessem cometido. O povo sabe votar? Não, não sabe. Vimos sendo ludibriados há anos e ainda temos coragem de continuar a carregar nossa canga, mesmo feridos e fracos.

Vi e ouvi, o que me chocou, claro, um palhaço eleito com milhões de votos, fazendo um discurso grotesco, tentando mostrar ser um vencido paladino de trapos. Na verdade, usou do próprio meretrício para se lamentar do sistema que fez parte e ajudou a manter. Com seus quase dois mandatos irá desfrutar de uma gorda aposentadoria parlamentar pro resto da vida, feita somente para os que se rendem aos cardeais do parlamento e da corrupção. E tão logo despediu-se do fardo de ser deputado-palhaço, declarou seu voto para presidente em 2018, num condenado por corrupção, Lulla da Silva.

Não há segredos em Brasília. Tudo o que imaginávamos haver eles já o sabiam de longa data. Que o grupo político mais corrupto do país assumiu o poder, que muitos que estão presos logo estarão novamente nas ruas, e na política. Que tudo em Brasília tem um preço. Pode ser alto, mas tem preço, até um ministro do STF ou um alto araponga da ABIN. Brasília é a cidade das oportunidades e da cumplicidade. Na oportunidade se vira ministro e se enrica. Na oportunidade se consegue um crédito subsidiado e se cresce mais que toda a concorrência junta. Na oportunidade se enchem malas e mochilas de dinheiro vivo por anos a fio. E na cumplicidade se mantém o poder.

E nos tempos azedos de hoje até os milicos tem seus segredos revelados e sua covardia exposta. Como em outras plagas, aqui também se compra militar com salário e propina. Talvez não como a Venezuela ou a Bolívia, muito menos como o Egito, mas todos são fartamente abençoados por maços e oportunidades. E no país dos corruptos, até o “pai” do programa nuclear rendeu-se ao famigerado tostão de milhão. Que triste. Tornamo-nos um país de vassalos baratos, sem pátria ou ideologia. Até a esquerda putrificou-se no esgoto da corrupção e jogou no lixo a história dos que queriam liberdade e um país decente.

Não dá para negar que somos comandados por corruptos, mas que os elegemos porque também o somos. E não adianta chocar-se. Construir uma Nação é para poucos, e nós não fazemos parte desses. Seremos sempre uma esperança vencida. Aquele desejo que nunca se atende ou a vontade que nunca será saciada. Somos samba, carnaval e futebol, bunda, cerveja e uma total falta de coragem.

Não tem mais segredo. Quer lutar? Apronte-se para sobreviver, apenas isso.

Paz, Pão e Terra…Brasilis

“Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução”. 

                                                                                                              Carlos Baltazar

E o Brasil continua plantando tempestade. Os otimistas, junto com os pilantras, falam de melhoras em sorrisos sem cor, mas é ver a semana em Brasília para saber que nada disso é verdadeiro. O governo Temer é um preposto do governo petista, ou alguém duvida disso? O mesmo governo que desestruturou a política, a economia e a sociedade. Só que agora numa versão continuadamente piorada. Num país decente, o simples fato de ter contra si uma acusação de corrupção, de obstrução de justiça e organização criminosa, já renderia uma vergonha vitalícia e uma renúncia estratégica do poder. Mas aqui a vigarice é tanta que os valores morais e éticos são enxovalhados diuturnamente sem que algum desses que possuem o diploma de eleito, ou não o tenha, avoque a decência de pedir para sair.

Dois fatos simbólicos mostram o governo e a semana. A tal Luislinda mostra que ministro também é escravo de seus míseros vencimentos de 32 mil, e que quando desembargadora (imagine se uma decisão que lhe diz respeito caísse nas mãos dessa senhora?) a coisa era bem melhor. Calaram-se ela e o PSDB, o partido dos bons moços, ávidos por uns bons tostões e bons regalos de primeira, claro. Não é à toa que discursos sérios, relativos aos direitos humanos e a escravidão, sempre mal vistos e bem mal explicados, são tidos, muitas vezes, como despropositais. Pessoas assim fazem do debate algo pequeno e sem caminho.

E a mais factível das afirmações, feita pelo ministro da Justiça (cabra macho, heim?) que entregou um segredo de polichinelo: a PM do Rio tem acordo com o crime organizado nos morros e com deputados estaduais. Bom dia, comunidade! Alguém não sabia disso? A PM do Rio é a corporação policial mais corrupta do Brasil. Os traficantes dos morros são meros empregados dos patrões que desfilam na política local e nos coronelatos militares daquelas bandas. Nem componentes da velha guarda das escolas de samba acreditam que o Rio tenha solução, e que essa venha dos políticos ou da PM. Que o Christo Redemptor nos proteja.

Por fim, mais uma pataquada temerária, a redação do ENEM. Nenhum desses secundaristas metidos a Drummond poderia sequer tocar num assunto que cheirasse a desrespeito aos direitos humanos, senão nota ZERO. Alguns desses meros ocupantes da gestão nacional estão brincando de semideuses. Não, não são arroubos de censura como alguns pensam, mas pequenos poderes que, pequenos idiotas que estão lá de plantão, querem nos impor. Não há que se temer a volta de tenebrosos tempos, mas que nós deveríamos ter sido mais corajosos antes escolher manter um vice desses como presidente, sem dúvida.

O Brasil não pode temer a democracia. Quem se borra medo dela são os políticos. Não nos enganemos, não há democratas em Brasília, mas gente que quer manter-se no poder a qualquer custo, mesmo se o caminho for duvidoso em direito e liberdade. A escolha por esse governo foi feita dessa forma, tivemos medo do vazio que o poder pudesse sofrer. Mas, não há vazio de poder numa democracia.

Uma coisa é certa, meus patrícios: ou mudamos com urgência esse sistema de governo em que vimos insistindo há séculos, e que não nos dá liberdade, não nos traz igualdade, não nos promove como cidadãos, ou alguns farão a revolução. Ou nós brasileiros assumimos com coragem o poder de decidir nossos próprios caminhos ou ficaremos sempre à mercê desses fantoches da política que nos perseguem há anos. Ou vamos para as ruas exigir decência, transparência e caráter, ou é melhor deixar baixar a canga e aceitar o jugo da escravidão moldada por eles, para nós, em pleno século XXI.

Acorda, Brasil !

Esperança-divide-seus-hemisférios

Os brasileiros, essa trupe empertigada de sofrimentos, vive o tormento do porquê, afinal de contas, este país não deslancha finalmente e assume uma situação que todos esperamos desde que alguém professou o celebre adjetivo: “o país do futuro”. Não foram poucas as crises porque passamos juntos, unidos numa esperança que parece não ter fim. Mas que hoje, com essa crise política que mais parece um terremoto institucional, vai arrefecendo.

A título de exemplo, uma questão que nos é fundamental mostra, em detalhes, toda o desleixo com que nossos representantes vêm tratando “o país do futuro”. O comércio exterior, que possui um potencial de desenvolvimento importantíssimo, e que poderia nos trazer uma condição de melhoria social e estrutural, vem, desde os governos de FHC e Lulla, sendo tratado com um viés ideológico e numa total afasia de vislumbrar alguma perspectiva para o país.

Tentando impor-se com uma filosofia praticada apenas pelos que desconhecem os ritos econômicos mundiais, o Brasil tentou apoio político e econômico em países que correspondem a uma porção insignificante do PIB mundial. E até mesmo ditaduras sangrentas entraram na baila. FHC e Lulla trilharam caminhos idênticos porque são defensores das mesmas práticas políticas. E lá fomos nós tentar comprar e vender para o Mercosul, África, Oriente Médio e Oceania, deixando de lado mercados de ponta, como EUA e Europa. Resultado prático: acumulamos prejuízos, dívidas não pagas e perdemos mercados importantíssimos para o sustento e desenvolvimento de nossa economia.

Enquanto isso, alguns de nossos grandes concorrentes, em áreas de negócios e produtos construíam acordos bilaterais com vantagens mútuas, enquanto continuávamos a esperar o grande acordo da OMC, que nunca veio. O acordo com a União Europeia, que nunca veio. E ficamos nós assim, na eterna esperança.

Se analisarmos os últimos presidentes civis do Brasil, vemos que nossa esperança deve continuar se quisermos um dia ser mesmo “o país do futuro”. Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lulla, Dilma, Temer. O que lhe parece isso, um rol de ilustres ou um bando que ousou liderar o Brasil por um caminho sem contorno de um objetivo planejado de forma nacional? Se juntarmos todas essas ideologias sociais e econômicas teremos um balaio de gatos vira-latas. Um capitão-do-mato, um playboy, um sei-lá-o-quê, um sociólogo ambíguo, um operário (sic) sem causa, uma paraquedista que nos logrou a pior crise política e econômica da história. E por fim um diabólico político que ousa aviltar o país com denúncias de propinas na casa dos 500 milhões de reais.

Talvez não sejamos bons de comércio e negócios. Mas de certo somos bem piores de nacionalismo e amor à pátria que nos abriga. Enquanto isso, nossos concorrentes velejam em mares menos bravios, ganhando mercados, refastelando-se no que não somos capazes de acordar. Tenho a ligeira desconfiança de que nos acordos que somos bons, outros países não fazem questão de participar.

Batismo de Sangue

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De todos os lodaçais que este país já encarou, talvez este seja o mais podre e prostituído de todos. Outros períodos funestos contavam com falta de informação, camuflagem oficial e não oficial e os famosos cala-bocas na base da bala ou da baioneta. Continuamos a ver e viver esses tempos difíceis, não só em Santo André ou Campinas. Não é à toa que muitos são os arautos para o futuro do Brasil.

Enfiados nas hostes do governo militar de 64, muitos civis de hoje, e alguns dos que já foram, ardilaram um sem número de golpes contra o país e seu violado erário. Tais empresários gostam de manter relações íntimas com o poder de plantão em proveito de quantias significativas e acesso ilimitado a instituições do mais alto grau de decisão. Afinal alguns “lucros” vem mais fácil sem o suor da produção. Retrato fiel de uma elite que não possui brasilidade em seus dogmas liberais.

O poder no Brasil sempre se confundiu com domínio particular de uns. E nos tempos em que a esquerda fabiana tem dominado os fóruns de discussão, imprensa e ensino, dois conglomerados destacaram-se como os grandes “amigos do czar” ou do regime de semi letargia nacional. Os clãs Batista (que o querido São João Batista não proponha nos castigar ainda mais). Um de Eike e outro dos irmãos Joesley e Wesley. Os Batistas foram aquinhoados com bilhões daquele que deveria ser um banco de fomento social, não um “aportador” da fortuna alheia. Nos tempos áureos, Eike era o grande presenteador de Lula da Silva. Mas de um dos homens mais ricos do mundo, virou um meliante de tornozeleira eletrônica. Ao estilo da coleira que sua mulher envergava com submissão e orgulho.

Passados alguns dias de escândalos para os lados de Lulla e seus demônios, aparece o irmão Joesley com uma bomba delatora, que ele vendeu fácil para a PGM e para o petista Fachin, ministro do STF por conta e obra de Dilma, a louca. Joesley saiu-se bem: parcelou a leniência, ficou livre da prisão e jogou às cobras e aranhas o ingênuo Temer. Aécio cheira e fede sim, mas é só um acessório dessa artimanha, que pode bem ter sido articulada por Lula, agora providencialmente assessorado por Dirceu, o cérebro.

Um verdadeiro golpe está em curso, sob nossas barbas. Uns perguntarão: e eu com isso…golpes são o fardo que se carrega com o poder. Mas se fosse um golpe qualquer, tudo bem. Ocorre que este golpe, especificamente, está sob o prisma da destituição total do poder institucional do que nos rege. Fantasia? Quem rege hoje a política senão o STF? Nós elegemos mais de quinhentos deputados e quase cem senadores, mas quem manda são onze sujeitos que sequer são juízes. Alguns possuem um passado sombrio, desconhecido. Outros nem tanto. Mas todos possuem envolvimento político pessoal. Prepara-se a volta de Lulla ou outro Maduro qualquer. Mas o fato é que estamos correndo um sério risco de voltar ao tempo da caserna também ou, pior que isso, viver a realidade que nosso país se tornou um celeiro, ou um puteiro, onde são formados pequenos ditadores de delírios canalhas, financiados por empresários sem pudor de ver seu país no esgoto de seu lucro. E ver de NY o quanto o capitalismo é bom e o quanto mais de promessas ainda devemos pagar.

“Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus…cai, não fica nada…

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Numa só tacada, a dupla caipiro-petista Joesley e Wesley, assinou com sangue a morte do que restava da Velha e da Nova República. Após passar anos conseguindo bilionários empréstimos escusos do BNDES em troca de propina para centenas de parlamentares, a JBS começa a sentir o cheiro da sua derrocada, tal qual a Odebrecht.

Nos anos de ouro da Velha República, muitos parlamentares tornaram-se ricos por suas relações com o poder. Na Nova República não foi diferente. Apenas o poder “socializou” o dinheiro público, triangulando suas vertentes mais a miúde. Uma boa parcela dos políticos que não tinha acesso a mamatas no regime militar estava ávido por aproveitar-se do erário segundo as suas pessoais convicções. Sarney emplacou a ferrovia Norte-Sul. Collor, vendeu favores presidenciais, dizem que beirando os um bilhão de dólares. E FHC trabalhou intimamente com bancos, empresas de telefonia. Mas o marco da gestão tucana foi, o que hoje nos espanta, o primeiro loteamento do congresso para conquistar a sua reeleição, e as bases férteis para que a Petrobrás fosse quase aniquilada nos governos que se seguiram. Acabava aí a Velha e a Nova República. Aí veio o “Socialismo-Sindical” de Lulla e sua intrépida trupe, que alijou dos brasileiros bilhões de reais, naquela que sem dúvida foi a maior gatunagem pública que a humanidade já viu (ou você ainda duvida?). Dilma, aquela a quem deram a alcunha de “gerentona”, talvez mais por opção do que por sua competência gerencial, legou ao país mais de 13 milhões de trabalhadores desempregados, um dívida interna na casa do trilhão e tanto de reais, contas públicas em total falência além dos crimes institucionais e de relevo pessoal. Após um processo natural de impeachment, assumiu seu vice e formou o que se quisera chamar de “governo reformista”. Que nada. Sem grandes surpresas vem sobre ele igual ameaça, em forma de delação premiada (e eles ainda ganham prêmio?) e afastamento por conta de corrupção.

Afinal, o que estamos fazendo com nosso país?  Que tipo de governo nos é possível? Os brasileiros sempre tiveram receio de aplicar penas duras em quem comete crimes. Pior, acham que a maioria pode ser reconduzida à sociedade como um cidadão casto e fiel pagador de impostos. Mas não temos mais como levar este jogo adiante sem que façamos algo sério e agora. O sistema que temos nos induz à corrupção de forma implacável. A burocracia governamental, o sistema partidário e eleitoral, empresários que querem enriquecer às custas da miséria do povo. É preciso mudar nossa política, que sempre forma castelos de cartas, marcadas. O jogo precisa ser aberto, transparente. Todos à mesa devem poder participar e ter chances de ganhar. Hoje ganham apenas os caciques, os apadrinhados, os institucionalizados, aqueles que “eles” julgam ser melhores de lucro que outros. É hora de radicalizar nas consequências. Partir pro tudo ou nada. Varrer das instituições a praga da corrupção que nos escraviza. E cada povo deve achar seu destino. O que queremos para nós e o nosso Brasil?

Democracia Fake

O Brasil carece de partidos políticos. Ouso dizer isso quando mais de 35 partidos agem, e creio ser esse o termo correto, no sistema político brasileiro, como cartórios de interesses e instituições legais e não legais. O vilipêndio é tanto que chega ao ponto de organizações criminosas usarem essas estruturas para tutelar o Estado e até mesmo a Sociedade. E para saber a fisionomia e interesse da cada um deles é só ir ao site do TSE e ver as respectivas executivas. Tanto nacional, quanto estaduais. Lá estampam-se suas intenções. Serão nomes conhecidos e desconhecidos, mas todos cartoriais. Substrato do que nos foi legado por FHC, Lulla e Dilma nesses anos inglórios. E agora Temer, surfando num sistema de coalizão partidária que para manter-se no poder faz do Congresso uma feira de negócios, legais e não legais; e estes, os mais atraentes. Não é segredo histórico que o grande empresariado no Brasil viveu sempre às custas dos governos, desde o Império. Mas depois do advento do PT no poder, os governos resolveram literalmente viver às custas dos empresários, que continuam vivendo às custas dos governos, ou de nós, para ser mais exato. Eis o círculo diabólico e vicioso da corrupção. Não é à toa que os mais santos parlamentares e os mais instituídos partidos, votaram para desfigurar o projeto das dez medidas contra a corrupção, patrocinado pelo MPF e pela sociedade. Não é à toa que mesmo os partidos ligados às diversas instituições religiosas, por consequência menos expostos ao pecado, votaram contra a vontade da maioria da população. Isso mostra que no Brasil não existem partidos, mas grupos políticos. Por isso nossa sofridão democrática e nossa luta contra um estado de coisas, parece não ter fim ou medida. Reforma política no Brasil é patrocinada pelos que devem ficar continuamente no poder. E os partidos são os grandes fiadores desse estado de coisas, porque são seus arapongas que escolhem, quase que divinamente, quem será ou não candidato nas vindouras eleições. Eles decidem em quem você vai ou não vai votar. Isso não é poder demais? Não, e eu nem vou falar em fundo partidário, instituído nos moldes da fatídica coalizão. Ou seja, mais dinheiro para um lugar e para pessoas que nem você ou eu conhecemos. Já há movimentos, tanto no MPF quanto na população, para acabar com essa farra de poder absoluto dos partidos. Governos e partidos são para servir a sociedade e seus grupos sociais na plenitude, não institucionalmente. Temos que tomar os partidos para a sociedade. Afinal, quem são seus presidentes? Que interesses possuem? A nossa democracia não é verdadeira, é um fake. Está em dúvida? Confirme como votou seu deputado e seu partido nessa questão da corrupção. Partidos políticos servem, ou deveriam servir, como alento e esperança para à uma sociedade que clama há séculos por decência. Ao contrário, continuam a ser um amontoado de grupos de interesse particular, com retóricas gastas e fórmulas maculadas pela mentira. Infelizmente essa é uma esperança que, nos moldes atuais, não irá virar realidade. Não com esses partidos, não com essa nossa mobilização social.

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p.s.: há pouco, o presidente do Senado, Renan Calheiros, recusou-se a cumprir a ordem de afastamento do STF. Colocou em xeque uma ordem judicial da Suprema Corte. O que há por trás disso? Uma crise institucional, ou um golpe dentro do golpe? Enquanto os partidos forem comandados por pessoas que se interessam pela balbúrdia institucional e pelo interesse individual, nunca seremos uma democracia de verdade.